F1: Como GP de Japão expôs as duas faces da Mercedes
O W17 é, sem dúvida, o carro a ser batido, mas o curioso é que Suzuka destacou tanto os motivos pelos quais sua competitividade não se resume apenas ao motor
Pela primeira vez na temporada 2026 da Fórmula 1, excluindo a corrida sprint da China, vimos um pódio sem os dois pilotos da Mercedes presentes. Uma estatística curiosa, se pensarmos no potencial demonstrado pelo W17 ate agora.
Na verdade, Suzuka destacou muito bem os três pilares nos quais se baseia a superioridade das 'Flechas de Prata', que faz da combinação entre a unidade de potência e o chassi a chave do sucesso.
Contudo, a pista japonesa também revelou o lado mais vulnerável da Mercedes, aquele que já havia sido vislumbrado nos dois primeiros GPs. Ao contrário da Austrália e da China, porém, aqui a degradação dos pneus não entrou em jogo, sendo mínima no Japão, e as poucas chances reais de ultrapassagem destacaram um W17 de duas faces.
Enquanto Andrea Kimi Antonelli mostrou um ritmo excepcional, tanto na classificação quanto na corrida, não apenas com a pista livre no segundo stint, mas também quando se livrou de Charles Leclerc na primeira parte da prova, começando a ganhar décimos mesmo após o pit stop de Oscar Piastri, George Russell nunca conseguiu abrir espaço no tráfego e brilhar.
Lando Norris, McLaren, Andrea Kimi Antonelli, Mercedes
Foto de: Clive Rose / Fórmula 1 via Getty Images
Não é segredo que em Suzuka a unidade de potência tem um peso relevante. Nesse aspecto, os motores Mercedes desfrutam de uma vantagem significativa sobre a concorrência, conseguindo não apenas atingir velocidades máximas mais elevadas, mas também retardar a necessidade de superclipping. Nesses trechos, portanto, a vantagem se torna dupla.
A questão é que esse 'excesso' se soma a uma base que já é excelente. O W17 possui um chassi muito eficaz e pode se dar o luxo de sacrificar alguns pontos da pista para maximizar o tempo ganho nas retas e no paddock essa é uma opinião generalizada.
Observando os dados da classifiação de Suzuka, por exemplo, a equipe de Brackley foi a mais rápida na zona dos "esses" - curvas 2, 3, 4, 5 e 6. Uma área que a FIA havia decretado como zona de não utilização do sistema híbrido, onde, em essência, era possível desligar o híbrido na fase de 'ataque' e colocá-lo apenas em recarga.
É verdade que se trabalha com marchas baixas para mantêm o motor em altas rotações e em velocidades médias-altas, o que ajuda na recuperação do turbo no momento em que se volta a pisar no acelerador. Mas, em termos de velocidade de curva, o W17 demonstrou poder competir com o SF-26, que havia registrado o melhor tempo no primeiro setor, usando ainda mais energia na reta de largada.
Charles Leclerc, Ferrari, George Russell, Mercedes
Foto de: Andrew Caballero-Reynolds / AFP via Getty Images
Somente na curva seis se observou uma clara superioridade da Ferrari, o mesmo ponto em que, no ano passado, a McLaren conseguia destacar suas qualidades de carga aerodinâmica.
Nesse caso, porém, a vantagem estava mais bem distribuída por toda a extensão do circuito, em vez de concentrada em um único trecho. No restante da volta, os valores permaneceram muito semelhantes nas curvas, sem uma vantagem marcante, ao contrário do esquadrão 'papaia', que atualmente sofre com a falta de downforce puro.
Isso quer dizer que a vantagem do motor está objetivamente presente e garante uma flexibilidade de ação considerável, mas continua sendo um excedente aplicado a uma base já muito competitiva. É precisamente essa combinação de elementos, e não um único aspecto, que torna o W17 tão consistente. Isso também foi visto com Andrea Kimi Antonelli, quando ele tinha pista livre, seu ritmo se tornava imbatível, com uma margem de 6 a 7 décimos por volta.
Em média, foram ganhos pelo menos três décimos de segundo no primeiro setor, mesmo quando Piastri, liderando o pelotão, estava em pista livre. No entanto, há outro aspecto interessante que tanto a McLaren quanto a Mercedes têm em comum: baixa degradação e as consequências de ficar preso no tráfego. Já na Austrália e na China, ficou claro que, pelo menos em uma única volta, o time de Woking poderia aspirar à segunda fila.
O mesmo aconteceu no Japão, onde o novo asfalto, com mais aderência e menos irregularidades, permitiu à equipe manter um ritmo elevado mesmo durante a corrida, compensando em parte a falta de downforce e a má gestão dos pneus observadas em duas pistas cruciais nesse aspecto: Melbourne e China.
Esse bom ritmo quase surpreendeu a própria McLaren, apesar do progresso feito na gestão da unidade de potência enquanto aguardava as atualizações em Miami, que a equipe espera que liberem todo o potencial do MCL40.
George Russell, Mercedes
Foto de: Lars Baron / LAT Images via Getty Images
Com pouca degradação, os pilotos que estavam na 'caça' conseguiram manter um ritmo mais forte, mesmo em duelos, o que prejudicou Russell em uma pista notoriamente difícil para ultrapassagens. O regulamento de 2026 mudou um pouco a dinâmica, oferecendo novas oportunidades, mas não a transformou completamente, sem uma clara diferença de ritmo, as ultrapassagens continuaram difíceis.
Esse tema ficou ainda mais evidente com o britânico, que teve dificuldades para atacar tanto Piastri, depois que o australiano assumiu a liderança, quanto as duas Ferraris, a ponto de perder o pódio. Leclerc já havia previsto isso depois da China: para vencer a Mercedes nesse jogo de troca de posições, a única esperança é responder golpe a golpe, curva a curva.
O problema é que, a longo prazo, a Mercedes administra melhor os pneus e, quando decide exigir um pouco mais do motor, tem a oportunidade de abrir vantagem. Em Suzuka, porém, as três voltas consecutivas exigiram uma gestão de energia muito cuidadosa, tornando a ultrapassagem tudo menos simples, uma combinação de fatores que, mesmo para Russell, dificultou bastante a concretização do ataque.
A isso se soma outro fator. Comparado a Antonelli, que já havia demonstrado um talento brilhante no ano passado, o britânico fez uma escolha errada de acerto neste fim de semana, focando-se demais na dianteira.
Em uma pista recapeada que não apresentava sinais de desgaste na parte frontal, essa escolha provou ser contraproducente, desequilibrando a traseira. É claro que, em uma pista livre, mesmo com Russell, haveria espaço para considerar a Mercedes vencedora, mas no tráfego, a versão mais agressiva do W17 se destacou.
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