Análise Técnica: Ferrari foca na eficiência em vez da carga aerodinâmica na F1 2026
Enquanto Mercedes e Red Bull trabalham mais em torno da busca por downforce, Ferrari e McLaren focam na eficiência do carro
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O SF-26 da Ferrari chamou a atenção pelo melhor tempo da pré-temporada da Fórmula 1 no Bahrein, nas mãos de Charles Leclerc, além de algumas soluções aerodinâmicas impressionantes. Mas houve um trabalho de desenvolvimento muito aprofundado que envolveu aspectos pouco notados do carro, mas que contribuem para aumentar o desempenho e melhorar o comportamento dos pneus.
O tempo de Leclerc ficou a apenas 2s151 da pole position do GP do Bahrein do ano passado, quando o regulamento anterior estava no auge de seu desenvolvimento. A Ferrari aproveitou o composto C4 para impulsionar o monegasco para além do 01min32s, mas tudo indica que ele teria sido o mais rápido mesmo com um C3, tendo feito tempos melhores que o 01min32s655 de Norris com o pneu médio da gama.
Vamos começar a análise pelas performances, com consciência de que o cronômetro não deve ser visto como única referência, para evitar possíveis decepções em Melbourne, já que é opinião comum que a Mercedes, mas não só ela, escondeu muito em Sakhir.
Charles Leclerc, Ferrari
Foto de: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images
Sem nos deixarmos levar por elogios fáceis, acreditamos que seja melhor concentrar a análise na consistência: o SF-26, bastante instável em certas curvas, encontrou uma melhor dirigibilidade que permitiu, em particular, a Leclerc guiar sem muitas correções, sinal de que o trabalho de configuração realizado ao longo dos três dias está indo na direção certa para a proteção dos pneus .
O monoposto parece ter se beneficiado de um aumento na carga aerodinâmica, resultado das novidades introduzidas nesta semana, mas sem que a resistência tenha aumentado. Mercedes e Red Bull buscam o downforce, enquanto Ferrari e McLaren parecem orientadas para a eficiência. Duas filosofias muito diferentes e será interessante descobrir qual será a vencedora.
Lewis Hamilton, Ferrari SF-26 com asa traseira em forma de “paraquedas”
Foto de: AG Photo
Deixemos de lado a atenção da mídia gerada pela asa traseira 180 graus, uma experiência muito interessante que permite fazer os flaps móveis se mexerem mais do que o normal, aumentando a resistência na primeira fase da frenagem. Essa solução foi vista com Lewis Hamilton na quinta-feira por apenas cinco voltas e, provavelmente, será vista mais adiante, mas, por enquanto, é mais uma ideia.
Ferrari SF-26: eis o FTM, o flap montado na frente do escapamento
Foto de: AG Photo
Decididamente mais consistente é o Flick Tail Module, FTM para os conheciudos, ou seja, o flap que apareceu na frente do escapamento.
Trata-se de uma solução que se associa ao prolongamento do difusor na pequena área concedida pelas regras nas laterais da estrutura de deformação traseira. Os aerodinâmicos Diego Tondi e Franck Sanchez, construíram um “castelo” muito interessante que aumenta o downforce e não compromete, em termos de arrasto.
A solução é difícil de copiar porque se enquadra nos limites de uma área regulamentar e teve de ser pensada ainda na fase de projeto, ajudará a melhorar a extração do fluxo do extrator e aumentará a eficiência do perfil principal da asa traseira.
Ferrari SF-26, dettaglio del tirante che lega i deviatori di flusso
Foto di: AG Photo
Ferrari SF-26, dettaglio del canalizzatore di flusso all'ingresso del fondo
Foto di: AG Photo
Não passou despercebido o desviador de fluxo que liga os cinco elementos verticais inclinados que se encontram na borda de entrada da traseira. As equipes estão dedicando muita atenção a essa área, porque é possível buscar pontos de carga sem comprometer a velocidade máxima ou desperdiçar energia.
Nessa área, a área que sustenta o bargeboard foi redesenhada e a fixação do tirante foi deslocada para reduzir vibrações incômodas e melhorar o efeito aerodinâmico mínimo.
Charles Leclerc, Ferrari
Foto di: Mark Sutton / Formula 1 via Getty Images
Isack Hadjar, Red Bull Racing
Foto di: Mark Sutton / Formula 1 via Getty Images
Oscar Piastri, McLaren
Foto di: Sam Bloxham / LAT Images via Getty Images
O SF-26 surpreendeu na segunda semana no Bahrein pela eficiência de seu sistema de refrigeração: com o aumento das temperaturas ambiente (até 27 graus no ar e 44 graus no asfalto), o carro impressionou por ser um dos monopostos mais fechados.
Vimos duas pequenas aberturas nas laterais da fixação do halo, enquanto a abertura na parte traseira do capô do motor era muito discreta, comprovando a escolha acertada do motor 067/7 com cabeça de aço, que permite uma troca térmica mais fácil em favor de uma redução da massa radiante.
Não se prestou muita atenção à parte inferior ligeiramente mais cavada: há uma evolução contínua que não para, de acordo com a vontade do diretor técnico, Loic Serra, que quer uma Ferrari que nunca seja igual a si mesma...
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