F1: FIA confirma ajustes nas diretrizes de pilotagem de 2026 após reunião no Catar
Uma reunião no GP do Catar de 2025 entre equipes de F1, pilotos e a entidade reguladora FIA levou a ajustes nas regras de pista para os pilotos
A FIA ajustou as diretrizes de pilotagem da Fórmula 1 para a temporada 2026, com foco em maior flexibilidade e bom senso, o que é visto como uma grande vitória para os pilotos.
Isso porque, em várias ocasiões, os comissários foram criticados por usar essas diretrizes como verdade absoluta, em vez de apenas como base para ajudar a chegar a uma solução bem pensada.
O GP de São Paulo do ano passado foi a maior indicação disso, quando os comissários culparam Oscar Piastri por causar uma batida tripla com Kimi Antonelli e Charles Leclerc na Curva 1, aplicando-lhe uma penalidade de 10 segundos.
O piloto da McLaren estava por dentro, mas travou o pneu dianteiro esquerdo e deslizou em direção a Antonelli, que posteriormente bateu em Leclerc, causando danos irreparáveis ao carro da Ferrari, com o monegasco abandonando a prova.
Os comissários consideraram que Piastri não estava suficientemente ao lado, que sua travagem indicava uma manobra ambiciosa e, de acordo com as regras, a penalidade estava correta.
Mas ainda assim foi controverso, porque ficou claro ao assistir que Piastri não causou totalmente o incidente, com muitos no grid alegando que Antonelli rapidamente 'fechou a porta' para ele.
Oscar Piastri, McLaren, Andrea Kimi Antonelli, Mercedes
Foto: Andy Hone/ LAT Images via Getty Images
Isso gerou controvérsia e Carlos Sainz, em particular, comparou a situação a muitos de seus próprios incidentes durante a temporada de 2025. Isso, somado a outras decisões controversas no ano passado, levou a uma reunião entre as equipes, os pilotos e a FIA na penúltima etapa no Catar, e o resultado pode ser visto nas diretrizes recém-ajustadas.
Uma das maiores mudanças diz respeito ao travamento dos freios, que não implica mais que o piloto perdeu o controle, pois sua ocorrência pode, na verdade, ser atribuída às “leis da física” ou simplesmente à tentativa de evitar outro carro.
Isso é algo que Piastri tentou argumentar em Interlagos. Outro ponto que o australiano levantou foi que não podia simplesmente “desaparecer” dali, já que toda a sequência ocorreu em questão de segundos.
Assim, os comissários agora reconhecerão que, em uma manobra de ataque, uma vez que um carro tenha conquistado o direito à curva, o outro não pode simplesmente “desaparecer”, com o ponto de tangência podendo variar dependendo da linha de corrida e da natureza da curva.
Também foram aplicadas alterações ao sistema de pontos de penalidade, que agora só serão atribuídos por “ações perigosas, imprudentes ou aparentemente deliberadas que resultem em colisão” ou “por outro comportamento inaceitável ou antidesportivo”. Piastri, por exemplo, recebeu dois pontos de penalidade pelo incidente do ano passado.
Max Verstappen, Red Bull Racing RB16B, Valtteri Bottas, Mercedes W12
Foto: Steve Etherington / Motorsport Images
Além disso, agora existem diretrizes mais rígidas para os pilotos que saem da pista para se defender. Isso porque, em várias ocasiões, um carro que ataca pela parte externa pode ser empurrado para fora, o que é considerado um incidente de corrida — um exemplo disso foi Max Verstappen se defendendo de Lewis Hamilton no GP de São Paulo de 2021.
Mas agora, as diretrizes estabelecem: “Se, ao defender uma posição, um carro sair da pista [ou cortar uma chicane] e voltar à mesma posição, isso será geralmente considerado pelos comissários como uma vantagem duradoura".
Portanto, geralmente, a posição deve ser concedida. Ficará a critério exclusivo dos comissários determinar se o piloto de um carro está 'defendendo uma posição'".
EVERALDO MARQUES conta TUDO sobre F1 na GLOBO, causos e ligação com AUTOMOBILISMO na carreira
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