Entenda por que Red Bull vê Verstappen como trunfo na nova era da F1
Grande capacidade de interpretar carro a mais de 300 km/h é exaltada por Ben Hodgkinson, diretor da Red Bull Powertrains
A transição da Fórmula 1 para unidades de potência com uma divisão de quase 50% entre energia elétrica e combustão interna convencional teve efeitos de longo alcance, não apenas no motor, mas também em todo o chassi.
Outra consequência é um enorme aumento na carga de trabalho do piloto, tanto antes quanto durante as corridas, porque maximizar o potencial das novas unidades de potência exigirá uma abordagem inteligente para a configuração mecânica, bem como mudanças na técnica de pilotagem a cada volta. Esta é uma das principais razões pelas quais tantos pilotos criticaram os novos regulamentos após avaliarem os primeiros modelos de simulador, que sugeriam que os carros ficariam sem energia elétrica mesmo em retas moderadamente longas.
Esses temores foram atenuados, mas o gerenciamento do sistema híbrido ainda exigirá adaptações. É por isso que a Red Bull tem demonstrado tanta confiança em relação à mudança: porque sabe que Max Verstappen tem a capacidade de supervisionar o gerenciamento de energia enquanto explora ao máximo o desempenho do carro para obter o melhor tempo de volta.
"É o que eu considero uma grande vantagem para nós", disse Helmut Marko, consultor de pilotos da Red Bull, na temporada passada. "O piloto precisa ser inteligente e esperto para usar a potência da bateria. E há um piloto que consegue ser rápido e pensar ao mesmo tempo. Isso deve ser uma vantagem."
Ben Hodgkinson, diretor da Red Bull Powertrains, aprofundou esse tema no lançamento da nova pintura do carro da equipe.
"O verdadeiro valor de Max neste regulamento será realmente percebido quando ele colocar as mãos no carro na pista", disse Hodgkinson a um grupo seleto de jornalistas, incluindo o Motorsport.com. "Obviamente, ele já esteve no simulador, então já deu sua opinião. Com esses regulamentos, a quantidade de potência obtida do ERS (sistema de recuperação de energia) representa uma parcela tão grande do desempenho da unidade de potência, e pode ser utilizada de diferentes maneiras estratégicas.
Isack Hadjar, Red Bull Racing, Max Verstappen, Red Bull Racing, Laurent Mekies, Red Bull Racing Team Principal
Photo by: Red Bull Content Pool
"Acho que o piloto terá muito mais trabalho pela frente, muitas escolhas a fazer e estratégias a serem implementadas."
Nos regulamentos anteriores, o ERS-H – que tinha a dupla função de recuperar energia do turbocompressor na forma de calor e usar parte dessa energia para girar o eixo do turbo e minimizar o atraso na resposta – contribuía significativamente para a capacidade do carro de gerar potência. Sua remoção da fórmula de 2026 eliminou um elemento difícil e caro de projetar, e era visto como um fator de desincentivo para novas montadoras.
Mas a remoção do ERS-H significa que mais potência precisa ser obtida do ERS-K, que recupera energia do eixo traseiro que, de outra forma, seria desperdiçada. A dispersão do calor durante a frenagem pode resultar em maior tempo de desaceleração e maior probabilidade de os pilotos utilizarem marchas mais baixas nas curvas, com efeitos subsequentes na estabilidade da traseira.
Outra consequência da mudança no regulamento das unidades de potência foi a adoção da aerodinâmica ativa para reduzir o arrasto nas retas. No entanto, o "Modo Reta", como é conhecido, traz consigo efeitos secundários que o piloto terá de gerenciar – não apenas em termos de instabilidade durante a transição para dentro e para fora do modo, mas também em detalhes como a temperatura dos pneus.
A quantidade de carga aerodinâmica a ser removida no Modo Reta será uma das principais decisões de configuração que os pilotos terão de tomar, e será diferente para cada pista.
Max Verstappen, Red Bull Racing RB20, Lando Norris, McLaren MCL38
Photo by: Red Bull Content Pool
Assim como todos os grandes campeões, Verstappen possui uma notável capacidade mental: pilotar o carro a 100% é praticamente um processo automático, liberando a capacidade de interpretar o que acontece ao seu redor, mesmo quando está controlando um eixo traseiro instável.
"Max nos dará uma vantagem, porque sua capacidade de processar informações enquanto está a 320 km/h é simplesmente de nível mundial", enfatizou Hodgkinson. "Estou ansioso para ver o que ele pode fazer com isso."
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