F1: Não há "milagre" que resolverá problemas da Audi a curto prazo
Equipe alemã admite que seu maior ponto fraco é o motor, o que limita suas possibilidades de aprimoramento
Foto de: Sam Bloxham / LAT Images via Getty Images
As largadas da Fórmula 1 em 2026 vêm carregadas de muitas incertezas, mas uma coisa é praticamente certa: Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, apesar de terem se classificado bem, serão superados com facilidade quando as luzes vermelhas se apagarem.
As largadas ruins são apenas um dos sintomas de um problema que afeta todos os aspectos de desempenho da unidade de potência da Audi e a equipe reconheceu que não há uma 'solução' a curto prazo que resolva.
No Japão, para citar apenas um exemplo, Bortoleto e Hulkenberg se classificaram em oitavo e 13º, mas ao final da primeira volta já estavam em 13º e 19º. Ao que tudo indica, o carro do time alemão possuí um turbo compressor relativamente grande de modo que a resposta da 'arrancada' demora mais para chegar.
Além de contribuir para arrancadas lentas, isso também tem impacto ao longo da volta, pois exige mais da parte elétrica do motor para fornecer o torque necessário enquanto o turbo está acelerando.
Dadas as limitações quanto à quantidade de potência que pode ser gerada e utilizada por volta, isso significa que a UP da Audi é, na prática, forçada a 'gastar' parte desse valor para cobrir déficits na potência do motor de combustão interna, o que a coloca em desvantagem em relação aos rivais.
“Foi um começo ruim [no Japão]”, disse Mattia Binotto, que assumiu as funções de chefe de equipe no último fim de semana, após a saída de Jonathan Wheatley.
“E não é a primeira vez, então certamente não é nosso ponto forte. No momento, a razão pela qual isso ainda não foi resolvido é porque não é algo óbvio de se corrigir. Mas, por outro lado, sabemos que é uma prioridade máxima para nós. Porque, mais uma vez, tivemos uma boa classificação e não vale a pena ter boas posições de largada se estamos perdendo todas elas.”
Bortoleto perdeu cinco posições na largada no Japão
Foto de: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images
O desafio para a Audi é que as oportunidades de mudança são limitadas. O ADUO oferecido pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) oferece alguma margem para modificações, mas em quantidades limitadas e dentro de um prazo restrito.
Os motores de combustão interna que apresentarem um déficit entre 2% e 4% em relação ao motor de referência, de acordo com a métrica de desempenho da FIA, têm permissão para uma alteração específica imediata. Aqueles com desvio superior a 4% recebem mais concessões, incluindo aumento do tempo de dinamômetro e maior flexibilidade dentro do teto de custos.
Mas o ADUO não é uma oportunidade para uma solução rápida, nem foi concebido para isso. O desenvolvimento do motor é um processo mais demorado do que o aprimoramento do projeto do carro, por isso, essa concessão está estruturada para proporcionar uma transição suave, evitando que vantagens e desvantagens competitivas se tornem 'fixas' de uma temporada para outra.
Os pontos de avaliação foram definidos trimestralmente ao longo da temporada – originalmente a cada seis corridas, quando 24 GPs estavam no calendário. Agora, devido ao cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, o momento exato do primeiro 'ponto de verificação' está em discussão – podendo ser o GP de Miami, agora a quarta etapa em vez da sexta, ou pode ser Mônaco.
Mattia Binotto também é o chefe de equipe da Audi por enquanto
Foto: Jakub Porzycki / NurPhoto via Getty Images
Mesmo quando concessões são concedidas sob o ADUO, elas não podem necessariamente ser implementadas imediatamente.
“Os prazos de desenvolvimento do motor são muito longos”, explicou Binotto. “Avaliamos, creio eu, que a maior parte da diferença que temos em relação às equipes de ponta vem da unidade de potência, o que não é inesperado. Sabíamos que esse seria o maior desafio."
“E temos um plano para recuperar. Mas o desenvolvimento do motor, especialmente quando se trata de alguns conceitos, pode demorar mais. Não é por acaso que definimos 2030 como nosso objetivo [para disputar o campeonato mundial]. Porque sabemos que vai demorar. E acho que o que precisamos agora é ser pacientes também."
“Somos muito ambiciosos e gostaríamos de ver as coisas resolvidas em algumas corridas. Mas, às vezes, não é assim que funciona. Então, acho que precisamos entender exatamente onde estamos como equipe, quais são os planos. E também seguir os planos. Porque milagres não são possíveis."
“Não estamos aqui para criar milagres. Não é o nosso estilo. Não podemos fazer isso. Mas estamos aqui para ter planos adequados para lidar com as questões e melhorar no futuro. E acho que isso também é possível.”
FUTURO de VERSTAPPEN, integração com RED BULL, BORTOLETO, SEGURANÇA da F1 e mais | RAFAELA FERREIRA
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