F1: Por que equipes 'camuflam' carros nos testes de pré-temporada
Não é incomum que times utilizem pinturas especiais durante sessões de teste; entenda como funcionam designs exclusivos
Semanas antes da estreia oficial das novas regras da Fórmula 1 em 2026, a categoria realizará três rodadas de testes para ajudar as equipes a se familiarizarem com suas novas máquinas revolucionárias. Dois testes estão programados para o Bahrein no próximo mês, onde os fãs terão o primeiro vislumbre dos novos carros na pista, enquanto o teste de janeiro em Barcelona será um evento fechado, sem equipes de TV e mídia.
Além de esconder a tecnologia dos novos carros de olhares curiosos, que incluirá aerodinâmica ativa nas asas dianteiras e traseiras, novos motores híbridos e carros mais curtos e leves, o teste também está tomando medidas para manter as pinturas de 2026 em segredo. A F1 teria determinado que os times que ainda não revelaram suas pinturas para este ano devem, em vez disso, correr com carros lisos ou camuflados no teste, que acontece de 26 a 30 de janeiro.
Williams, Aston Martin e Cadillac estão comprometidas em lançar seus carros após o teste em Barcelona, e realizarão os testes com designs dedicados ao evento. A Williams realizou um concurso para os fãs escolherem a pintura para o teste, enquanto a Aston Martin e a Cadillac ainda não comentaram sobre o visual que poderão apresentar na Espanha.
Pintura da Williams em Barcelona
Foto: Williams
As pinturas de teste não são uma novidade na F1 e designs especiais têm sido usados pelas equipes desde a década de 1960, quando o esquema de cores 'papaia' da McLaren estreou como um visual exclusivo para testes.
A Red Bull foi uma das primeiras equipes a usar uma pintura camuflada nos testes, lançando um visual marcante para mascarar suas atualizações aerodinâmicas em 2015. Na época, o desenho foi inspirado no design do capacete de Sebastian Vettel, e apresentava uma pintura angular em preto e branco que ecoava o padrão de camuflagem usado por navios de guerra na Primeira Guerra Mundial.
A camuflagem não se trata de mascarar todo o veículo para que ele se misture com o ambiente, como acontece na camuflagem militar tradicional. Em vez disso, ela tem como objetivo causar confusão, o que torna mais “difícil espionar os carros”, de acordo com uma postagem no blog da McLaren.
Isso acontece porque os padrões geométricos nesse tipo de pintura quebram as curvas suaves e as formas das diferentes superfícies aerodinâmicas. É uma técnica que foi desenvolvida durante a Primeira Guerra Mundial pelo artista naval britânico Norman Wilkinson, pois ajudava a mascarar o tamanho, a velocidade e a direção de vários navios de guerra. As curvas pintadas na frente dos navios militares podiam criar a aparência de uma proa falsa, escondendo o comprimento do navio, enquanto os padrões na popa podiam mascarar a direção em que ele estava navegando.
Daniil Kvyat, Red Bull Racing RB11
Foto: XPB Images
Na F1, esses padrões geraram conversas entre os membros do paddock quando a Red Bull estreou o RB11, mas também ajudaram a equipe a preservar alguns de seus segredos aerodinâmicos, já que os ângulos agudos escondiam detalhes da carroceria do carro dos espectadores. Em 2018 e 2019, a equipe também utilizou camuflagens angulares semelhantes para esconder seus segredos.
Essa tecnologia ex-militar também é usada por fabricantes de automóveis quando testam novos modelos na estrada. Na F1, ela permite que fabricantes e equipes de F1 testem os carros sem revelar muito dos elementos de design que as novas máquinas apresentam.
É uma técnica que tem sido usada não apenas pela McLaren e pela Red Bull, mas também pela Alfa Romeo, que este ano correrá como equipe da Audi, e pela Williams, que também utilizou carros camuflados nos últimos anos.
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