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Mesmo após anúncio de mudanças, pneus seguem causando polêmica

Pirelli promete alteração na estrutura e impacto mínimo na relação de forças entre as equipes, mas discórdia continua

A duas semanas do GP do Canadá, quando terão pneus com uma nova construção à disposição, os pilotos não sabem exatamente o que pode mudar na interação da borracha com seus carros. Em conjunto com a FIA, a fornecedora Pirelli decidiu promover o retorno à estrutura usada nas últimas duas temporadas, combinada com os compostos usados nesta temporada.

A mudança é legitimada pela necessidade de aumentar a segurança dos pneus após alguns episódios em que os pneus dechaparam pelo superaquecimento causado por detritos na pista. Afinal, as regras dizem que uma alteração nos compostos só poderia ser levada adiante caso todas as equipes aceitassem, o que não aconteceu.

Mesmo com a justificativa oficial da segurança, há quem não esteja de acordo. “Uma mudança só é possível se houver uma questão de segurança, mas não vejo nenhum problema nestes pneus”, afirma Adrian Sutil, cuja equipe, a Force India, é uma das que melhor se adaptou aos pneus deste ano. “Gosto de pilotar com eles: são muito bons na classificação e na corrida. Temos visto estratégias diferentes.”

O alemão afirmou ao TotalRace que a alta degradação é um desafio a mais para pilotos e equipes. “Não está ruim, só é um desafio para usá-lo da melhor maneira. Alguns carros têm dificuldades, outros não, e a F-1 é assim. Caso contrário, seria fácil. Se não é um desafio, não serve para nós. As pessoas sempre reclamam. Cada equipe tenta defender seus interesses: se é mais fácil mudar o pneu do que seu carro inteiro, eles vão tentar mudar o pneu. Nós pensamos de maneira diferente, porque nosso carro funciona bem com o pneu e não temos do que reclamar. Vamos ser o que acontece, mas a regra é a regra e está lá para ser respeitada e não para atender aos interesses de algumas equipes”, reclama.

Fernando Alonso, que também tem em sua Ferrari um carro que lida bem com os pneus atuais, é mais cauteloso nas afirmações. O espanhol não acredita que a mudança trará uma revolução na relação de forças entre as equipes.

“Temos de esperar até que tomem a decisão definitiva, pois no momento está tudo um pouco no ar. Quando corrermos a primeira prova, teremos as respostas. Mude o que mudar, teremos de tentar nos adaptar o mais rápido possível. Serão os mesmos pneus para todos e, em teoria, não deveria haver muitos problemas. Mudaram o composto duro em Barcelona, com a construção de 2013 e o composto de 2012 e funcionou para nós; não houve nenhuma revolução. Agora, devem mudar também a construção de 2013 e espero que também não seja nenhuma revolução.”

Seu companheiro, Felipe Massa, lembra que os pneus sempre foram fonte de discussão – e que nunca são unanimidade. “Acho que problema político a gente sempre teve: sempre tem uma equipe de um lado, outra do outro. Passei por vários regulamentos – não podia trocar pneu, brigas entre duas marcas e só se falava disso, agora quatro paradas. Isso faz parte. O jeito de guiar é diferente a cada ano. Porém, se for uma questão de segurança, estou de acordo.”

O outro lado

Um dos que batem mais forte na necessidade de mudanças é o líder do campeonato, Sebastian Vettel. “Não é nossa decisão, mas em relação à segurança... não quero falar mal de ninguém, mas eles têm de fazer um trabalho melhor. Vimos pneus estourando e a sorte foi que ninguém se machucou. E isso não foi porque os pilotos passaram por cima de restos de fibra de carbono, mas porque os pneus não eram bons o bastante. Isso não pode ser seguro. Os restos de pneus que ficam na pista também podem ser perigosos. Precisamos ser cuidadosos com essas coisas. Imagina se isso acontece assim na freada da chicane. É algo que ninguém quer ver.”

A opinião do piloto tem o respaldo do chefe da equipe, Christian Horner. “O problema é que, se o pneu é danificado, ele dechapa, como vimos em algumas ocasiões. Essa borracha voa do pneu e pode bater em outro carro e, em um cenário pior, em outro piloto. Aquilo que bateu na cabeça do Felipe Massa só tinha um quilo, então essas coisas podem fazer um grande estrago. A Pirelli é capaz e tenho certeza de que eles vão resolver isso rapidamente.

A posição da Red Bull é de que, além da estrutura, que será revista, a Pirelli mude os compostos, fazendo com que eles se degradem menos. “É um tipo de corrida diferente, porque você lida muito com porcentagens e tem de pedir ao piloto que não dispute, ainda que este seja seu instinto. Eles têm de ter muita disciplina. Tomara que melhoremos isso ao longo da temporada”, espera Horner, enquanto Vettel garante que até os pilotos da Lotus, que geralmente conseguem fazer uma parada a menos que os rivais, reclamam longe dos holofotes.

“[A impressão de que só nós reclamamos existe] porque vocês têm a alternativa de citar nossas frases ou da Marussia, por exemplo. Aí escolhem a Red Bull e isso dá a impressão de que eu ou a equipe estamos reclamando. Ouço os pilotos nos encontros que temos e, mesmo os pilotos da Lotus, que teriam o melhor carro para estes pneus e estas condições, reclamam. Eles têm os mesmos problemas que nós, só em um nível menor. Mas isso não significa que ninguém mais está reclamando.”

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