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GUIA: MotoGP inicia temporada 2026 com mercado de pilotos insano e o retorno do Brasil ao grid

Motorsport.com detalha a situação da principal categoria do motociclismo mundial no último ano antes de uma revolução no regulamento técnico

MotoGP riders group photo 

MotoGP riders group photo 

Foto de: Steve Wobser / Getty Images

A MotoGP abre neste fim de semana a temporada 2026 com o GP da Tailândia, primeira de 22 etapas do ano. Por isso, o Motorsport.com montou um guia completo para o fã ficar de olho em tudo que está rolando na principal categoria do motociclismo mundial!

Leia também:

O último ano do regulamento das 1000cc

A MotoGP chega para 2026 para um ano diferente. Em 2027, a categoria viverá uma revolução técnica, com a troca da moto 1000cc atual por motores 850cc e uma dependência menor dos dispositivos aerodinâmicos. Mesmo assim, as equipes não estão poupando esforços. Nos testes de pré-temporada foi possível ver que as montadoras seguem desenvolvendo as máquinas atuais até o último momento possível, buscando maximizar seus resultados.

Um mercado para 2027 que pega fogo antes mesmo do início de 2026:

Mas o grande destaque da MotoGP em 2026 não está nas pistas até o momento. Desde o início de fevereiro, o mercado de pilotos vem pegando fogo, com rumores apontando para trocas chocantes envolvendo alguns dos principais nomes do grid.

Enquanto Marc Márquez deve seguir na Ducati, com um contrato de dois anos, seu companheiro de equipe tende a ser Pedro Acosta, que deixa a KTM para correr ao lado do principal nome no grid. Sem uma vaga na equipe italiana, o destino de Francesco Bagnaia deve ser a Aprilia, junto do já renovado Marco Bezzecchi. Pecco disse durante os testes da Tailândia que já selou seu futuro, e que o anúncio deve ser feito nos próximos dias.

Já Fabio Quartararo deve deixar a Yamaha com destino à Honda, enquanto Jorge Martín, que perderia sua vaga com a chegada de Bagnaia, deve ocupar o espaço deixado pelo francês na equipe japonesa. Já Álex Márquez deve sair da sombra do irmão. Sendo preterido pela Ducati na briga pela vaga na equipe de fábrica, o destino do espanhol deve ser a KTM, em dupla com Maverick Viñales, que deve ganhar uma promoção da fabricante austríaca.

Esse caos todo do mercado de pilotos deve colocar ainda mais pimenta na pista em uma temporada cujas expectativas já estavam altas antes mesmo de seu início.

Diogo Moreira, Team LCR Honda

Diogo Moreira, Team LCR Honda

Foto de: Steve Wobser / Getty Images

O país está de volta ao grid: Diogo Moreira e o GP do Brasil

Após uma ausência de quase duas décadas, o Brasil está de volta à MotoGP e em dose dupla! O GP da Tailândia deste fim de semana marca a estreia oficial de Diogo Moreira na classe rainha, como piloto da LCR, equipe satélite da Honda.

Diogo chega à categoria após uma performance estelar na Moto2 em 2025, entregando a maior remontada da história da classe intermediária, recuperando um déficit de 61 pontos para o então líder Manu González após o GP da França para terminar campeão com 30 de vantagem para o espanhol.

A expectativa pela estreia de Diogo é enorme, por se tratar do primeiro brasileiro correndo na classe rainha desde a aposentadoria de Alex Barros, em 2007. Mas é preciso manter os pés no chão. O piloto ainda é estreante e segue em plena adaptação à moto em uma Honda que tenta se reerguer na categoria após algumas temporadas no fundo do grid.

E a outra presença brasileira vem logo na sequência: após 22 anos, o GP do Brasil está de volta ao calendário! A prova, realizada em Goiânia, será a segunda etapa da temporada 2026, com um contrato de cinco anos, o que garante o país até pelo menos 2030.

O fim de semana de 20 a 22 de março será um dos mais importantes do ano para o país, com o retorno da MotoGP ao Brasil tendo um representante no grid.

Marc Marquez, Ducati Team

Marc Marquez, Ducati Team

Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images

Ducati: Márquez à frente e o que esperar de Bagnaia e os demais?

A expectativa geral é de que, mais uma vez, a Ducati seja imbatível, com Marc Márquez favorito para a conquista de mais um título. Mas enquanto tratamos Márquez como um caso a parte, o restante da estrutura da marca italiana vive situações interessantes.

