Justiça aceita denúncia do Ministério Público e Pedro Turra vira réu por homicídio doloso
Ex-piloto da Fórmula Delta segue preso preventivamente no Complexo da Papuda e pode ser condenado a até 30 anos de prisão
(Reprodução TV Globo)
O empresário e ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso virou oficialmente réu no caso envolvendo a morte de Rodrigo, adolescente de 16 anos que faleceu no último dia 07. A Justiça do Distrito Federal aceitou, nesta sexta-feira (13), a denúncia do Ministério Público contra Turra, que agora responderá por homicídio doloso.
O MP fez a denúncia por homicídio doloso qualificado por motivo fútil na quarta-feira (11), afirmando que a confusão que antecedeu o crime foi "consistente em uma discussão banal iniciada por um cuspe desferido pelo denunciado". O órgão ainda indicou que aconteceu premeditação na briga envolvendo o adolescente que faleceu.
O MP também solicitou que Turra seja condenado à “reparação de danos morais causados à família da vítima”, sendo obrigado a pagar no mínimo R$400 mil.
O processo seguirá com apresentação da defesa dos acusados e produção de provas. Então, seguirá para julgamento e determinação de sentença que, nesse caso, pode chegar a 30 anos de prisão.
Por meio de nota enviada à imprensa, a defesa de Turra expressou "respeito à decisão proferida pela Colenda Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios", mas ressaltou que "sem prejuízo do acatamento à autoridade jurisdicional, diverge, de forma técnica e fundamentada, do entendimento adotado, por compreender que, no caso concreto, houve supressão do devido processo legal e de direitos constitucionais que assistem a todo cidadão submetido à persecução penal".
O caso
Tudo começou no fim de uma festa em Vicente Pires (DF). Rodrigo estava sozinho na saída do evento quando, segundo relatos do advogado e do tio da vítima, Turra chegou de carro, sentado no banco de trás, com um grupo de colegas. O motorista, um amigo de Pedro, chamou Rodrigo, com quem discutiu brevemente. A partir daí, começaram as agressões. Essa sequência de fatos foi confirmada pela promotoria.
Pedro foi preso em flagrante na madrugada do dia 23, mas foi solto sob fiança de R$ 24,3 mil. Em 26 de janeiro, a Fórmula Delta desligou Turra oficialmente de seu quadro de pilotos. No dia 30 de janeiro, ele foi preso oficialmente pela Polícia Civil do Distrito Federal e transferido para a Papuda no dia 2 de fevereiro.
Além do episódio envolvendo Rodrigo, Pedro Turra está sendo investigado por outras três ocorrências: uma briga em uma praça de Águas Claras, que aconteceu em junho de 2025, a denúncia de uma jovem que diz ter sido forçada pelo empresário a ingerir bebida alcoólica quando ela ainda era menor de idade, também em junho, e um caso de agressão em briga de trânsito contra um homem de 49 anos, ocorrido em julho do ano passado.
Turra segue preso no Complexo Penitenciário da Papuda. O ex-piloto da Fórmula Delta apresentou um pedido de habeas corpus na quarta-feira (4), mas o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou.
Rodrigo teve morte encefálica em 07 de fevereiro, 16 dias após a agressão. A defesa do adolescente alega que os socos dados por Turra foram a causa da morte. "Ressaltamos que todos os traumas e cirurgias foram realizados no lado esquerdo do crânio de Rodrigo, local do soco, enquanto o soco desferido pelo agressor apresentou impacto de altíssima intensidade, com força considerada descomunal", publicou Halex.
Em nota, a defesa do agressor afirmou que "a família de Pedro Turra, com profundo respeito e sincera solidariedade, lamenta o falecimento de Rodrigo".
Segundo o portal G1, "a Polícia Civil disse que foi solicitado à defesa de Rodrigo que seja feito um pedido formal para que o médico do Instituto Médico Legal (IML) analise se as lesões são compatíveis ou não ao apresentado pelo laudo médico".
Na quinta-feira (12), a 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF negou, por unanimidade, o habeas corpus solicitado pela defesa de Pedro Turra.
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