F1 não deve substituir GPs da Arábia Saudita e Bahrein caso sejam cancelados; entenda
Conflito no Oriente Médio segue impactando a situação de duas provas do calendário do Campeonato Mundial
O conflito no Oriente Médio colocou os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita em risco e o cancelamento total das corridas em Sakhir e Jeddah, sem substituição por outras provas, é o mais provável - embora sejam as equipes, e não a Fórmula 1, que estão pressionando para que o calendário permaneça com 24 etapas, conforme apurou o Motorsport.com.
O efeito da guerra entre EUA, Israel e Irã já foi sentido no paddock: na quarta-feira (04), em Melbourne, não havia carros montados nas garagens e muitos membros das equipes ainda não haviam chegado, devido a atrasos e cancelamentos de voos. Assim, o “toque de recolher” obrigatório sobre o horário de trabalho foi suspenso e o pit lane permaneceu movimentado até tarde da noite.
Para os funcionários da McLaren e da Mercedes que deveriam realizar o teste de pneus de chuva da Pirelli no fim de semana passado, a viagem para a Austrália envolveu uma viagem de carro do Bahrein à Arábia Saudita, depois voos de volta ao Reino Unido via Egito, antes de pegar voos fretados especiais de Stansted para Melbourne, evitando o espaço aéreo fechado ao redor do Golfo Pérsico. Fontes no paddock confirmaram que pelo menos um voou via Tanzânia.
No Reino Unido – lar da maioria das equipes do grid da F1 –, o Ministério das Relações Exteriores recomenda que os cidadãos não viajem para a região do Golfo e, enquanto isso permanecer em vigor, será impossível realizar os GP do Bahrein e da Arábia Saudita no mês que vem. Não haveria como garantir a segurança necessária.
Jeddah é um local importante para a F1, já que a estatal petrolífera Aramco é uma das principais patrocinadoras.
Foto: Getty Images
A abertura da temporada do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) no Catar, marcada para o último fim de semana de março, já foi adiada para o final da temporada. Mas a F1 não tem essa flexibilidade porque seu calendário de 24 eventos é mais cheio, e as outras etapas no Oriente Médio já estão programadas para acontecerem após o GP de Las Vegas, em uma sequência de três corridas que não é muito apreciada.
Embora publicamente a mensagem seja de que os detentores dos direitos comerciais e o órgão regulador estão esperando para ver o que acontece, na realidade o planejamento de contingência já está em andamento, pois se espera que o conflito se intensifique no curto prazo.
O Motorsport.com apurou que, da forma como as coisas estão, é altamente improvável que o GP do Bahrein aconteça e, embora tenha sido cogitada a possibilidade da etapa de Jeddah ser transferida para o intervalo entre Miami e Montreal, isso não é o ideal em termos de logística e ainda está sujeito a interrupções caso o conflito continue.
Há um prazo rígido para que algumas decisões sejam tomadas, pois a carga deve ser enviada para o Bahrein após o GP do Japão, em 29 de março. Apurou-se que outra das opções em discussão era a realização de corridas consecutivas em Suzuka, mas o principal obstáculo aqui era a capacidade do promotor de aumentar a venda de ingressos para o segundo evento, a fim de torná-lo comercialmente sustentável.
Portimão estava entre os locais substitutos durante a pandemia da Covid-19.
Foto: Getty Images
Embora vários locais tenham realizado corridas duplas a portas fechadas durante a pandemia da COVID-19, este foi um arranjo totalmente diferente, pois a F1 estava, na verdade, alugando os circuitos para cumprir seus contratos de transmissão, em vez do modelo usual de um promotor de corridas pagar ao detentor dos direitos comerciais para realizar um evento.
Pelas mesmas razões, é improvável que a F1 use locais europeus como substitutos, embora tenha circulado no paddock o rumor de que todos os hotéis nas proximidades de Imola já foram reservados para o fim de semana de 11 a 12 de abril – a vaga do Bahrein.
Seria extremamente difícil organizar um evento de GP comercialmente sustentável em questão de semanas, pois isso envolveria não apenas a venda de ingressos comuns, mas também a facilitação da hospitalidade VIP, que contribui muito para sustentar as receitas dos eventos da F1.
Há requisitos logísticos para essas instalações, bem como para os motorhomes das equipes, que teriam que ser retirados dos armazéns e transportados por rodovia.
Da mesma forma, há menos pressão sobre a F1 para realizar eventos do que nos anos da COVID, porque já ultrapassou o limite de corridas por temporada para cumprir seus contratos de transmissão.
Na verdade, apurou-se que o lobby para substituir os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita veio das próprias equipes, que querem proteger sua participação nas receitas comerciais da F1 – embora essa não seja, é claro, a mensagem divulgada publicamente.
A questão estará no topo da agenda da reunião regular do CEO da F1, Stefano Domenicali, com os chefes das equipes, marcada para sábado de manhã.
“Ainda houve muito pouca comunicação sobre isso devido ao esforço que foi necessário apenas para chegar aqui à Austrália”, disse o chefe da McLaren, Zak Brown.
“Obviamente, o esporte em si, os fãs, os parceiros, nossa equipe de corrida – tudo isso será de extrema importância do ponto de vista da segurança. Teremos que ver como as coisas se desenrolam e tomaremos a decisão certa para a saúde de todos os envolvidos no esporte".
Sobre o impacto financeiro para as equipes do cancelamento das corridas sem substituição, Brown foi diplomaticamente adequado. O fundo soberano do Bahrein é proprietário do Grupo McLaren e é acionista majoritário da McLaren Racing.
“Provavelmente, tudo depende”, disse Brown. “As corridas serão substituídas, serão adiadas? E a economia em torno disso. Mas acho que, dada a situação atual, não nos incomoda se houver um pequeno impacto financeiro".
EVERALDO MARQUES conta TUDO sobre F1 na GLOBO, causos e ligação com AUTOMOBILISMO na carreira
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