Após domínio na F3, Câmara chega à F2 tentando repetir feito de Bortoleto: "Foco é vencer"
Campeão antecipado em 2025, o recifense de 20 anos é um dos nomes a ser batido e busca mais um título em ano de estreia, assim como o compatriota que, atualmente, é titular na F1
Rafael Camara, Invicta Racing
Foto de: James Sutton / Formula 1 / Formula Motorsport Ltd via Getty Images
Se olharmos a tabela do Campeonato Europeu de Karting de 2021, três companheiros de equipe da Kart Republic se destacam. Campeão: Andrea Kimi Antonelli, 'protegido' da Mercedes. Terceiro colocado: integrante da Academia da Red Bull, Arvid Lindblad. E, entre eles como vice-campeão: o jovem da Academia Ferrari, Rafael Câmara, posteriormente campeão da Fórmula Regional Europeia em 2024, dominante na F3 em 2025 e pronto para lutar desde o início pelo título da F2 em 2026.
Câmara (conhecido universalmente como “Rafa”) tem 20 anos e é de Recife. Embora sua carreira não tivesse desfrutado do mesmo embalo que a de seus amigos do kart, ganhou espaço recentemente e, sem dúvida, é o piloto a ser observado na F2 este ano. O jovem brasileiro está seguindo os passos do compatriota Gabriel Bortoleto e do italiano Leonardo Fornaroli, seus antecessores no título da F3. Assim como Câmara, os dois se tornaram campeões da F3 em suas temporadas de estreia, pela Trident, e, para a F2, assinaram com a Invicta, onde também foram campeões como novatos.
O automobilismo foi algo inicialmente experimentado pelo irmão mais velho de Câmara. “Meu pai gostava de corridas, mas nunca tinha estado no mundo do automobilismo”, ele conta. “Um amigo do meu pai, do trabalho, o filho dele corria e deu uma chance para o meu irmão tentar, mas meu irmão não gostou muito. Ele fez um ano, eu acho. Eu ia assistir quando eles estavam na pista e, quando meu irmão parou, eu disse que queria começar, mas eu tinha cinco anos, era muito novo. Quando fiz seis, pedi ao meu pai de novo. A partir daí, começamos em Recife. Depois de um ano nos mudamos para São Paulo, de lá para os EUA e depois Europa".
Seus pais podem não ter tido contato com o esporte, mas Câmara claramente herdou o 'gene' dos avós maternos. Quando suas façanhas começaram a empolgar a família, surgiram as histórias de sua avó. No fim da adolescência, Niege Rossiter corria com carros de turismo em circuitos improvisados em Recife, no início dos anos 1960, às vezes dividindo o volante com o próprio pai. Ela foi identificada como um talento e, questionada pela revista brasileira Quatro Rodas se aspirava correr em Interlagos ela "confessou que sim, a menos que apareça um jovem bonito, alguém de quem eu goste. Porque então vou acabar indo para a cozinha, que é meu outro hobby".
Rossiter chegou a vencer provas em Recife, mas acabou abandonando a carreira de piloto. “Antes de eu começar a correr, não era algo que eu realmente conhecia”, admitiu Câmara. “Depois, comecei a saber mais. Ela tem o capacete, os troféus e todas as fotos. Era um pouco mais perigoso porque ela corria nas ruas. Ela dizia que, basicamente, se você cometesse um erro, ia parar em cima das pessoas! Quando comecei, ela gostou muito e sempre me apoia".
No fim de 2021, os resultados de Câmara no kart o levaram à órbita da Ferrari, que o selecionou para avaliação e finais mundiais. Junto com Ollie Bearman, que acabara de vencer os campeonatos italiano e alemão de F4, ele foi integrado à Academia do time italiano. "Foi uma grande mudança na minha carreira. Foi muito bom para crescer como piloto e como pessoa. Temos trabalhado bem juntos", conta.
Câmara já morava na Itália por causa do kart, detalhando ainda que, na infância "realmente não tinha uma casa, porque estava sempre viajando e indo para lugares diferentes". A mudança para Maranello acompanhou a transição para os carros.
Ele foi colocado na dominante Prema Racing para 2022, mas contraiu COVID-19 duas vezes naquele ano. Na primeira, foi forçado a perder o que deveria ter sido seu fim de semana de estreia nos carros, na etapa inicial da F4 dos Emirados Árabes Unidos, o que quase certamente lhe custou um título que acabou indo para Charlie Wurz. Mais tarde naquele ano, teve que faltar a uma etapa alemã. “Não foi ideal, e com as viagens era mais difícil naquele momento, mas foi ok porque meu campeonato principal era a F4 Italiana e não tive problemas lá. Consegui fazer toda a temporada".
