ANÁLISE F1: O que ausência nos testes de Barcelona significa para 2026 da Williams
Não conseguir preparar o FW48 para o shakedown é um tanto quanto vergonhoso, mas pode não ser crítico, dadas as circunstâncias incomuns da nova configuração regulatória
Alex Albon, Williams, Carlos Sainz, Williams
Foto de: Erik Junius
No início desta semana, começaram a circular rumores de que a Williams estava atrasada no seu programa de construção do FW48, a ponto de ele poder não estar pronto para rodar durante os cinco dias oficiais de shakedown da Fórmula 1 em Barcelona.
A equipe tentou se antecipar nesta sexta-feira, confirmando que esse seria realmente o caso: não só não estará presente no primeiro dia de testes, como a McLaren, como não viajará para Barcelona.
Mas, embora isso seja vergonhoso para uma equipe que investiu tanto esforço para deixar o passado para trás (em 2025, a Williams fez questão de ser a primeira não apenas a mostrar seu carro, mas também a colocá-lo na pista), o atraso pode não definir sua temporada.
É sabido que a Williams chegou atrasada para o teste de abertura de 2019 e perdeu os dois primeiros dias de corrida, apenas para a FIA declarar vários elementos da aerodinâmica do FW42 ilegais. Redesenhar essas áreas custou à equipe, que já estava com problemas financeiros nos dias difíceis de propriedade familiar. O carro, lamentavelmente lento de qualquer maneira, começou a temporada ainda mais atrás na curva de desenvolvimento.
Mais recentemente, em 2024, no início da gerência do atual chefe de equipe, James Vowles, o FW46 chegou atrasado e com excesso de peso, como consequência de grandes reformulações no processo de design e construção. A modernização de sistemas - Vowles revelou que ficou alarmado ao descobrir, pouco tempo após sua chegada, que tudo era gerenciado por uma gigantesca planilha do Excel — causou atrasos que se acumularam. Para encurtar a etapa de análise de tensões na fase de projeto, a equipe recorreu à colagem de metal em vários componentes de material composto.
Isso fez com que o carro ficasse pronto para o início da temporada, mas, novamente, acabou consumindo capacidade de desenvolvimento mais adiante, já que áreas já existentes do carro tiveram de passar novamente por ciclos de análise estrutural para identificar onde o peso poderia ser reduzido.
As razões específicas para a Williams desistir de sua participação em Barcelona são desconhecidas. Alguns meios de comunicação têm noticiado que o FW48 falhou no teste de colisão, mas acredita-se que isso seja especulação disfarçada de fato. Seria muito incomum submeter monocoques a testes de colisão tão tarde, já que esta é a primeira seção do carro a ser definida.
De fato, sabe-se que a Ferrari, a Audi e a Mercedes, para citar apenas três, submeteram com sucesso seus carros de 2026 ao processo de testes de colisão no início de dezembro. O monocoque é um item com longo prazo de entrega, portanto, o teste de resistência a colisões não é deixado para última hora.
Então, o que a Williams perderá ao se ausentar dos três dias de testes em Barcelona? A sessão da próxima semana está sendo oficialmente referida pela F1 e pela FIA como um shakedown em vez de um teste e será realizado a portas fechadas. As equipes só podem correr em três dos cinco dias e a McLaren já optou por começar no segundo dia. Outras equipes podem seguir o exemplo.
Entende-se que a sessão de Barcelona foi concebida pelas partes interessadas como uma oportunidade para testar as várias novas tecnologias na pista pela primeira vez, dando assim às equipes e à FIA a oportunidade de corrigir quaisquer problemas que possam surgir. Os componentes aerodinâmicos ativos, por exemplo, exigem mais tempo em pista do que o que poderia ser realizado em um shakedown comum para avaliar a resiliência de seus sistemas mecânicos em condições operacionais.
Portanto, a maioria das equipes viu Barcelona como uma oportunidade de acumular quilometragem, antes de mudar o foco para o desempenho. A maneira como elas fazem isso, naturalmente, difere: algumas podem entrar na pista no Bahrein com peças de desenvolvimento nunca antes vistas, outras podem esperar até a abertura da temporada em Melbourne.
Outras ainda podem adiar as atualizações até que a primeira rodada de corridas fora da Europa tenha passado, em parte porque o transporte de peças agora se enquadra no teto de gastos, mas principalmente porque querem aprender mais sobre o desempenho de seus novos carros antes de gastar esforços e recursos em componentes de desenvolvimento. A McLaren confirmou que esta é a política que pretende seguir: “Acho que é melhor entendermos nossa plataforma antes de nos empolgarmos em redesenhá-la antes mesmo de ela rodar...”, disse o chefe de design do time de Woking, Rob Marshall.
Por esses motivos, perder os três primeiros dias de pista pode não ser um revés tão grande para a Williams como seria em anos anteriores. Qualquer pessoa que tenha assistido a um teste de F1 em Barcelona em janeiro está bem familiarizada com os desafios de obter qualquer desempenho nessas condições: a pista geralmente está muito fria e úmida para que os carros se arrisquem a sair antes das 10h. Se você esperava que os carros rodassem do amanhecer ao anoitecer todos os dias, estaria muito enganado.
O custo real para a Williams é que qualquer trabalho de shakedown que precise ser feito consumirá tempo no Bahrein, onde ela gostaria de realizar testes de desempenho. E isso não pode ser substituído por simulação.
Mas, a menos que o carro apresente problemas fundamentais que precisam ser corrigidos rapidamente, a desvantagem de perder tempo em Barcelona é mitigada pelas muitas incógnitas apresentadas pelas novas regulamentações. Especialmente se os rivais estiverem esperando para ver como serão as primeiras corridas antes de definir seus planos sobre onde concentrar os recursos de desenvolvimento.
E chegar atrasado nem sempre é garantia de fracasso. Em 1988, a McLaren trabalhou arduamente nos testes de inverno com um carro mula lento, uma fusão tardia e pouco cooperativa do chassi de 1987 e do novo motor turbo Honda, antes que o MP4/4 chegasse ao teste final de pré-temporada em Ímola. Isso não acabou tão mal, não é mesmo?
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