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Barrichello dispara: "comparar Brasil ao Bahrein é horrendo"

Em entrevista ao TotalRace, brasileiro acredita que pilotos pouco poderiam interferir na decisão de seguir adiante com GP

Rubens Barrichello

Para muitos um grave erro. Para outros uma decisão correta. A realização do Grande Prêmio do Bahrein dividiu opiniões amparadas nos mais diversos argumentos. Martin Whitmarsh, chefe da McLaren, manifestou-se favorável à corrida ao dizer que a F-1 visita outros lugares perigosos, como o Brasil.

Rubens Barrichello, que no ano passado era o presidente da GPDA (Associação dos Pilotos da Fórmula 1), não gostou das palavras do dirigente inglês. Em entrevista ao TotalRace, o brasileiro acredita que a declaração reflete uma desinformação sobre a realidade do Brasil. "Achei horrendo terem comparado [momento do Bahrein] ao Brasil. Não tem nada a ver. Não existe nenhuma guerra. Isso é da Europa de ter colocado aqueles programas de gente surfando em trem e aí as pessoas têm uma visão totalmente errada."

O saldo de toda a novela do Bahrein é que os pilotos formam uma classe desunida, frágil e pouco consciente. A conclusão, mencionada por jornalistas que respiram a F-1 de perto, foi feita após a pouca participação, ao menos pública, no episódio. Estrelas do evento, os 24 personagens que alinham na categoria mais rica do automobilismo mundial eram contrários à realização da corrida. Além de não interferirem na decisão, pouco falaram.

Rubens Barrichello, como ex-presidente da Associação que os une, garante que o grupo é coeso. "O grupo que eu deixei na F-1 é muito unido. Tinha algumas coisas de um não gostar de fazer parte da GPDA, coisa que acontece, mas eles são muito unidos. Mas fazer uma reunião onde todos concordem com a mesma coisa é impossível no dia-a-dia do mundo."

O piloto da F-Indy acrescenta que pouco poderia ser feito pelos pilotos. "Aqueles que são campeões e aqueles que já têm resultados expressivos têm uma voz ativa e conseguem decidir por eles mesmos. Mas aqueles que tiveram a chance da vida vão chegar para a equipe e falar que não vão correr? Isso é muito difícil. É muito complicado conseguir unanimidade por isso. Mas muitas decisões na época que eu estava como presidente da GPDA foram tomadas e levadas adiante."

Após o GP da Malásia, quando Felipe Massa recebeu inúmeras críticas na Itália, o site da revista Autosprint realizou uma votação sobre quem deveria ser o companheiro de Fernando Alonso na Ferrari. Barrichello venceu com folga.

"Me senti lisonjeado de ter recebido os votos. Mas aquilo foi o reflexo da opinião de torcedores e não de jornalistas ou integrantes de equipes da F-1. Isso mostra que deixei um carinho muito grande ali dentro da Itália, na Ferrari. Eu fiquei feliz por ter finalizado na ponta a enquete."

Amigo pessoal de Massa, Barrichello comenta como vê o momento do ferrarista. "O Felipe está sendo mais falado porque o carro não está competitivo. Com carro não competitivo você larga atrás e tudo pode acontecer. Na Malásia, por exemplo, os dois largaram meio pertinho [Alonso foi o 8º e Massa o 12º], e de repente o Alonso conseguiu numa escolha certa ir para frente e o Massa foi para trás. Quando você tem um carro ruim na mão, e precisa despontar quando você já está em baixa é preciso manter a calma mesmo e fazer o seu trabalhinho.

"Na F-1 é difícil você fazer seu trabalho quieto. É um ambiente muito investigado, televisão, rádio, internet investiga muita coisa. O pouco que tenho falado com o Felipe ele está numa boa. Está trabalhando para melhorar aquilo que ele tem na mão", finalizou Barrichello.

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