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F1: Ferrari pede paciência e alerta contra reações precipitadas às regras de 2026

Fred Vasseur e Jonathan Wheatley gostaram do que viram na Austrália e acreditam que, ao menos ainda, não é hora de mudança

A Fórmula 1 deu início à temporada de 2026 no último fim de semana, estreando oficialmente o novo regulamento, com unidades de potência aproximadamente 50% elétricas. Pilotos estão precisando se adaptar a novos estilos de pilotagem e discussões sobre mudanças para o futuro já começaram, porém, segundo Fred Vasseur, chefe da Ferrari, ajustar as novas regras neste momento “seria um erro”.

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O novo conjunto de regras tornou o gerenciamento da bateria ainda mais importante e significativo, fazendo com que pilotos 'tirassem o pé' e desacelerassem antes das zonas de frenagem no GP da Austrália, um problema que foi exacerbado pelo traçado do Albert Park, que consome muita energia. Em contrapartida, foram registradas 120 ultrapassagens durante a corrida, mais que o dobro de 2025 (45), incluindo várias manobras de mudança de liderança. Ainda assim, o papel desempenhado pela gestão de energia na ação levantou questões.

Além disso, a remoção do componente MGU-H da unidade de potência significa que os carros têm dificuldade para acelerar o turbo, o que levou a um susto de quase colisão na largada em Melbourne, apesar de um procedimento de saída mais longo.

Todos esses fatores foram agravados pela complexidade do regulamento. Modo reta, modo ultrapassagem, modo de impulso (boost mode), superclipping... Leva algum tempo, especialmente aos espectadores casuais, para se acostumar com os novos termos e regras. 

Diante de todo esse cenário, colocou-se a questão: os carros de 2026 precisam ser modificados? Se sim, quando?  No que lhe diz respeito, Vasseur escolheu evitar tirar conclusões precipitadas.

“No geral, é verdade que tivemos muitos comentários negativos, previsões e outras coisas antes da temporada”, disse o francês após a corrida na Austrália. “Fomos pressionados a mudar nosso regulamento antes da primeira corrida. Honestamente, acho que faz sentido esperar duas ou três provas. Não é porque esta foi muito boa que todas serão, mas acho que foi uma surpresa muito agradável".

Charles Leclerc, Ferrari, George Russell, Mercedes

Charles Leclerc, Ferrari, George Russell, Mercedes

Foto: Joe Portlock / Getty Images

“Honestamente, nas primeiras 10 voltas da corrida, não tenho certeza se vi algo assim nos últimos 10 anos”, acrescentou, referindo-se a uma batalha prolongada pela liderança entre George Russell e Charles Leclerc. “Temos que ter isso em mente: não há certeza de que será assim todos os fins de semana".

“Mas acho que é um começo muito bom para o esporte e para o espetáculo, acho que os fãs provavelmente gostaram muito da primeira parte da corrida. Vamos continuar assim e, se tivermos que reagir em algum momento após algumas corridas, reagiremos. Mas seria um erro fazer isso muito rapidamente", continuou. 

Questionado pelo Motorsport.com sobre as velocidades de aproximação 'dramáticas' geradas pela gestão de energia e a sequência de largada, o chefe da Sauber, Jonathan Wheatley, destacou com firmeza: “Acabamos de fazer a primeira corrida com este conjunto de carros. A primeira".

“As largadas foram interessantes. Obviamente, alguns carros são muito mais eficientes na largada do que outros no momento, mas todos sabemos que isso não vai durar muito antes que as outras equipes alcancem o mesmo nível. Acho que tenho uma visão de longo prazo sobre tudo. Achei que foram boas corridas, foi emocionante. O público certamente achou isso, ouvi os aplausos acima do barulho dos carros", acrescentou. 

Jonathan Wheatley, Team Principal of Audi F1 Team

Jonathan Wheatley, diretor da equipe Audi F1

Foto: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images

“Acho que há muito a aprender. Foi muito interessante a batalha de Gabi [Bortoleto] com Arvid [Lindblad] no final da corrida. Diferentes usos de energia e estratégia envolvida nisso. Vamos entrar um pouco nesta temporada. Faremos mais algumas corridas antes de reagirmos muito rapidamente", falou, alinhando-se ao pensamento de Vasseur. 

Na Sky Sports Alemanha, o ex-piloto de F1 Timo Glock perguntou a Wheatley sobre as reclamações de alguns pilotos em relação às velocidades de aproximação potencialmente perigosas devido ao gerenciamento de energia, mas o britânico escolheu um tom tranquilizador. 

“Olha, todos nós estamos envolvidos em garantir que este esporte seja o melhor do mundo”, disse Wheatley. “A FIA gerencia a F1 há muito tempo e faz um ótimo trabalho. Eles estão ouvindo, talvez até ouvindo demais às vezes, talvez neste fim de semana. Mas o que quero dizer com isso não é uma crítica: eles estão abertos e ouvindo os pilotos e as equipes. Esses carros se tornarão mais sofisticados, mais fáceis de pilotar e, daqui a três anos, quem sabe, talvez tenhamos os melhores carros de F1 de todos os tempos". 

Reportagem adicional de Roberto Chinchero e Filip Cleeren

Ultrapassagens "ARTIFICIAIS" vão ditar NOVA F1? Pilotos na BRONCA e fãs SATISFEITOS? | FELIPE MOTTA

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