ANÁLISE: Por que Ferrari é contra mudanças nos procedimentos de largada na F1
Entenda onde está vantagem da equipe italiana, e por que ela acredita que as reclamações dos rivais são apenas passageiras
Mynt
Bitcoin e criptomoedas? Invista na Mynt.com.br, a plataforma cripto do BTG Pactual
Após chamar a atenção do público e do paddock na pré-temporada do Bahrein, os procedimentos de largada na Fórmula 1 2026 entraram no centro do debate, levando a mudanças já para o GP da Austrália. Porém, as normais atuais não deixaram todas as equipes satisfeitas, com algumas buscando novas alterações ao regulamento.
A exclusão do MGU-H das regras da unidade de potência deste ano retirou uma das principais ferramentas de que os modernos motores turboalimentados precisavam nas largadas. Sem a capacidade de ativar automaticamente o turbo, os pilotos precisam usar o próprio motor de combustão interna para acionar a turbina, a fim de desenvolver o torque necessário para uma largada limpa.
Outras mudanças foram propostas, mas a FIA precisa que as equipes formem uma maioria qualificada para que quaisquer novos procedimentos sejam consagrados no regulamento. A Ferrari, que havia previsto que as largadas poderiam ser um problema logo no início do desenvolvimento de seu motor, não está disposta a ceder em sua posição.
A suposição é que a Ferrari produziu um turbo menor para compensar isso. Embora isso acarrete uma perda na potência máxima total em comparação com um turbo maior, uma unidade menor fornece mais potência em um ponto mais precoce da faixa de rotação. Além disso, e este é o ponto crucial: uma turbina com menos massa, portanto, requer menos tempo para girar na velocidade necessária.
A Ferrari tem mantido o posicionamento de que todas as fabricantes sabiam desde o início que os procedimentos de largada seriam mais difíceis, mas ignoraram isso em vez de tentar projetar seus sistemas de propulsão levando isso em conta. Assim, a equipe criou uma vantagem nas largadas — algo que não está disposta a abrir mão.
Após largadas lentas na corrida de sprint da China por Kimi Antonelli e Max Verstappen, a questão sobre as largadas — e os supostos problemas de segurança em torno delas — voltou à tona. Naturalmente, ambos os pilotos da Ferrari descartaram isso.
“É um pouco mais complicado estar na janela ideal para a largada com este motor, mas acho que, com o passar do tempo, mais equipes encontrarão soluções”, refletiu Charles Leclerc quando questionado sobre a largada.
Charles Leclerc, Ferrari, Lewis Hamilton, Ferrari
Foto: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images
“Acho que estamos no lado bom das coisas por enquanto, mas tenho certeza de que todos vão nos alcançar e, como eu disse, acho que quando as outras fabricantes conseguirem uma boa largada e estiverem na janela ideal, não acho que haja tanta diferença entre os carros. Não espero que isso seja um problema por muito tempo".
Lewis Hamilton concordou em geral, reforçando o argumento da Ferrari de que havia previsto o que iria acontecer em 2026. “Acho que é mais emocionante; quando todos saímos exatamente da mesma forma, é chato. Não acho que seja perigoso. Há algumas pessoas que, ao desenvolver um motor, tomaram certas decisões para obter potência. Nós tomamos essas decisões específicas, ou nossa equipe tomou, para garantir que tivéssemos boas largadas".
"Mas o George teve uma largada tão boa quanto a minha, então acho que isso vai acabar passando e ficando parecido".
Com a Ferrari relutante em mudar de posição, as reclamações podem de fato diminuir – a única maneira de a FIA conseguir uma mudança com os atuais blocos de voto seria por motivos de segurança.
A diferença de velocidade foi menos acentuada na corrida sprint da China em comparação com o quase acidente da Austrália, onde Franco Colapinto teve que fazer uma manobra evasiva brusca para passar por Liam Lawson, que havia ficado parado no grid. Antonelli e Verstappen foram, em grande parte, apenas lentos na largada, uma situação bastante comum na F1.
Se as largadas mais lentas são o principal problema, em vez de carros praticamente parados, então é provável que a Ferrari consiga o que deseja. George Russell, que teve uma saída melhor em comparação com a de uma semana atrás, também não achou que isso fosse atualmente uma questão de segurança.
“Acho que, em relação aos problemas de Melbourne, pelo menos do meu lado, encontramos soluções alternativas”, disse ele. “É como na volta de apresentação: você faz todas essas mudanças de marcha e estilos de pilotagem diferentes, e isso é desnecessariamente complicado. No entanto, as largadas ainda são desafiadoras".
"Quero dizer, no ano passado, Xangai teve a segunda largada com mais aderência na temporada e ainda assim você vê muita gente com dificuldades. Quando chegamos a outros lugares onde a aderência é menor, acho que ainda vamos ver carros girando os pneus e tendo dificuldade para sair do grid. Mas não acho necessariamente que isso se deva a questões de segurança. Existe uma solução muito simples e, para ser sincero, acho que isso é apenas a natureza desses carros e pneus".
Ultrapassagens "ARTIFICIAIS" vão ditar NOVA F1? Pilotos na BRONCA e fãs SATISFEITOS? | FELIPE MOTTA
Ouça versão áudio do PODCAST MOTORSPORT:
ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:
Faça parte do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e se junte a nós no aplicativo!
Compartilhe ou salve este artigo
Inscreva-se e acesse Motorsport.com com seu ad-blocker.
Da Fórmula 1 ao MotoGP relatamos diretamente do paddock porque amamos nosso esporte, assim como você. A fim de continuar entregando nosso jornalismo especializado, nosso site usa publicidade. Ainda assim, queremos dar a você a oportunidade de desfrutar de um site sem anúncios, e continuar usando seu bloqueador de anúncios.
Principais comentários