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Coluna

Análise: Carros da LMP1 ficarão diferentes. E agora F1?

João Corrêa analisa como as mudanças no WEC podem interferir na F1 e, consequentemente, no mercado automotivo

#2 Porsche Team Porsche 919 Hybrid: Timo Bernhard, Earl Bamber, Brendon Hartley
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#64 Corvette Racing Corvette C7.R: Oliver Gavin, Tommy Milner, Marcel Fassler
Low light action
Ferris wheel
#38 DC Racing Oreca 07 Gibson: Ho-Pin Tung, Oliver Jarvis, Thomas Laurent
#63 Corvette Racing Corvette C7.R: Jan Magnussen, Antonio Garcia, Jordan Taylor
#91 Porsche Team Porsche 911 RSR: Richard Lietz, Frédéric Makowiecki, Patrick Pilet
#1 Porsche Team Porsche 919 Hybrid: Neel Jani, Andre Lotterer, Nick Tandy
#7 Toyota Gazoo Racing Toyota TS050 Hybrid: Mike Conway, Kamui Kobayashi, Stéphane Sarrazin
#90 TF Sport Aston Martin Vantage GTE: Salih Yoluc, Euan Hankey, Rob Bell
#38 DC Racing Oreca 07 Gibson: Ho-Pin Tung, Oliver Jarvis, Thomas Laurent
#28 TDS Racing Oreca 07 Gibson: François Perrodo, Matthieu Vaxiviere, Emmanuel Collard
#36 Signatech Alpine A470 Gibson: Gustavo Menezes, Romain Dumas, Matt Rao

Em recente artigo publicado na Autosport, revista pertencente a rede Motorsport, Gary Watkins informa que a FIA (WEC) e a A.C.O.(Le Mans) planejam para a próxima geração da LMP1, a ser introduzida em 2020, carros que terão duas importantes novidades: a presença de aerofólios móveis e a obrigatoriedade de, após cada pit stop, o protótipo dar uma volta completa na pista somente utilizando a energia elétrica de suas baterias.

A princípio, a primeira inovação, não traria uma grande novidade, já há alguns anos podemos observar o DSR em ação na F1. No entanto, temos que entender que a possibilidade de controlar aerofólios pelo piloto ou, automaticamente, por intermédio de sensores e computadores, irá acontecer, no caso da LMP1, em um chassi que se assemelha mais a um GT do que os monopostos da F1.  Fica mais fácil imaginarmos carros esportivos vendidos ao grande público equipados com aerofólios moveis e, quem sabe até, escamoteáveis. Isso daria uma finalidade maior ao desenvolvimento da parte aerodinâmica que observamos apenas como incrementos para carros de corrida e só muito timidamente, de forma fixa em alguns carros esportivos mais avançados.

Vale lembrar também que interferir com a aerodinâmica também significa poupar energia ou mesmo recuperá-la com turbinas passivas. Por último, é mais barato ter partes aerodinâmicas ajustáveis do que fixas, como são atualmente na LMP1, onde se gasta uma fortuna em túneis de vento até se encontrar a melhor posição de asas, barbatanas e aletas em uma espécie de forma que deve durar toda a temporada em pistas onde o comportamento dos ventos são variados e distintos, com traçados diversos que implicam em melhor ou pior arrasto, interagindo de forma diferente com o desenho fixo elaborado no início do ano.

Contudo, na segunda novidade temos toda uma especulação do futuro automotivo, pois ela implica no tipo de híbrido que será o dominante nos próximos anos, que, por hora, estão chamando de 'plug-in hybrids', que nada mais é que o esquema já ofertado desde 2010 pelo Chevy Volt, onde o motor a combustão instalado no veículo serve apenas de gerador para as baterias de lítio, não tendo ele nenhuma participação na tração do veículo de maneira direta, como em outros tipos de veículos híbridos, que alternam motores de combustão com motores elétricos, automaticamente, a depender da carga da bateria e o tipo de tráfico enfrentado no deslocamento.

Certamente veremos quem queira manter o atual sistema de híbrido da F1 e da LMP1 e apostar na recuperação de energia, tanto a cinética (MGU-K) quanto naquela proveniente do turbo (MGU-H), para carregar a bateria a ponto de possibilitar uma volta completa. Teimariam para descobrir que teriam que ter baterias maiores e mais pesadas. Todavia, o consumo gerado por 'velocidades de corrida' dificilmente permitiria que o atual sistema híbrido seja mantido, havendo uma migração para carros que, na verdade, são puramente elétricos. entretanto, habilitados com a capacidade de carregar suas baterias por um motor à combustão sem ter que parar.

Os organizadores da categoria máxima de Endurance, que rivaliza com a F1 como campo de pesquisa automotiva, afirmam que as regras visam o atendimento da realidade onde cada vez mais é comum cidades proibirem o tráfico de carros que usam combustíveis fósseis em determinadas horas e locais. Por outro lado, essa mudança visa também manter a categoria atrativa para os grandes fabricantes. Hoje a subcategoria dos protótipos de Le Mans, que compete no campeonato mundial de endurance, está  reduzida à apenas dois fabricantes, Porsche e Toyota, depois que a Audi abandonou-a este ano. A LMP1 sem os grandes fabricantes e as tecnologias de ponta acabaria com a LMP3 que passaria a ser a nova LMP2 que, por sua vez, passaria a ser a a nova 'número um'.

O grande exercício aqui é verificarmos que a F1 também corre o risco de ver os fabricantes de motores abandonarem a categoria caso ela persiga somente o objetivo do faturamento com o show esportivo, deixando de lado o R&D, a pesquisa e o desenvolvimento.

Prevalecendo o modelo atual, temos nas promessas da LMP1 uma dica válida para imaginarmos que tipo de motor poderia ser proposto para substituir os carros e atuais motores híbridos da F1... ou ainda um passo antes de serem monopostos totalmente elétricos... Quem disse que a atual Formula E continuará com chassis de monopostos para sempre? 

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