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Análise

ANÁLISE MotoGP: Por que Bagnaia está mais perto de sair da Ducati do que de renovar

Apesar da calma demonstrada pelo italiano em relação ao seu futuro na Ducati, vários sinais vindos da direção da fabricante não indicam uma renovação

Francesco Bagnaia, Ducati Team

Foto de: Ducati Corse

Quando o mercado de pilotos esquenta, algumas decisões tendem a surgir com certo atraso, dependendo da vontade das equipes e dos pilotos. O exemplo mais recente desse "atraso" aconteceu no início da semana, durante a apresentação da moto da temporada 2026 da MotoGP da Ducati em Madonna di Campiglio, onde Pecco Bagnaia foi uma das figuras centrais.

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A calma demonstrada pelo bicampeão da categoria rainha quando questionado sobre a renovação de seu contrato não estava totalmente alinhada com as declarações dos dirigentes da marca. Do diretor Claudio Domenicali ao gerente da equipe, Davide Tardozzi, todos só falavam na renovação de Marc Márquez.

"Renovar com o Marc é nossa prioridade, assim como fizemos com o Pecco quando ele se tornou campeão mundial", comentou Domenicali. "É um contrato complexo e há muitas coisas a considerar. Mas estamos felizes com ele e ele está feliz conosco, então vamos encontrar uma solução porque estamos em uma boa situação".

O objetivo de Tardozzi era exatamente o mesmo. "Antes de tudo, tentamos renovar com o campeão mundial, porque isso é óbvio", ele esclareceu ao site oficial da MotoGP, dando pouca importância à segunda moto: "Depois, veremos".

Francesco Bagnaia, Ducati Team

Pecco Bagnaia est-il poussé vers la sortie chez Ducati ?

Photo de: Ducati Corse

A atribuição dessa vaga, ocupada por Bagnaia desde 2021, apareceu claramente como um elemento secundário nas palavras de Tardozzi: "Assim que soubermos se o Marc decide continuar ou não, pensaremos no segundo piloto. O que está claro é que, se o Marc decidir sair, nossa prioridade será renovar com o Pecco".

Apesar da cautela demonstrada pelos dois dirigentes, Motorsport.com soube que a renovação de Márquez pode ser considerada certa, assim como os sinais em torno de Bagnaia parecem afastá-lo de um novo acordo e aproximá-lo de uma saída. E não apenas por causa dos comentários ambíguos de Domenicali e Tardozzi.

O orçamento para o segundo piloto deve ser reduzido

A vontade expressa de resolver primeiro a situação de Márquez tem implicações que vão além do aspecto emocional em relação a Bagnaia: o orçamento da Ducati. Quando o espanhol assinou seu contrato para a temporada de 2025, estava em uma posição menos favorável do que hoje, o que o levou a aceitar, quase sem negociação, as condições propostas. A situação hoje é totalmente diferente, após uma temporada dominante que o fez voltar a ser a referência do grid.

Márquez agora tem as melhores cartas na mão e aproveitou isso nas negociações com a Ducati, que não dispõe de recursos tão altos quanto Yamaha ou Honda. Quem pagará o preço será seu futuro companheiro de equipe, obrigado a aceitar o que sobrar.

Francesco Bagnaia, Ducati Team

La Ducati GP26 pourrait être la dernière sur laquelle montera Pecco Bagnaia.

Photo de: Ducati Corse

Como Bagnaia assinou seu contrato atual já com o título em mãos, pode-se imaginar que ele terá dificuldade em aceitar condições menos favoráveis do que as atuais, mesmo que a Ducati lhe faça uma oferta de médio prazo... o que está longe de ser certo.

Tensões que permanecem sem solução

O colapso no desempenho de Bagnaia no ano passado criou tensões na Ducati, que se tornaram difíceis de esconder. O piloto questionou as competências dos engenheiros, segundo ele incapazes de explicar sua falta de sensações na dianteira da GP25.

Essas tensões continuaram até o final do ano, antes que as duas partes mergulhassem na entressafra para recarregar as energias para o que vem pela frente, seja na pista, mas não só, na expectativa de um mercado de pilotos que promete ser muito movimentado, já que poucos pilotos têm contrato para 2027.

"Depois da temporada que fiz no ano passado, só quero me concentrar em pilotar, e depois acontecerá o que tiver que acontecer", comentou Bagnaia com certa tranquilidade durante a apresentação de segunda-feira (19), afastando por enquanto as perguntas sobre o futuro contrato: "Quero apenas encarar as corridas uma a uma, e depois começaremos a falar sobre isso. Antes disso, quero me concentrar na pilotagem".

Não se deve pensar que Bagnaia poderá convencer a Ducati nas primeiras corridas da temporada. Vários agentes de pilotos consultados pelo Motorsport.com concordam que, no início de março, quando a temporada começar na Tailândia, as equipes oficiais, incluindo a Ducati, provavelmente já terão definido suas duplas para as temporadas de 2027 e 2028.

Francesco Bagnaia, Ducati Team

Francesco Bagnaia, Ducati Team

Photo de: Ducati Corse

Partindo desse princípio, pode-se imaginar que a decisão já foi tomada na Ducati. É aí que as palavras de Massimo Rivola, diretor geral da Aprilia, ganham todo o sentido: segundo ele, já está certo que o futuro companheiro de Márquez será um certo Pedro Acosta.

Um comentário que não agradou a Gigi Dall'Igna, seu homólogo na Ducati. "O que me chamou a atenção foi que Rivola falava mais da Ducati do que da Aprilia", reagiu ele.

Parece claro que a Ducati hesita entre manter Bagnaia ou contratar Acosta, que estaria disposto a aceitar qualquer proposta para mudar-se para equipe italiana, exatamente como Márquez fez há dois anos. Contratar o atual piloto da KTM, nascido 11 anos após o #93, garantiria o futuro da Ducati.

O que seria mais surpreendente seria tomar essa decisão privando Bagnaia – o piloto mais vitorioso e campeão da história da marca – da chance de provar que sua temporada de 2025 foi apenas uma anomalia.

MÁRQUEZ APALAVRADO na DUCATI até 2028? Acosta, clã ROSSI em guerra, GP Brasil, YAMAHA e Dakar INSANO

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