ANÁLISE F1: Após ter começado com o pé esquerdo, o que esperar da Williams em 2026?
Equipe tem trabalhando para se distanciar do seu passado conturbado, mas o atraso no cronograma indica que ainda há problemas a serem resolvidos
Não é segredo para ninguém que, na Fórmula 1, estatisticamente a Williams é uma das equipes mais bem-sucedidas de todos os tempos em termos de campeonatos conquistados, porém, a realidade recente do time de Grove é bem diferente, estando na parte inferior da tabela por mais de duas décadas e conseguindo evitar por pouco a falência.
A última vez que a Williams conquistou o campeonato de construtores e pilotos foi em 1997 e, desde 2004, a equipe não figura entre os protagonistas pela vitória de forma regular. Seu último triunfo em um GP aconteceu em 2012, em um emocionante caso isolado, quando Pastor Maldonado faturou a corrida da Espanha.
O fato do esquadrão depender de pilotos 'pagantes', em vez de contratar talentos, foi uma das características do seu declínio. Houve mais erros sob a propriedade do fundo de investimento Dorilton Capital, mas, desde a nomeação do ex-estrategista da Mercedes James Vowles, como chefe da equipe, o rumo tem sido em direção à melhora. O time fechou a temporada passada em quinto lugar na tabela, sua melhor colação desde 2007 (4º lugar).
Enquanto eles realizam o lançamento do carro para 2026 de forma bem discreta nesta quarta-feira - depois de ter perdido o shakedown da semana passada em Barcelona, vamos dar uma olhada nas perspectivas da equipe para a temporada que se aproxima.
Pintura da Williams em Barcelona
Foto: Williams
O que há de novo na Williams?
Em termos de pessoas na linha de frente, a Williams pode se gabar da continuidade em sua equipe técnica que vem amadurecendo após uma temporada de 'estreia' em 2023-24. O FW48 será o primeiro carro feito com o comando do ex-diretor técnico da Alpine, Matt Harman, desde sua promoção no ano passado. Contudo, o foco, na verdade, tem sido atualizar as instalações da fábrica para os padrões de desenvolvimento após anos de subinvestimento.
Durante uma visita à sede da equipe em Grove no início de janeiro, o Motorsport.com viu uma grande quantidade de máquinas novas, particularmente na área dedicada à prototipagem rápida. O esquadrão também vem reformulando seus sistemas de produção e controle de qualidade.
Qual é o maior desafio para a Williams?
Ter que cancelar sua presença nos testes em Barcelona foi, além de um constrangimento, um passo atrás para a equipe. No ano passado, ela fez questão de ser a primeira a entrar na pista, com o objetivo de mostrar uma ruptura definitiva com os problemas do passado recente.
O Motorsport.com Brasil apurou que, embora o chassi tenha passado nos testes de colisão obrigatórios, o bico não passou. Além disso, o carro também está bem pesado, conforme apurado. Em relação aos kgs, Vowles foi evasivo quando questionado à respeito.
O fato é que é extremamente difícil projetar um F1 moderno dentro do peso mínimo. Para 2026 ainda há um agravante: esse valor foi reduzido em 30kg, apesar da redução no tamanho do carro e das rodas serem mais estreitas.
Perder o shakedown em Barcelona atrasa o calendário - que, visivelmente, já está com defasagem. O esquadrão terá que gastar boa parte do seu tempo, anteriormente destinado a trabalhos visando melhorar o desempenho, realizando verificações operacionais básicas que os rivais já concluíram.
Obviamente, houve vários graus de sucesso nesse aspecto: enquanto os dois pilotos da Mercedes completaram todo o plano estipulado, fizeram simulações de corrida e deram muitas voltas, Audi e Cadillac enfrentaram mais dificuldades.
Carlos Sainz, Williams
Foto: Peter Fox / Getty Images
Qual é o maior trunfo?
Quando a era do motor híbrido foi introduzida pela primeira vez em 2014, a Williams teve um breve momento de brilho por usar a unidade de potência da Mercedes - de longe a mais competitiva na época. Essa vantagem, no entanto, desapareceu com a aproximação dos rivais.
Embora seja improvável que a 'Flecha de Prata' desfrute de uma vantagem dessa magnitude, informações do paddock sugerem que a unidade de potência do time de Brackley é muito forte. Em teoria, seu desempenho confiável no Circuito da Catalunha atenua algumas das desvantagens que a Williams enfrenta, tendo perdido esse tempo de pista. Porém, é preciso dizer que operar um motor em uma carro projetado em perfeita sintonia com chassi é uma questão bem diferente de operar como uma cliente.
O que o esquadrão de Grove certamente desfruta é de uma dupla de pilotos altamente competitiva. Carlos Sainz é inteligente, rápido e sabe o caminho para vencer corridas, enquanto Alex Albon tem mostrado níveis semelhantes de ritmo.
Qual é a meta para 2026?
A Williams sabe que está começando em desvantagem em relação a seus concorrentes. O que ela não precisa é que o atraso na conclusão do carro se agrave com a falta de rodagem durante os testes. Começar com o pé direito no Bahrein seria o cenário ideal a curto prazo. No futuro mais distante, estar na disputa por pontos de maneira regular para superar o quinto lugar da temporada passada.
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