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Vamos celebrar a vida de Jules Bianchi

Após funeral de Jules Bianchi, em Nice, Charles Bradley relembra conversa com o piloto, então com 18 anos e prestes a disputar primeira temporada na Fórmula 3

Jules Bianchi joga xadrez gigante com Charles Pic
Jules Bianchi com pilotos da Federação Francesa de Automobilismo
Mensagem de apoio a Jules Bianchi
Jules Bianchi, Marussia F1 Team MR03
Jules Bianchi joga xadrez gigante com Charles Pic
Jean-Eric Vergne, Felipe Massa e Pastor Maldonado carregam caixão de Jules Bianchi
Pastor Maldonado, Felipe Massa, Jean-Eric Vergne vão ao funeral de Jules Bianchi em Nice, França
Ciao Jules
Jules Bianchi, piloto de testes da Scuderia Ferrari
Pódio: vencedor Jules Bianchi, Lotus ART
Jules Bianchi, Marussia F1 Team MR03
Vijay Eswaran, presidente executivo do QI Group, com Sasha Cheglakov, dono da Marussia; Andrei Cheglakov, dono da Marussia; Jules Bianchi, Marussia F1 Team, e Anya Cheglakov no grid
Romain Grosjean, Lotus F1 Team, Jean-Eric Vergne, Scuderia Toro Rosso, Jules Bianchi, Marussia Formula One Team  e Charles Pic, Catheram Formula One Team na coletiva.

Ir a funerais é uma das situações mais difíceis que um ser humano pode enfrentar. Além de ter que dar adeus a um ente querido, o funeral é um lembrete de que a vida é finita – para você e para os que estão ao redor – algo de difícil aceitação.

Em Nice, grande parte do grid da Fórmula 1 se despediu de Jules Bianchi, muito respeitado pelos pilotos – e amigo de muitos deles, inclusive. Mortes na F1 são raras hoje em dia, comparado ao que se via no passado, mas isso não faz com que seja mais fácil de lidar com isso quando nos deparamos com esse acontecimento.

Em um esporte no qual é muito difícil se manter no topo por tanto tempo, é fato que a vida está constantemente sob risco. Os conceitos mais importantes de um funeral, para mim, são o encerramento de um ciclo e a finalidade do procedimento. Momento, triste, de deixar algo para trás e seguir em frente.

Uma vida curta, mas brilhante

É importante que nos lembremos e celebremos a vida e de Bianchi.

Não posso dizer que conheci Jules bem, mas posso falar sobre quando eu o conheci – em uma sessão de treinos promovidos pela Federação Francesa de Automobilismo em Dubai, em janeiro de 2008. Ele era apenas um novato no programa de jovens pilotos da Federação Francesa, mas apesar da pouca idade – e da personalidade gentil – ficou claro que ele tinha o bastante para se tornar o líder daquele grupo.

Com Romain Grosjean ocupado vencendo a rodada de abertura da GP2 Ásia naquele fim de semana, foi Bianchi, então com 18 anos, que definiu os tempos padrão para Charles Pic (com quem ele aparece jogando xadrez gigante na foto do topo), Adrien Tambay, Jean-Eric Vergne e Jean Karl Vernay nas provas de aptidão.

Enquanto eles nadavam de um lado para outro na piscina, eu me lembro de conversar tranquilamente com Jean Alesi, que capitaneava aquele grupo, e dizia que – se a carreira de Bianchi progredisse conforme todos esperavam – ele poderia se tornar o líder de uma boa equipe de F1 um dia.

Após uma manhã de intensos exercícios aeróbicos (para eles, não para Jean e para mim), nos divertimos muito em um safari no deserto, de jipe, com destino a uma fazenda de camelos. Rimos muito com Grosjean, que então se juntou a nós, ganhando um beijo de um camelo... Depois de comer pizza com todo o grupo naquela noite, era hora de fazer o meu trabalho, entrevistando um por um.

Apesar de ter apenas 16 anos, Tambay foi muito simpático; Pic estava um pouco tímido (a voz dele ainda não tinha amadurecido!); Vergne era intenso e muito mais entusiasmado com a possibilidade de me fazer perguntas do que responder as que eu fazia a ele. Vernay, eu conhecia da eu F3 - na verdade, foi através de uma foto daquele evento em Dubai, postada por ele no Facebook, que tive a ideia para escrever sobre isso.

A young talent on his way to F1

E então veio Bianchi...

 "Venci a Fórmula A na Copa do Mundo de Kart e o título da Fórmula Renault francesa no ano passado na França", disse, em um inglês já perfeito. "Neste ano, tenho essa grande oportunidade de pilotar pela ART na minha primeira temporada de Fórmula 3. Claro que há um pouco de pressão sobre mim, porque é meu primeiro ano competirei com pilotos que já têm experiência de um ano na categoria, por isso será difícil para mim. Mas estou em uma boa equipe e darei o máximo para fazer uma boa temporada.”

"Os testes tem sido bons até agora. Fiquei a três décimos de (Nico) Hülkenberg, o que é encorajador. Vamos ver o quanto eu conseguirei me aproximar dele na próxima sessão. Além disso, tenho dois companheiros de equipa ingleses, (Jon) Lancaster e (James) Jakes, e acredito que eles serão fortes também. Lancaster, assim como eu, também é novato, então será bom comparar o meu desempenho com o dele, já que ele é um bom piloto."

 Lembro-me também das anotações que fiz sobre ele na época: "Já parece uma pessoa equilibrada e autoconfiante. Sabe de cada passo pelo qual precisa passar e é realista sobre as dificuldades que deve enfrentar no primeiro ano de F3, mas o desejo de brilhar é evidente aqui."

Acho que as considerações estavam corretas.

Agora é tempo de enxugar as lágrimas. Assim como o grupo de pilotos no funeral, devemos pegar um copo e brindar, lembrando-nos de momentos bons. E nos apoiarmos neles.

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