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Conteúdo especial

F1: O desafio duplo das equipes de fábrica com a mudança de regulamento em 2026

Mercedes, Ferrari, Aston Martin, Red Bull e Audi dividem foco em duas frentes diferentes: fazer um bom carro e um bom motor

Andrea Kimi Antonelli, Mercedes

Foto de: Zak Mauger / LAT Images via Getty Images

Para a temporada 2026 da Fórmula 1, as equipes enfrentarão uma das mudanças de regulamento mais bruscas que a categoria já vivenciou. Além disso, para alguns dos esquadrões, o desafio é ainda maior, uma vez que as fabricantes precisam trabalhar em duas frentes simultaneamente e ser bem sucedida em ambas: o carro e os motores. Mas, qual o tamanho desse desafio? 

Leia também:

Antes de tudo, é preciso destacar que o motor 1.6L V6 turbo híbrido revisado marca a 9ª era de unidades de potência da F1, desde a sua criação em 1950. 

'Eras' de motores

ANO

MUDANÇA

1950–1960

 4.5L aspirado / 1.5L supercharged

1961–1965

1.5L aspirado

1966–1986

3.0L aspirado / 1.5L turbo

1987–1988

transição (turbo limitado + 3.5L aspirado)

1989–1994

3.5L aspirado

1995–2005

3.0L aspirado (V10 padronizado a partir de 1996)

2006–2013

2.4L V8 aspirado

2014–2025

1.6L V6 turbo híbrido

Além da unidade potência, as equipes também precisam construir um carro novo (menor, sem efeito solo e com mudanças aerodinâmicas importantes) e, tudo isso, sem ultrapassar o limite do teto de gastos. Ou seja, um malabarismo para ter o melhor monoposto e o melhor motor sem esbanjar 'rios' de dinheiro - um fator altamente limitante. 

Por mais que as equipes trabalhem dentro da fábrica com times separados para cada um dos 'setores', fazer com que essa combinação (carro + motor) nasça perfeita é uma missão muito mais do que complicada, principalmente para esquadrões como Audi e Red Bull, que estão assumindo o papel de fabricante pela primeira vez. 

O engenheiro chefe do time de Milton Keynes, Paul Monaghan, descreveu como "imenso e abundante" a tarefa de criar uma unidade de potência completamente do zero: Duas palavras muito simples para resumir tudo isso."

"Fazer um carro dar voltas de forma confiável em um ambiente de simulação está se mostrando bastante difícil, mas de alguma forma estaremos prontos para Barcelona. Assim como todo mundo. O quão prontos estaremos, veremos lá. 2026 é uma montanha enorme a ser escalada, mas é uma montanha que todos nós teremos de enfrentar."

"Se chegarmos ao topo primeiro ou se chegarmos ao topo e outros já estiverem lá, isso faz parte do esporte, não é? O resultado não é determinado. É um resultado desconhecido e achamos que podemos ser competitivos. Acho que teremos um bom carro, um bom motor. Temos pilotos incríveis, então vamos ver como as coisas se desenrolam."

 

É de comum entendimento que para as equipes, neste momento, os testes de pré-temporada e até mesmo as primeiras corridas do ano serão utilizadas para verificar o nível de confiabilidade do motor e, automaticamente, terminar a corrida sem quebra. Os resultados serão consequência. 

Para os esquadrões que distribuem os motores a seus clientes, a responsabilidade dobra. Mercedes e Ferrari repassam suas unidades de potência para as outras equipes que, por serem 'compradoras', podem focar, quase exclusivamente, na construção do carro. Uma certa pressão gira em torno dessas duas. Até porque um motor ruim não afeita somente a elas, mas toda a cadeia de equipes que são beneficiadas. 

Williams, Haas, McLaren e Cadillac, na teoria, têm um problema a menos, mas  por outro lado acabam ficando incapazes de fazer alterações de forma tão profunda nos motores por não serem as responsáveis diretas por ele.

Mas, Mercedes e Ferrari acabam saindo à frente das rivais por terem um vasto conhecimento à respeito da construção de unidades de potência. A Aston Martin, nesta frente, também não fica de mãos tão atadas, uma vez que a Honda está muito mais do que acostumada a construir motores - e motores vencedores de campeonato.  

Laurent Mekies, chefe de equipe da Red Bull, destacou a briga diante dos esquadrões que já têm noção do 'dragão' que estão enfrentando: "Já dissemos isso muitas vezes: a decisão de fazer a própria unidade de potência, neste caso para nós com o apoio da Ford, é a decisão mais maluca que alguém pode tomar. Provavelmente foi uma escolha que só a Red Bull poderia fazer."

"Começamos do zero nesse campo, agora temos um prédio, temos os dinamômetros, temos 600 pessoas, e vamos tentar lutar contra gente que faz isso há 90 anos."

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