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Entrevista

Wilson Fittipaldi acha impossível novo feito como Copersucar

Ex-piloto e um dos principais integrantes da “Escuderia Fittipaldi” relembra segunda colocação de Emerson em Jacarepaguá e compara atuação de time com a época atual da F1

The Copersucar Fittipaldi paddock area
The Copersucar Fittipaldi paddock area
Ingo Hoffmann, Copersucar Fittipaldi FD04 Ford
Wilson Fittipaldi Jr., Copersucar Fittipaldi FD01-Ford
Gilles Villeneuve, Ferrari 312T3 passes Emerson Fittipaldi, Copersucar F5A-Ford
Emerson Fittipaldi, Copersucar FD04 Ford
Ingo Hoffman, Copersucar-Fittipald
Emerson Fittipaldi, Copersucar FD04 Ford
Emerson Fittipaldi, Copersucar Fittipaldi FD04-Ford Cosworth
Ligier designer, Gerard Ducarouge chats to Emerson Fittipaldi, Copersucar F5A-Ford

Há exatos 40 anos o Brasil subia ao pódio não só com um piloto, mas também como equipe de Fórmula 1. Emerson Fittipaldi chegava em segundo lugar em casa e realizava um feito inédito, conseguindo o melhor resultado com a Escuderia Fittipaldi, ou Copersucar, nome que melhor “pegou” principalmente para os fãs brasileiros.

Na época, como chefe de equipe, Wilson Fittipaldi presenciou aquele momento histórico para o automobilismo nacional. Falando com exclusividade ao Motorsport.com Brasil, ele explicou qual era o peso de tamanho resultado.

“Acho que o que conseguimos mostrar ao país que um carro de F1 construído no Brasil tinha a possibilidade de ser o mais competitivo e foi o que aconteceu”, disse Wilson. “O Emerson largou em sétimo e veio passando os outros até chegar à segunda posição. Isso foi bastante importante para o país, para você criar no nosso projeto uma credibilidade muito maior que existia.”

Wilson também valoriza outros bons resultados da equipe, que aconteceram dois anos depois.

“O maior feito não foi só esse, o maior feito foi ter construído um carro aqui no país. Enquanto tivemos a equipe competindo durante oito anos, tivemos outros resultados considerados bons. Tivemos um terceiro lugar em Long Beach (em 1980 com Emerson Fittipaldi) e na Argentina (também em 1980 com Keke Rosberg), então isso mostrou que a construção do carro era viável e que o país tinha condições de construir um carro desses, com a tecnologia que existia naquela época.”

O feito de criar uma equipe brasileira para brigar com as forças europeias na principal categoria do automobilismo mundial poderia se repetir no século XXI ou ter algo parecido? Fittipaldi é enfático em sua resposta.

“Nem parecido e nem possível. A regulamentação mudou, levaram para o lado eletrônico. Então o maior desenvolvimento técnico que tivemos na F1 nos últimos 20 anos foi em direção totalmente para a eletrônica e esse lado ainda custa uma fábula, uma fortuna.”

“Hoje, uma equipe avulsa sem o apoio de uma fábrica é totalmente inviável. Em números, a Ferrari gasta hoje por volta de US$ 450 milhões, a Mercedes acima de US$ 500 milhões. Você não vai conseguir levantar uma quantia dessas em três ou quatro empresas ou com o governo ajudando. O custo é muito alto.”

Apesar de ter um exemplo atual, a Force India, como algo mais próximo do feito brasileiro, Wilson ainda pondera os resultados da escuderia.

“Eles (Force India) estão dando alguns passos, estão tendo alguns bons resultados considerados bons, mas não conseguem dar aquele último salto. Como disse, isso é difícil por causa dos custos, principalmente.”

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