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F1: Binotto comenta "desafio" de construir Audi e faz comparação com época na Ferrari

Diretor técnico explica como time suíço está abordando entrada na categoria no ano que vem, com o objetivo de lutar pelo título até 2030

Mattia Binotto, COO and CTO, Sauber

A Audi está abordando sua entrada na Fórmula 1 com uma mistura de ambição e realismo. A fabricante alemã fará sua estreia oficial em 2026, substituindo a atual equipe Sauber, e o fará com um projeto que pretende ser uma referência a médio prazo. À frente da direção técnica está Mattia Binotto, ex-chefe da Ferrari, que concedeu uma entrevista à DAZN Espanha na qual explica o desafio de construir uma equipe praticamente do zero.

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"Não se trata apenas de paixão, trata-se de fazer planos e cumpri-los", explica Binotto, fiel à meticulosidade que caracteriza a cultura alemã. "Há uma coisa em que a Audi é excelente: planejamento. Nosso objetivo é tentar vencer um campeonato até 2030. Sabemos que será uma longa jornada, com etapas, mas o importante é melhorar ano após ano".

O desafio da Audi é grande. Eles não competirão apenas com o próprio chassi, mas também com a própria unidade de potência, algo que poucos fabricantes se atrevem a fazer desde o início. Em 2026, com os novos regulamentos técnicos e de motor, a Audi se juntará à lista de fabricantes de motores ao lado da Ford, que colaborará com a Red Bull Racing. Para Binotto, essa revolução regulatória é a oportunidade ideal para começar do zero.

"A jornada em si é o que mais me entusiasma", admite ele. "Começar do zero com grandes ambições é empolgante para mim. Adoro o desafio, adoro a ambição".

Uma mudança de época... e de mentalidade

Binotto sabe bem o que significa enfrentar uma mudança de regulamentos. Em 2014, ele mesmo liderou o desenvolvimento dos motores híbridos da Ferrari, uma era que marcou um antes e um depois na F1 moderna. É por isso que seu papel na Audi também será fundamental na área técnica e na integração do motor com o chassi.

"Toda mudança é uma descontinuidade, uma dificuldade, um obstáculo", ele admite. "Mas mudanças são oportunidades e, para nós, os novos regulamentos se encaixam perfeitamente na marca Audi. Isso não significa que seremos fortes desde o início, mas será uma jornada que se baseará em nossa competência existente e na grande equipe que já temos". 

O italiano insiste que o maior trunfo da Audi não está em uma parte do carro, mas em sua mentalidade coletiva: "Se há alguma força, ela está em nosso compromisso com o esporte e com o projeto. Eu não olharia para áreas específicas, porque acho que precisamos melhorar em todas elas".

Diferença entre o dia e a noite

Acostumado com a intensidade de Maranello, Binotto reconhece que a mudança cultural foi enorme. "Grandes diferenças, acho que é como noite e dia", garante ele. "Isso se deve às pessoas, à cultura dos diferentes países e à forma como as empresas são organizadas. Estive na Ferrari por quase 30 anos, conhecia todos os funcionários. Agora ainda estou aprendendo, conhecendo a cultura e as pessoas e isso me faz aproveitar o momento". 

A Audi está se aproximando da estreia sem falsas expectativas. O próprio Binotto admite que pensar em vitórias imediatas seria irrealista, mas o roteiro é claro: aprender, crescer e se consolidar. "Será uma longa jornada, mas todo ano devemos dar um passo à frente. Esse é o objetivo", diz ele.

A ambição está lá. A Audi quer ser muito mais do que uma nova marca no grid: quer construir um legado. E Binotto, com sua experiência e visão técnica na Ferrari, será um dos principais responsáveis por isso.

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