ANÁLISE F1: Por que suspensão push-rod é 'tendência' nos carros de 2026?
Com mudança de regulamento e a introdução da aerodinâmica ativa, o sistema 'conservador' passa a ser a escolha de grande maioria das equipes
Foto de: Formel 1-X
Mudanças de regulamento na Fórmula 1 mexem em diversas áreas substanciais do carro. Para 2026, o uso da aerodinâmica ativa gerou uma alteração na escolha das equipes pela suspensão que será utilizada nesta temporada.
Até 2025, o sistema pull-rod era a preferência entre os dez esquadrões. Contudo, após a introdução das novas regras técnicas, foi possível perceber durante o shakedown em Barcelona que oito dos 11 times foram pelo caminho do push-rod.
Optaram pelo sistema push-rod: McLaren, Mercedes, Red Bull, Ferrari, Racing Bulls, Aston Martin, Haas e Audi. Williams, Alpine e Cadillac foram pelo lado contrário escolhendo o pull-rod.
Push-rod
No sistema push-rod, escolhido pela grande maioria das equipes, o tirante (haste rígida e muito resistente) liga a região superior do chassi ao conjunto da roda (upright), normalmente próximo ao braço inferior da suspensão.
Quando a roda passar por um solavanco, ela empurra o tirante, que por sua vez aciona os braços internos e o conjunto de molas/amortecedores instalados mais alto no chassi.
Quais são as vantagens:
- Melhor acessibilidade - os componentes ficam posicionados mais altos e são mais fáceis de alcançar para ajustes e reparos
- Mais simples de projetar e ajustar - janela de acerto maior
- Custo e complexidade menores
E as desvantagens:
- Centro de gravidade mais alto - suspensões e componentes internos mais altos deslocam massa para cima, o que pode prejudicar a estabilidade e o controle da transferência de carga
- Possível interferência no fluxo de ar - os tirantes e os braços podem 'bloquear' parte do ar que vai para o assoalho ou radiadores
Pull-rod
No sistema pull-rod, o tirante (haste rígida e muito resistente) liga a parte inferior do chassi à parte superior da roda. Assim, quando a roda é comprimida, ela puxa o tirante, que aciona o conjunto interno montado mais abaixo na estrutura.
Quais são as vantagens:
- Centro de gravidade mais baixo - melhor estabilidade e balanço do carro
- Fluxo de ar mais limpo
- Potencial aerodinâmico maior - menos obstrução do bico/assoalho
E as desvantagens:
- Mais difícil de acessar e ajustar - com as peças mais baixas e apertadas na carroceria, dificulta operações rápidas
- Design e execução mais exigentes - maior risco de erros ou inconsistências devido à geometria e soldagens precisas
- Menor flexibilidade de setup - pode ser menos tolerante a variações de pista/clima
Conclusão
Com o regulamento de 2026, os carros passam a depender menos do efeito solo, por isso, “a suspensão deixa de ser primariamente uma ferramenta aerodinâmica e passa a ter peso maior no controle mecânico da plataforma. Para 'sustentar' as mudanças (como asa dianteira móvel e asa traseira com modos distintos) é preciso uma suspensão que reaja de forma linear e previsível e que te possibilite uma maior janela de mudanças.
Ou seja, como os ganhos aerodinâmicos foram reduzidos em relação ao pull-rod e surgiu a necessidade de uma maior previsibilidade, flexibilidade de setup e controle mecânico, as equipes optaram pela solução mais simples (visando a interação suspensão, aerodinâmica ativa e plataforma mecânica).
MAX WILSON DETONA REGRAS de '26, fala a REAL sobre HAMILTON, BORTOLETO e VERSTAPPEN e avalia equipes
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