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Entrevista

Após “desleixo”, Galvão cobra melhor trabalho da CBA

Narrador falou sobre a postura da direção da Confederação, além de ter opinado sobre os novos donos da F1 e a privatização do Autódromo de Interlagos

Galvão de férias

A Fórmula 1 voltará no dia 25 de março, com o GP da Austrália, em Melbourne. Uma das grandes novidades será a introdução do halo, dispositivo de segurança para a cabeça dos pilotos. Mas outra novidade afeta o Brasil na categoria. Depois de mais de quatro décadas, o Brasil não terá pilotos no grid.

Descrevendo todas as emoções do esporte desde o final dos anos 1970, Galvão Bueno comentou o fato de ter que cobrir a categoria sem a presença de pilotos brasileiros, assim que as luzes vermelhas se apagarem na Austrália.

“A F1 sempre será o máximo do automobilismo mundial, será o auge, o lugar em que todos querem chegar e onde se tem as maiores emoções”, disse Galvão em entrevista exclusiva ao Motorsport.com Brasil. “Eu lamento muito, porque não é o fato de não ter um piloto brasileiro depois de muitas décadas, é o porquê isso aconteceu.”

“É o desleixo em que o automobilismo brasileiro foi tratado pelas diversas e subsequentes gestões da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). Temos um projeto francês, liderado pela Confederação Francesa, nós temos um projeto alemão, temos um projeto da Ferrari, temos um projeto da Red Bull e no Brasil não temos nada. A CBA sequer promove, ela só chancela os campeonatos.”

“Eu fico sempre esperando o atual presidente, (Waldner Bernardo de Oliveira). Encontrei com ele em uma cerimônia da Copa Truck em que me prestaram uma homenagem e eu cobrei isso, ao usar o microfone e ele me prometeu que iria fazer alguma coisa, disse que ia me procurar e estou esperando desde o ano passado.”

“É bom não termos um brasileiro na F1? Não é bom. Qual é a perspectiva imediata de se ter um brasileiro? Nenhuma. Por que? Aí é a questão que me deixa muito mais triste, não irá interferir na narração, lógico.”

E Galvão acrescentou: “A F1 continua sendo um grande produto, nós vamos continuar fazendo com a maior vontade, a Globo vai mostrar as corridas, eu estarei com o Reginaldo (Leme) na maioria delas e com o (Luciano) Burti. É o que a gente gosta é o que a gente tem paixão, são milhões de brasileiros que assistem e continua sendo um espetáculo de primeiríssima linha.”

Showbusiness

Há pouco mais de um ano a Fórmula 1 tem nova direção, após a aquisição do Grupo Liberty Media. Com novos donos, já se nota uma série de mudanças no marketing da categoria. Acompanhando as corridas desde 1974, Galvão deu seu parecer sobre o novo ambiente da F1 e relembrou o “amigo” Bernie Ecclestone.

“Eu vejo com uma cara mais americana, aquela coisa do showbusiness. Estou na F1 desde 1974, conheci o Bernie Ecclestone quando ele era dono de equipe. Eu tenho uma amizade e um carinho muito grande pelo Bernie Ecclestone.”

“Hoje está tendo um negócio bacana, o DJ tocando depois da bandeirada, aquela coisa de poder comemorar com o Hamilton correndo pela pista, um pouco mais de liberdade, então esse é um lado legal, agora vamos esperar, o tempo é que vai dizer.”

Privatização de Interlagos

Outro assunto que envolve diretamente o futuro do automobilismo brasileiro é a privatização do autódromo de Interlagos. Mas se enganou aquele que acreditou que o narrador da Globo quisesse expor alguma posição sobre o negócio proposto pela Prefeitura de São Paulo.

“Não tenho uma posição. Esta é uma questão política, nós estamos vivendo um momento político efervescente no país, não seria essa a minha função. Eu emito conceitos esportivos e eu não falo sobre isso.”

 

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