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F1: Entenda por que o crescimento da Williams vai muito além de Russell

Chegada do CEO Jost Capito e do diretor-geral François-Xavier Demaison levaram a mudanças profundas na organização interna

Williams FW43B front wing comparison

Análise técnica de Giorgio Piola

Análise técnica de Giorgio Piola

Com a chegada do CEO Jost Capito e do diretor-geral François-Xavier Demaison, a Williams deu um importante salto de qualidade que a permitiu abandonar o último posto do Mundial de Construtores da Fórmula 1, ajudando também George Russell, que pôde passar a exibir seu talento.

Capito já havia prometido em sua chegada: a Williams deixaria de ser a piada da F1, condenada ao último lugar entre os Construtores, posição que ocupou por três anos consecutivos.

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Em 2019, a equipe, que havia ganhado nove títulos de construtores em sua história, atrás apenas da Ferrari, se encontrava em posição de não ter nem peças de reposição suficientes para ambos os carros, forçando Robert Kubica a correr com verdadeiras gambiarras.

Mas desde que a Dorilton Capital comprou a equipe, a dinâmica mudou. No interior da fábrica, foi realizada uma intensa reestruturação na organização do trabalho, provocando várias mudanças de pessoal. Assim como Andreas Seidl na McLaren, Capito, colocou as peças nos lugares e os resultados começaram a surgir.

Enquanto no ano passado a Williams terminou novamente sem pontuar, ela chega à Turquia com 23 pontos, dando-lhe a oitava posição do Mundial, à frente de Alfa Romeo e Haas. Esses números representam o salto importante, com picos surpreendentes graças a George Russell nos GPs da Bélgica e da Rússia, superando Lewis Hamilton e a Mercedes em ambos os casos.

É certo que a Williams se beneficiou de um piloto com o talento de Russell, mas o carro, após as últimas férias, se mostra mais competitivo: o trabalho de Demaison vem entregando resultados interessantes.

O FW43B mostra um potencial interessante em voltas com pista seca, mostrando uma boa eficiência aerodinâmica que permite ao carro estar no Q3 com relativa frequência.

É importante destacar que o carro só acrescentou a letra B à sigla do ano passado, e é um dos que trouxe um ganho de competitividade apesar das fortes restrições no regulamento para este ano, por conta da Covid. As equipes tiveram que apostar apenas em atualizações através de fichas de desenvolvimento, trabalhando em cima dos carros de 2020.

No caso da Williams, eles souberam interpretar os cortes aerodinâmicos impostos pela FIA ao redesenhar o carro em torno da unidade de potência M12 da Mercedes.

George Russell, Williams FW43B

George Russell, Williams FW43B

Photo by: Mark Sutton / Motorsport Images

A equipe de aerodinâmica não copiou outras soluções, focando apenas em desenvolver um conceito próprio na parte central do carro, optando por umas aberturas de ventilação com fendas muito estreitas e laterais mínimas que descem até o assoalho, tratando de aproveitar o Efeito Coanda para voltar a se unir com o fluxo na parte inferior, compensando, ao menos em partes, as mudanças impostas pela FIA nesta área.

Assim, no FW43B, você pode ver o "pulmão" marcante que torna o capô especialmente volumoso, com um design muito particular que pode não ser muito agradável de se olhar, mas que se mostrou muito eficaz. Na traseira, a caixa de câmbio de titânio da Williams foi mantida, esperando o câmbio composto da Mercedes, que será usado a partir de 2022.

Dettaglio dei barge board Williams FW43B

Dettaglio dei barge board Williams FW43B

Photo by: Giorgio Piola

Entre as peculiaridades aerodinâmicas está a ausência de "persianas" na conexão entre os bargeboards e as estruturas responsáveis por desviar o fluxo de ar na lateral. O FW43B se destaca por manter nada mais, nada menos que sete desviadores verticais. Os três últimos acabam funcionando como uma ponte à outras áreas.

Dettaglio dell'ala anteriore della Williams FW43B più carica per il GP di Russia

Dettaglio dell'ala anteriore della Williams FW43B più carica per il GP di Russia

Photo by: Giorgio Piola

Na Williams houve um cuidado no aspecto aerodinâmico para os circuitos rápidos: se o bico é derivado do de 2020, a asa dianteira foi modificada para reduzir a resistência e limitar o arrasto.

Em Sochi, vimos asas muito quadradas, novamente um contraste com o resto do grid, buscando uma configuração mais baixa em uma pista onde é necessário o máximo de carga aerodinâmica. Na parte mais externa, dá para destacar o efeito de outwash dos fluxos dirigidos até o exterior das rodas dianteiras.

Por outro lado, em Monza, a parte central da aleta ajustável havia sido modificada com a clara intenção de aumentar a velocidade máxima, como é possível observar na ilustração seguinte.

Dettaglio dell'ala anteriore della Williams FW43B al GP d'Italia

Dettaglio dell'ala anteriore della Williams FW43B al GP d'Italia

Photo by: Giorgio Piola

Para finalizar, a Williams tentou dar continuidade ao trabalho de desenvolvimento com fornecedores quase exclusivos, em uma associação muito próxima: as rodas de magnésio forjado são da AppTech, com peças traseiras estampadas para ajudar a esquentar os pneus, enquanto o sistema de freios é da marca inglesa AP Racing.

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