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F1: Como 'desconto' no teto de gastos poderá evitar disparidade entre fabricantes

Diretor de monopostos da FIA explicou como entidade espera garantir equilíbrio entre fornecedores de unidade de potência

Race start

Race start

Foto de: Andrea Diodato - NurPhoto - Getty Images

Com o novo regulamento técnico da Fórmula 1, que faz com que a unidade de potência seja alimentada de maneira igualitária pelo motor a combustão e a parte elétrica, o cenário das fabricantes passou por mudanças significativas. A Cadillac, nova equipe da categoria, é apoiada pela GM (embora ainda tenha motor Ferrari), a Audi estreia com carro inteiramente próprio -- inclusive motor -- e a Red Bull tem parceria de unidade de potência com a Ford; a Honda muda de casa rumo à Aston Martin, enquanto Mercedes e Ferrari continuam fabricando o próprio motor. 

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Diante desse cenário, disparidades entre as equipes são esperadas e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) se preparou para isso, criando um mecanismo pra buscar o equilíbrio entre os times, o ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização, na sigla em inglês). Diretor de monopostos da entidade, Nikolas Tombazis explicou como esse esquema funcionará. 

"Nós medimos a performance das unidades de potência por vários meios, de forma muito robusta, fazendo uma média de três blocos de seis corridas cada. Com base nisso, aqueles que estiverem mais de dois por cento abaixo em potência do motor de combustão interna — ou quatro por cento, ou seis por cento — passam a receber gradualmente mais desses benefícios", falou ao site RacingNews365

Os benefícios incluem mais horas de dinamômetro, mais oportunidades de homologação e maior flexibilidade no teto de gastos, o que permite às equipes extrapolar o orçamento inicialmente planejado para o desenvolvimento do motor, caso seja necessário. Tombazis explica que, para a FIA, "dentro de uma realidade de teto orçamentário, isso é necessário porque, caso contrário, se você começar atrás, ficará condenado a uma miséria permanente". 

"Também temos um plano para conceder um 'desconto' no teto de gastos caso haja problemas sérios de confiabilidade, porque essas unidades de potência são extremamente caras. É possível imaginar que, se os motores começarem a quebrar a torto e a direito, em metade de uma temporada o teto de gastos já estará esgotado. De repente, não haverá mais dinheiro disponível e a situação se tornará crítica, deixando como única opção a saída do esporte", reconheceu. 

"Claramente, não queremos jamais chegar a um cenário em que esses fabricantes se sintam obrigados a deixar a F1 por não terem nenhuma esperança de se tornarem competitivos. Isso anularia completamente o propósito de eles terem entrado no esporte", alertou Tombazis. 

O diretor ainda destaca que a medida tomada pela FIA é mais adequada do que tentar um 'balanço de desempenho' (também conhecido como BoP em outras categorias). Segundo ele, esse tipo de medida seria injusto e, com o ADUO, as fabricantes terão todas as oportunidades para alcançarem uma a outra. 

"Eu defenderia de forma muito firme que não se use o termo ‘balanceamento de desempenho’ ou qualquer coisa parecida. No fim das contas, é preciso lembrar que todos os carros que competem na pista operam sob os mesmos regulamentos técnicos. Não existem maneiras artificiais de dar mais desempenho a um ou a outro, todos seguem as mesmas regras. O que acontece é que alguns, se começam atrás, recebem oportunidades de recuperação", ressaltou. 

"Também vale dizer que, na F1, tanto no chassi quanto no motor, há uma enorme quantidade de know-how, experiência acumulada, conhecimento e infraestrutura. Tudo isso torna extremamente difícil para um estreante se tornar competitivo rapidamente. Você realmente começa em desvantagem e um dos objetivos tem sido justamente permitir a entrada de novos competidores, tanto equipes quanto fabricantes”, concluiu. 

Causos com GALVÃO, REGI, EVERALDO MARQUES, BURTI e cia: ALFREDO BOKEL diz TUDO dos jornalistas da F1

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