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Berger: "As equipes não podem participar das decisões"

Em entrevista exclusiva ao Motorsport.com, Gerhard Berger afirma que o conflito de interesses das equipes atrapalham as decisões que podem mudar a Fórmula 1 para melhor

Gerhard Berger
Gerhard Berger
Gerhard Berger
Gerhard Berger

Grande referência da Fórmula 1, como ex-piloto, ex-diretor da BMW, acionista da Toro Rosso e comissário da FIA, Gerhard Berger, acredita que Bernie Ecclestone e Jean Todt teriam que ter mais autonomia para decidir quais as mudanças que a categoria necessita. Em entrevista exclusiva ao Motorsport.com, o austríaco fala sobre o papel das equipes no processo de tomada de decisão que poderiam mudar o esporte.

"Por mais respeito que tenho pelas equipes e o dinheiro que elas colocam, acredito que elas não deveriam participar das decisões que vão mudar a categoria", afirma Berger.

"Não são as escuderias que têm que decidir quais são as necessidades da Fórmula 1 ou como o espetáculo tem que ser. Elas simplesmente têm que cumprir os requisitos já determinados. Seria como nos velhos tempos e como deveria ser novamente."

Conflito de interesses

Berger não se surpreende, ao constatar que as medidas que a Fórmula 1 toma com o envolvimento das equipes não tragam os resultados esperados. Para ele, cada um tem interesses diferentes e vão sempre brigar para mantê-los.

"Eles têm ambientes diferentes, orçamentos diferentes e assim por diante, de modo que nunca terão a mesma visão", diz. "Muitas pessoas acham que as coisas têm que mudar e além disso, há muitos conflitos de interesses. Eu acho que a questão principal hoje em dia é justamente colocar em prática as ideias que surgem."

"Algumas vezes surgem ideias ótimas, outras vezes ideias não tão boas, naturalmente. Mas fazer acontecer é difícil, porque todo mundo está envolvido na tomada de decisão". E ele continua: "É a FOM, é a FIA, e sempre os times juntos. No fim do dia, pouquíssimas decisões são tomadas."

As mudanças para 2017

O grupo de estratégia da Fórmula 1 anunciou que uma série de mudanças para 2017 estão sendo observadas. Apesar de que algumas ideias, como a volta do reabastecimento, podem não se tornar uma realidade, devido às dúvidas sobre os benefícios e a contribuição para as equipes. Mas Berger saúda o fato da discussão ter se chegado a esse ponto: "Não vejo problemas sobre a volta do reabastecimento, mas será que isso fará a diferença? Não, mas pelo menos é um passo", conclui. 

 

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