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Brawn: falta de diversidade na Fórmula 1 "começa na base"

Segundo Ross Brawn, a F1 tem um plano para lidar com a falta de diversidade racial e de gênero na categoria

Lewis Hamilton, Mercedes AMG F1, and Ross Brawn, Managing Director of Motorsports, FOM

Em meio à protestos contra a desigualdade racial após o morte de George Floyd, o mundo da F1, em especial Lewis Hamilton, tem se manifestado sobre o assunto, cobrando principalmente uma maior diversidade no esporte, algo que a Fórmula 1 diz estar buscando, e não apenas em termos raciais, mas de gênero também.

Em seu Instagram, Hamilton criticou seus companheiros de esporte pelo silêncio, e que ele se levantava sozinho nessa luta. A publicação levou diversos pilotos a se manifestar sobre o assunto, apoiando o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), levando até a própria F1 a divulgar um comunicado condenando o racismo.

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O diretor de automobilismo da F1, Ross Brawn, disse que os comentários de Hamilton sobre a falta de diversidade na F1 são "muito válidos", e que é algo que a categoria está trabalhando para resolver.

"Eu acho que nós, como F1, reconhecemos há alguns anos que precisamos melhorar nossa diversidade, e nosso programa de diversidade, não apenas interna como externamente, e começamos a trabalhar com isso há alguns anos", disse Branw à Sky Sports F1.

"Nosso pensamento estava voltado a entender a razão para não termos mais diversidade na Fórmula 1, e percebemos que o problema está na base. Começa lá nos níveis mais básicos, e passa até pela escola, em tópicos como ciências, tecnologia, engenharia e matemática".

"Nós estamos envolvidos com a Fórmula 1 nas Escolas. Nós ficamos mais envolvidos nos últimos dois anos. E vimos uma grande diversidade no número de crianças envolvidas. Por exemplo, 40% das crianças envolvidas com o programa são meninas, então é um bom começo".

Brawn revelou também que a F1 está trabalhando em um programa de kart para tentar tornar o esporte mais acessível, que pode ser uma ferramenta importante para a diversidade.

"Estamos buscando trabalhar para ajudar a base do automobilismo", disse Brawn. "Eu passei as últimas semanas e meses trabalhando com um grupo para entender como que podemos ter uma iniciativa básica de kart para criar o envolvimento das crianças com o esporte desde cedo".

"O fato é que a Fórmula 1 é uma meritocracia muito forte. Ela deve sempre ser assim, com o melhor sempre vencendo. Não podemos forçar algo diferente. Mas podemos dar mais oportunidades às minorias e grupos étnicos para se envolver com o automobilismo, e não apenas pilotando, mas também na engenharia e em outras áreas".

"Estamos ajudando com essas iniciativas. Claramente, como uma companhia, temos várias iniciativas de redução da diferença salarial entre homens e mulheres, além de outras questões, tentando fazer o máximo possível".

"Eu acredito que a Fórmula 1 está ajudando, e acho que vocês poderão ver em algumas dessas iniciativas de kart que estamos trabalhando para algo que seja uma grande oportunidade, e a Fórmula 1 irá continuar ajudando".

Hamilton fez diversos posts nos últimos dias sobre o movimento Black Lives Matter enquanto os protestos cresceram no Reino Unido. O piloto publicou no Instagram seu apoio à remoção da estátua do mercador de escravos Edward Colston em Bristol no final de semana.

"Se essas pessoas não tivessem removido essa estátua, honrando um mercador de escravos racistas, ela nunca teria sido removida", disse Hamilton no Instagram.

"Há conversas sobre mudá-la para um museu. Essa estátua deveria ficar no rio assim como as mais de 20 mil almas africanas que morreram na jornada para cá e foram jogadas no mar sem um enterro decente".

"Ele as roubou de suas famílias e países, e isso não deve ser celebrado. Deveria ser substituído por um memorial homenageando todos que ele vendeu e todos que perderam suas vidas".

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