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Para Monisha, discussão sobre pagantes é ultrapassada

Chefe da Sauber lembra que prática é normal nas categorias de base e prefere focar na necessidade de cortar gastos

A Sauber sempre foi conhecida por revelar jovens talentos. Nos últimos anos, porém, a equipe tem tentado se equilibrar entre dar chance a novatos e se aproveitar dos patrocinadores destes jovens. Para a chefe da equipe, Monisha Kaltenborn, isso não é negativo e apenas reflete a dificuldade que os times vêm tendo para manter o nível de gastos na Fórmula 1.

“Toda essa discussão sobre pilotos pagantes perdeu um pouco de terreno para mim. O que vemos é que vários parceiros ou patrocinadores apoiam pilotos desde o início. Um bom exemplo é Sergio (Perez). Ele é parte da Escuderia Telmex, que é uma escola de pilotagem. Eles têm o apoiado desde o início e é natural que eles venham juntos quando ele chegou ao topo do automobilismo”, exemplificou.

Depois de Perez, a Sauber agora conta com outro pupilo da iniciativa mexicana, Esteban Gutierrez. “Há vários pilotos top que também trouxeram seus parceiros que estiveram com eles desde o início. Você não fala de pilotos pagantes em categorias menores porque lá é normal que alguém os apoie. Então porque não usar o mesmo padrão na F-1? Então você não teria esse tipo de discussão.”

Para Monisha, reconhecer que um piloto traz dinheiro não significa necessariamente que ele não tem qualidade. “A F-1 precisa ter os melhores pilotos e não necessariamente aqueles com dinheiro. Mas é preciso ser justo também com pilotos jovens que estão chegando, sem taxá-los imediatamente de pagantes.”

A dirigente acredita que a questão deve ser olhada de outra maneira e relembra a necessidade da Fórmula 1 cortar gastos para garantir sua sustentabilidade no futuro.

“Claro que seria bom a F-1 olhar mais de perto seus custos. Temos de fazer algo. Ao longo dos anos vemos que o clima econômico está nos afetando. E não apenas as equipes menores, mas o esporte em geral. Não podemos sempre esperar que vai entrar muito dinheiro vindo do detentor dos direitos comerciais. Temos de encontrar uma maneira de reagir a isso.”

Um exemplo disso, para Monisha, é a recente saída de Kamui Kobayashi da Fórmula 1. Apesar de ter mostrado seu talento na pista, o japonês não conseguiu patrocinadores e perdeu sua vaga na Sauber.

“Quando Kamui chegou para trabalhar conosco, ele não tinha patrocinadores. Mas nos convencemos de seu talento e foi o passo correto para nós. Ele mostrou grandes performances: seu pódio em Suzuka foi emocionante – ele comoveu os torcedores de uma maneira que nunca tinha visto. Ele era ótimo para a equipe, então é surpreendente quando alguém como ele não consegue nenhum apoio de um país que ama o automobilismo como o Japão. Isso deveria ser um aviso de que talvez tenhamos de mudar algo.”

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