Câmara terminou em terceiro tanto no campeonato alemão quanto no italiano, com Antonelli, novamente seu companheiro de equipe, campeão em ambos, mas Kimi tinha um programa de testes de F4 muito maior e também já havia se graduado na categoria com grande desempenho no fim de 2021.
“Foi bom para ganhar experiência e aprender coisas ao lado do Kimi novamente”, reconhece Câmara. “Ele estava mais preparado para a F4. Durante o ano, tentei aprender tudo o que podia e, no fim da temporada, estávamos mais competitivos e foi uma boa forma de terminar. Nas corridas foi um pouco bagunçado, porque cometi alguns erros, mas em termos de velocidade na classificação foi um bom passo".
Novamente, eles subiram juntos para a Fórmula Regional em 2023, mais uma vez com a Prema. Desta vez Câmara foi quinto, com Antonelli campeão. Câmara permaneceu em 2024, enquanto Antonelli foi promovido às pressas para a F2, e dessa vez foi o brasileiro quem conquistou o título.
“No primeiro ano começamos muito bem, a velocidade certamente estava lá e, da minha parte, era mais questão de administrar os fins de semana ruins”, explica. “Houve muitos pontos desperdiçados, muitos altos e baixos. Aprendi muito como piloto sobre como administrar uma temporada e garantir que você está fazendo as coisas da maneira certa. No segundo ano, consegui colocar tudo na mesa e aplicar tudo o que tinha aprendido”.
Para o salto à F3, Câmara deixou o ambiente da família Rosin na Prema e foi para a Trident – mudando-se novamente, desta vez para Milão. “Foi um pouco difícil sair. Foram três anos que me completaram como pessoa e como piloto, e sou muito grato por tudo que a Prema fez por mim, mas a Trident também era outra família, não só em termos de resultados, mas o clima na equipe era incrível", lembra.
O chefe de equipe da Trident, Giacomo Ricci, foi campeão da Euro F3000 em 2006, então sabe do que seus pilotos precisam. “Com certeza Giacomo me ajudou muito. Os bons resultados vieram por causa da ajuda dele. Foi um período muito bom com ele e todos os engenheiros – acho que eles trabalham juntos há mais de 10 anos. Especialmente com o carro novo, todos tentavam ajudar uns aos outros para garantir que começássemos da melhor forma possível. Acho que conseguimos', adiciona.
E conseguiram mesmo. Títulos da F3 frequentemente são decididos na última etapa, às vezes na última volta (como com Fornaroli). Câmara já tinha o título garantido antes mesmo do fim de semana final em Monza: 10 etapas, cinco poles, quatro vitórias em corridas principais.
Se ele ficou surpreso? “Acho que fiquei um pouco. Especialmente com o carro novo, você não sabe o que esperar. Poderíamos ter começado em primeiro ou último, sabíamos disso. Mas a abordagem que tivemos foi muito boa, para garantir que, acontecesse o que fosse, continuaríamos trabalhando duro. Eu também nunca estava pensando muito nos resultados ou em bater recordes, só tentando garantir que a cada fim de semana estivesse dando o meu melhor", responde.
E agora ele está indo para a Invicta. Na época desta entrevista, no fim de janeiro, Câmara havia testado com a equipe em Abu Dhabi, mas ainda não tinha visitado a oficina em Attleborough, na Inglaterra: “Vou em breve para fazer o seat fit e as coisas novas para este ano". Quando lhe é revelado que a cidade britânica também foi base de Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna, o jovem brincou: "Não fazia ideia [disso]. Então é um bom lugar!".
Câmara tem experiência com equipes inglesas desde que competiu com a Forza Racing no kart em 2019/20. “A maior parte da equipe na Invicta é inglesa, mas meu engenheiro é espanhol”, detalha. Trata-se de Pau Rivera, que está lá há uma década, e também foi engenheiro de Bortoleto e Fornaroli em seus títulos. Pressão? “Sempre que você entra em algo, seu foco é vencer. Com certeza vou tentar lutar por vitórias, pelo campeonato, mas vou focar nas coisas que posso controlar no momento e garantir que estou o mais preparado possível para a temporada".
Olhando mais adiante no ano, certamente ele está de olho em um treino livre de F1 com a Ferrari. Câmara ri timidamente. “Sim. Quer dizer, é legal pilotar um carro de F1, mas ainda preciso fazer um bom trabalho na F2.” E quase certamente fará.
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