F1: FIA quer resolver polêmico 'truque' dos motores antes do início da temporada
Artifício na compressão das novas unidades de potência de Mercedes e Red Bull-Ford é o tema de discussão entre as equipes e a FIA na quinta-feira (22)
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A FIA, órgão regulador da Fórmula 1, afirmou estar empenhada em resolver a primeira grande controvérsia técnica da categoria nesse ano, que envolve os motores da Mercedes e da Red Bull-Ford, antes do início da temporada 2026 na Austrália.
Vários fabricantes acreditam que Mercedes e Red Bull Powertrains criaram um artifício para explorar de forma inteligente os regulamentos das unidades de potência da F1, que determinam uma taxa de compressão de 16:1, reduzida em relação aos 18:1 do ano passado.
Essa taxa de compressão é medida com o motor desligado e, portanto, frio, enquanto se acredita que Mercedes e Red Bull encontraram uma forma de fazer seus motores operarem com taxas de compressão mais altas na pista, utilizando materiais que se expandem com o calor.
O assunto será discutido entre as equipes e a FIA nesta quinta-feira (22), com várias partes pressionando a Federação a agir caso seja considerado que as regras não estão sendo interpretadas de forma justa por todos os fabricantes.
“Temos que, como sempre fazemos, confiar na FIA para tomar as decisões corretas aqui,” disse o diretor técnico da Audi, James Key, no lançamento do carro da equipe alemã para 2026.
“São regulamentos novos. É preciso haver igualdade de condições. Se alguém inventasse um difusor inteligente e você dissesse que não é certo, que ninguém mais pode usá-lo, mas que essa pessoa pode usar pelo resto do ano, isso não faz sentido. Nunca aceitaríamos isso".
Honda and Audi are among the parties concerned by the F1 2026 compression ratio trick
Photo by: Honda
O que complica a situação é que já é tarde demais para as fabricantes fazerem qualquer grande alteração para 2026, então, se os regulamentos não estão sendo violados, parece que qualquer vantagem de desempenho obtida com o truque da taxa de compressão — estimada entre dois e três décimos de segundo por volta, dependendo do circuito — estará garantida até 2027.
Falando com exclusividade ao Motorsport.com durante o Autosport Business Exchange em Londres, o diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis, disse que a entidade está empenhada em resolver a questão antes do início da nova temporada.
"Acho óbvio que precisamos ter cuidado com esses assuntos," disse Tombazis. "Comparado ao passado, estamos muito mais conscientes de que queremos que as equipes tenham a mesma interpretação dos regulamentos".
"Não queremos que quem vença seja alguém que apenas teve uma interpretação 'espertinha', se me permitem, ou que, eu não diria necessariamente inteligente, mas simplesmente ignorou certas coisas ou passou por cima de outras".
"Portanto, estamos muito empenhados em evitar essas controvérsias e garantir que, quando as pessoas forem competir, entendam as regras exatamente da mesma forma".
"Inevitavelmente, quando há um conjunto tão novo de regulamentos, certas questões surgem, e entendemos que é nossa responsabilidade resolver esses assuntos antes da primeira corrida".
Tombazis afirmou que é inevitável que surpresas apareçam no início de um ciclo de regulamentos radicalmente novo, assim como o fenômeno do porpoising, que passou despercebido até a véspera da estreia da temporada 2022.
"Sempre haverá algumas questões que precisam ser resolvidas e que não previmos adequadamente," disse. "Voltando ao exemplo específico, cada equipe tem cerca de 80 aerodinamicistas, então, somando as 10 equipes, são cerca de 800 aerodinamicistas, mais três na FIA, essa é a proporção da força de trabalho. Mas nenhum dos 800 percebeu isso antes de acontecer, então foi uma surpresa para toda a indústria".
"Mas eu diria que, em grande parte, conseguimos controlar isso antes da primeira corrida de 2022 — não eliminar — e acho que se tornou um assunto praticamente encerrado no meio da temporada. Então, acredito que toda a indústria e a FIA têm um bom histórico em tentar reagir a esses problemas. Se tais questões surgirem, acredito que sabemos como lidar com elas".
"Temos muitas pessoas qualificadas, ferramentas de simulação, colaboramos bastante com as equipes, então, se algo aparecer, claro que agiremos", concluiu.
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