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F1 - Bateria, pneus e mais: como a classificação será influenciada pelas mudanças de 2026

Novo regulamento não afetará apenas a construção dos carros e unidades de potência, na pista os reflexos da alteração também serão perceptíveis

Gabriel Bortoleto, Audi F1 Team

Foto de: Audi

O shakedown em Barcelona, promovido pela Fórmula 1, deu para os pilotos, além do primeiro contato com o novo carro, a oportunidade de ver e entender algumas mudanças proporcionadas pelo regulamento que entra em vigor neste ano. Um dos grandes destaques, definitivamente, será a classificação. 

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Por conta do novo 'formato' da unidade de potência, conservar bateria será extremamente necessário. Os pilotos terão que adotar uma abordagem diferente, indo contra o que era feito na temporada passada, por exemplo, em que era possível ir até o limite para alcançar o menor tempo possível e ficar com a pole. 

Lift and coast é realidade

O que é consenso entre os pilotos é que será necessário fazer lift and coast (uma técnica para economizar combustível e energia onde o piloto tira o pé do acelerador antes do ponto normal de frenagem, dessa forma o carro segue “embalado”, sem acelerar e ainda sem frear, por alguns metros e depois disso, o piloto freia normalmente para fazer a curva) durante o quali. 

"Nas voltas de classificação, é preciso fazer lift and coast, ou seja, soltar o acelerador antes de chegar na zona de frenagem para recarregar melhor a bateria. Essa é a forma mais rápida de pilotar. É muito diferente de tudo que aprendemos quando éramos mais jovens no kart", iniciou Esteban Ocon, da Haas. 

"Honestamente, no simulador, precisei de uma volta para aprender. Na verdade, agora o que é estranho é não fazer isso. Já pilotamos muito fazendo lift and coast [na carreira] e estamos totalmente acostumados com esse estilo de pilotagem".

Foto de: circuitpics.de

"Em volta de classificação, tirar o pé não é algo que você aprende no kart. Você começa a volta já economizando bateria e isso é estranho. Mas também é divertido: mais potência, menos grip, mais controle do carro. Curvas que eram flat agora exigem freio. Isso pode gerar mais disputas e estratégias diferentes", destacou o atual campeão Lando Norris. 

"É um pouco mais artificial, porque obviamente na qualificação você só pensa em ir o mais rápido possível", apontou Kimi Antonelli. "É algo que teremos que aprender, especialmente porque a bateria também é muito sensível ao estilo de condução."  

'Tirar o pé' será necessário na classificação devido à parte elétrica da unidade de potência. Se o piloto tentar forçar o máximo, a probabilidade dele chegar ao fim da volta sem bateria e ser prejudicado é muito grande, por isso, a necessidade de administrar a energia disponível. 

Voltas lentas também devem mudar

Outro ponto crucial será a recuperação de energia. Dificilmente será possível tentar uma volta rápida após uma única volta lenta, dependendo do circuito. Em pistas como Bahrein e Montreal, por exemplo, a recuperação deve acontecer de forma mais rápida, por outro lado em Jeddah e Silverstone a regeneração da bateria deve acontecer de maneira mais lenta. 

Na prática, uma volta lenta pode gerar recuperação parcial, o que pode ser insuficiente para outra tentativa de marcar um bom tempo. Duas voltas lentas deve se tornar o padrão ideal para a bateria retornar ao nível ideal ao mesmo tempo em que se coloca os pneus na janela correta. 

“Acho que o elemento mais importante estará na unidade de potência e, obviamente, na bateria”, reiterou Antonelli. “Acho que é por isso que, para a equipe, especialmente com a HPP [Mercedes AMG High Performance Powertrains], será muito importante maximizar o software e sua implementação em cada pista, porque isso pode fazer toda a diferença.”

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