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Entrevista

Dez anos após final de 2008, Glock lembra chateação por ter sido decisivo

Ex-piloto da Toyota lembra que se tivesse trocado pneus Massa jamais teria tido chance de ser campeão

Timo Glock, Toyota TF108

Com a Fórmula 1 exibindo pelas suas mídias sociais o GP do Brasil de 2008 no dia exato dos dez anos da prova (2 de novembro), Timo Glock mais uma vez voltou aos holofotes. O alemão, campeão da GP2 em 2007, fazia sua primeira temporada completa na Fórmula 1 naquele ano, e desempenhou um papel decisivo naquela que é considerada por muitos a final mais épica da história da F1.

Glock e sua equipe, a Toyota, decidiram não trocar pneus quando a chuva – que adiou o início da prova – retornou a Interlagos. Com isso, o piloto subiu para quarto lugar nas últimas voltas enquanto a chuva se intensificava.

Timo estava 15 segundos à frente da briga entre Sebastian Vettel (então na Toro Rosso) e Lewis Hamilton pelo quinto posto. No entanto, ele perdeu 18s no último giro, com Hamilon o ultrapassando na freada da Junção – última freada do campeonato - para se sagrar campeão por um ponto frente ao brasileiro Felipe Massa, que ganhou a prova.

Desde então, muitas teorias conspiratórias tomaram as mentes dos fãs. Teria Glock ficado mais lento de propósito para Hamilton passar? Ou foi realmente a chuva que se intensificou?

Presente no paddock da F1 para o GP do Brasil para comentar a prova pela TV alemã RTL, Glock falou com exclusividade ao Motorsport.com Brasil sobre aquela corrida.

“Não sabia de nada que estava acontecendo”, disse ele.

“Não tinha ideia que estava na posição de decidir ou de ser decisivo naquele campeonato. O que fizemos ali foi reabastecer o carro muito antes para o final da corrida. A nossa estratégia era clara: nós tínhamos que continuar na pista. Se não fosse assim, a estratégia não iria funcionar. Foi o que fizemos.”

“Ganhamos posições, subimos para quarto lugar em um ponto da corrida e no final a chuva chegou uma volta mais cedo do que deveria.”

Glock enalteceu que uma decisão de título como foi a de 2008 jamais poderia ter sido calculada.

“Não dá para escrever um script mais dramático para uma corrida final de campeonato mundial. Infelizmente não foi positivo para Felipe. Acho que o único cara feliz no paddock em 2008 era Lewis. Eu fiquei chateado quando reparei o que realmente aconteceu.”

“A reação depois da corrida foi insana e continua sendo até hoje. Até hoje muita gente pensa que eu ajudei a Mercedes, ou Lewis. Eu trabalhava para a Toyota, fiz o meu melhor para a Toyota e a nossa estratégia deu certo. Foi o que fizemos.”

“Eu estive nessa posição por azar, porque Jarno Trulli - meu companheiro de equipe - estava duas ou três posições atrás e ele fez o mesmo tempo de volta na última volta. Mas é assim que é. Todo ano é a mesma história. O que posso fazer?”

“Se nós tivéssemos trocado pneus como todo mundo, não haveria possibilidade de Felipe ser campeão. Não teríamos aquele drama no fim.”

Questionado se até hoje pessoas o acusam de ter ficado lento deliberadamente, Glock diz que o fato de a F1 ter entrado nas redes sociais com mais ênfase nos últimos anos o ajudou, já que sua última volta foi disponibilizada na rede há alguns anos.

“Muita gente ainda não entende porque eu estava naquela posição, e porque não pude me defender”, falou.

“Eu estava com pneus de pista seca na chuva. Mas tenho que dizer: quatro ou cinco anos atrás a Fórmula 1 lançou minha câmera onboard na internet e isso mostrou os problemas que eu tive na última volta.”

“Isso acalmou bem a situação. Mas ainda há gente que parece não entender aquela câmera onboard, mas eu não posso ajudar. É como é. Fazer o quê?”

Timo Glock,

Timo Glock,

Photo by: Jerry Andre / Sutton Images

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