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ANÁLISE: Sem renovação, opção para Bottas pode ser aposentadoria da F1

Finlandês vive momento difícil na carreira. Ciente de que seu papel na Mercedes está em jogo, ele pode pensar em deixar F1, antes de buscar alternativas em equipes da parte inferior do grid

Valtteri Bottas, Mercedes

Alguns chamam de "sincronização", outros o momento em que "as portas se fecham", mas tudo se refere à cadeia de situações e oportunidades que mudam as carreiras de muitos atletas, e em particular dos pilotos de Fórmula 1, forçados a se mover em contextos muito limitados para as suas oportunidades futuras.

Um exemplo muito claro a esse respeito é o de Valtteri Bottas, anunciado como piloto da Mercedes em 16 de janeiro de 2017, após a surpreendente aposentadoria de Nico Rosberg.

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Um golpe de sorte, pois a despedida de Rosberg veio apesar de lhe faltarem dois anos de contrato (que expirou em 2018), um acordo que o alemão completou teria atrasado muito uma eventual chegada de Bottas à Mercedes.

Ao final de 2018, Valtteri já havia acumulado 41 GPs ao lado de Lewis Hamilton, com saldo de três vitórias, 13 segundos lugares e cinco terceiros lugares, além de seis poles. Até o momento, os números aumentaram para nove vitórias, 17 poles e 59 pódios no geral.

Em todas as temporadas na Mercedes, Bottas conviveu com a ansiedade ligada à renovação do seu contrato, situação que nunca se resolveu antes do verão, mas sempre com um resultado positivo, há quatro anos consecutivos.

Agora, no entanto, ele parece estar no fim da linha, com a sombra de George Russell (testado como companheiro de equipe de Bottas em Sakhir no ano passado) como o primeiro candidato a substituí-lo, uma opção que cresce à medida que o desempenho do finlandês declina.

As histórias têm um começo e um fim, e Bottas sabe disso bem, mas o finlandês corre o risco de pagar um preço alto por ter acreditado, há doze meses, que poderia finalmente deixar sua marca vencendo Hamilton. Em 2020, o mercado de pilotos teve um amplo alcance com um realinhamento de assentos de primeira linha, com muitos pilotos aproveitando oportunidades para iniciar novas fases em suas carreiras. Como de costume, os contratos assinados são de dois anos, então este ano muitas portas estão fechadas.

Doze meses atrás Bottas tinha mercado, se em 2020 tivesse decidido deixar a Mercedes poderia ter lançado as bases para uma nova etapa em sua carreira, garantindo um contrato de dois anos (as opções da Renault e da McLaren eram concretas). Não teria sido fácil dizer adeus ao time campeão mundial, provavelmente não seria para ninguém, mas uma leitura profunda da evolução do mercado deveria ter colocado sobre a mesa os riscos dessa escolha: é fazer ou morrer. No primeiro caso, Bottas poderia esperar uma grande temporada na Mercedes, o que até agora não foi visto, no segundo, temer a perspectiva que começa a se delinear, ou seja, o risco de ter que dizer adeus à Fórmula 1.

Não era uma teoria selvagem especular que a Mercedes poderia abrir as portas da equipe para George Russell, e estava bastante claro que, nesse caso, as alternativas de Bottas para continuar na F1 seriam poucas.

A menos que haja uma virada dramática (e poderia ter sido levando em consideração as condições de mercado), as opções do finlandês para continuar em 2022 seriam ir para Williams ou, no melhor dos casos, esperar por uma ligação da Alfa Romeo; uma perspectiva empolgante para um jovem piloto, mas certamente não para alguém que vem de uma equipe campeã mundial. A oportunidade da Aston Martin poderia ter se tornado realidade se Sebastian Vettel saísse, mas agora a situação parece diferente.

Então, o que o Bottas fará? Ele espera conseguir sua quinta renovação na Mercedes, mas há muitos no paddock que dizem que Wolff enviou algumas mensagens muito claras para o futuro, e não são cartas tranquilizadoras para o finlandês. Faz sentido para Valtteri pensar em mudar para um time que raramente marca pontos? Todos apostam no novo regulamento de 2022, é verdade, mas será que podemos mesmo presumir que uma equipe ‘cliente’ pode chegar em uma equipa oficial?

Aos 31 anos, Bottas corre o risco de se encontrar numa posição coadjuvante ou fora do paddock, perspectivas não exatamente atraentes. Ele poderia seguir o exemplo de Kimi Raikkonen e focar nos ralis, esperando melhores resultados do que Iceman, ou permanecer ligado à pista mas em outros contextos, ou aceitar voltar para onde estreou, naquela Williams que o catapultou entre 2013 e 2016. Às vezes o esporte oferece histórias de resgate, mas não será fácil para Bottas deixar o paddock de Abu Dhabi no dia 12 de dezembro. Se tudo correr como parece, ele irá se sentir como se tivesse a melhor oportunidade da sua carreira.

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