F1 - Insatisfeitos e confusos: Verstappen e cia apontam 'artificialidade' em novo sistema de ultrapassagem
Para os expectadores, a grande de quantidade de movimentação na tabela de classificação pode ter animado, mas para quem estava no cockpit a sensação foi bem diferente
O GP da Austrália de Fórmula 1 deixou uma impressão bastante dividida para os pilotos que experimentaram, pela primeira vez, o novo modo de ultrapassagem da categoria. Enquanto alguns foram mais críticos com o substituto do DRS, outros tentaram 'amenizar' a situação dizendo que precisam de mais tempo para formar uma opinião concreta.
Introduzido na temporada de 2011, o Drag Reduction System (Sistema de Redução de Arrasto) - DRS - era o principal mecanismo para auxiliar as ultrapassagens na F1 até o ano passado. Com a chegada da aerodinâmica ativa e a mudança das unidades de potência, com maior foco na parte elétrica, ele foi 'descontinuado'.
Como substituto, a categoria introduziu o overtake mode (modo ultrapassagem). Ao ser acionado, o piloto que está atrás - em até 1s de distância - mantém a potência máxima por mais tempo que seu 'alvo' antes de sofrer o clipping, ou seja, ter a potência elétrica gradualmente reduzida, ganhando uma vantagem em relação ao carro da frente.
Contudo, ao experimentar pela primeira vez de fato como funciona o novo modo na prática, a dinâmica acabou não agradando a grande maioria dos pilotos.
O que disseram
"Com certeza é diferente. Mas acho que o ponto interessante com esse regulamento é que, em cada pista que formos, as coisas nem sempre serão assim. Todo mundo é muito rápido para criticar as coisas. É preciso dar uma chance. Acho que deveríamos dar uma chance e ver o que acontece depois de mais algumas corridas", George Russell.
"Eu acho que em uma pista como esta, a ultrapassagem foi incrivelmente potente. Isso criou muita ação, especialmente nas primeiras voltas da corrida. Hoje foi muito melhor do que todos nós antecipamos. Precisamos apenas esperar mais algumas corridas antes de realmente comentarmos sobre este novo regulamento", Andrea Kimi Antonelli.
"Eu concordo de certa forma. Apenas acho que isso definitivamente mudará a maneira como abordamos as corridas e as ultrapassagens. Antes, tratava-se mais de quem era o mais corajoso ao frear mais tarde. Talvez agora exista um pouco mais de mente estratégica por trás de cada movimento que você faz, porque a cada ativação do botão de boost, você sabe que vai pagar um preço alto depois disso. É, sem dúvida, uma maneira diferente de encarar as corridas", Charles Leclerc.
Lewis Hamilton, Ferrari
Foto de: Rudy Carezzevoli / Getty Images
"Pelo menos com o DRS no ano passado, você conseguia ganhar algo. O ganho do DRS no ano passado nesta pista era de seis décimos e a diferença necessária para ultrapassar era de nove. Então, em 10 ou 15 voltas, se você fosse um pouco mais rápido, tinha a chance de ultrapassar. Agora é um décimo com a mesma diferença necessária para ultrapassar. Levei quase 30 voltas para passar Lindblad. E eu tinha uma vantagem de ritmo que provavelmente me levaria três voltas para ultrapassá-lo no ano passado, então isso foi um saco", Oliver Bearman.
"Você ultrapassa em uma reta e depois pode ser ultrapassado novamente. É claro que tenho sorte... tenho melhor velocidade nas curvas, então eles não podem me atacar novamente. Mas no meio do pelotão aconteceram coisas estranhas, parecidas com Mario Kart", Max Verstappen.
"É doloroso porque você não pode fazer muita coisa como piloto. Uma vez que você usa o botão de boost e não consegue ultrapassar, ou mesmo se ultrapassar, você fica vulnerável novamente na reta seguinte. É muito frustrante. De certa forma, você não consegue fazer a diferença no setor intermediário para tentar recarregar mais e tentar abrir uma pequena vantagem para não ser ultrapassado de novo. É pura velocidade de reta. O quanto você recupera", Esteban Ocon.
Charles Leclerc, Ferrari, George Russell, Mercedes
Foto de: Andy Hone/ LAT Images via Getty Images
"Não é uma posição agradável de se estar, mas agora não há muito o que possamos fazer a respeito. É uma pena, é muito artificial, dependendo do que a unidade de potência decide fazer e às vezes faz de forma meio aleatória. De repente, você é ultrapassado por cinco carros ou simplesmente não pode fazer nada em algumas situações", Lando Norris.
"Ainda há muita coisa a ser aprendida. Cometi erros em ultrapassagens que eu não queria fazer porque eu tinha tanta energia e o outro carro estava apenas perdendo potência demais. Mas, sabe, você precisa pensar muito quando está correndo. No ano passado, tudo era muito mais previsível. Assim que você fazia uma ultrapassagem, estava decidido. Agora, você faz uma ultrapassagem e precisa calcular as próximas três retas. Porque talvez o cara te ultrapasse de volta", Gabriel Bortoleto.
EVERALDO MARQUES conta TUDO sobre F1 na GLOBO, causos e ligação com AUTOMOBILISMO na carreira
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