Na equipe oficial, o que podemos esperar de Francesco Bagnaia? O bicampeão viveu um 2025 terrível, mas apresentou uma boa performance na pré-temporada. Mesmo assim, pode ser tarde demais para Pecco, que vê Pedro Acosta cada vez mais próximo de sua vaga, enquanto o próprio italiano se aproxima de um acordo com a Aprilia.

A Gresini sobe dentro do ranking da Ducati, tornando-se a segunda equipe da marca italiana, confiando ao vice-campeão Álex Márquez o trabalho de desenvolvimento da moto, ao lado de Fermín Aldeguer, que teve uma primeira temporada sólida na categoria. Já a VR46 conta com dois pilotos que precisam entregar mais do que 2025: Fabio di Giannantonio e Franco Morbidelli.

Marco Bezzecchi, Aprilia Racing

Marco Bezzecchi, Aprilia Racing

Foto de: MotoGP Sports Entertainment Group

Aprilia: Bezzecchi vem para ser a segunda força?

A Aprilia chega para a temporada 2026 com um objetivo muito claro: ser uma pedra ainda maior no sapato da Ducati. Sem Marc Márquez no grid no fim de 2025, a marca italiana se sobressaiu, conseguindo rivalizar com a compatriota, vencendo três das cinco últimas corridas do ano passado, duas com Marco Bezzecchi e uma com Raúl Fernández.

A primeira impressão deixada pela marca de Noale é positiva. Bezzecchi marcou o melhor tempo da pré-temporada de Chang, com direito a recorde da pista, o que levou Pedro Acosta a revelar que ficou "assustado" com as simulações de corrida das motos italianas.

Já renovado por mais dois anos, Bezzecchi chega para 2026 como o claro líder do projeto, e sua performance deixa interrogações sobre o quanto que ele poderá incomodar a Ducati. Não necessariamente na luta pelo título mas, quem sabe, pelo vice-campeonato.

Ao lado de Bezzecchi, mais uma vez, temos o campeão de 2024 Jorge Martín. O espanhol precisa, pelo menos neste começo de ano, ter uma sequência tranquila, sem acidentes, para que não perca mais corridas e que consiga a aclimatação plena à moto. E talvez esse processo seja mais rápido do que o esperado, visto sua boa performance nos testes da Tailândia. Por outro lado, uma eventual saída de Martín no fim de 2026 pode azedar novamente o clima interno.

Já na Trackhouse, a dupla formada por Ai Ogura e Raúl Fernández foi mantida por um segundo ano. Enquanto Ogura teve um início melhor em 2025, Fernández cresceu na parte final, coroado pela vitória em Phillip Island. No momento, ambos parecem sólidos, sem indícios de que suas vagas estão ameaçadas. Por outro lado, também não aparecem nos rumores do mercado, ligando-os a outras equipes.

Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing

Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing

Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images

KTM: Acosta consegue sua primeira vitória?

Em 2025, a KTM viveu um dos anos mais dramáticos de sua história. O desenvolvimento da moto ficou empacado enquanto a marca austríaca atravessava uma gravíssima crise econômica, que levou à troca dos acionistas majoritários para a Bajaj. 

Com o passar dos meses, a crise foi perdendo força e a KTM conseguiu mostrar um pouco mais de rendimento, com Pedro Acosta conquistando cinco pódios em GPs na segunda metade do campeonato, a caminho do quarto lugar no Mundial de Pilotos, superando inclusive Bagnaia.

Para 2026, a perspectiva é de uma melhora da moto, solucionando - pelo menos parcialmente - uma de suas grandes deficiências: o alto consumo de pneus. Mas com Ducati e Aprilia dando a impressão de estarem bem à frente, o que podemos esperar da KTM? Se consolidar como uma terceira força?

Por outro lado, a KTM chega para 2026 com uma nuvem de incertezas sobre seu programa que vai além da performance da moto na pista. Primeiro, como a chegada da Bajaj vai afetar a estrutura competitiva da marca? Há promessas do novo CEO de fazer cortes profundos no quadro de funcionários, mexendo inclusive com a MotoGP.

De outro lado estão os pilotos. A saída de Acosta para a Ducati é dada como certa pelo paddock, mas os outros três nomes da KTM estão longe de estarem confirmados. Quem pode se dar melhor nessa é Maverick Viñales, que pode ganhar uma promoção da Tech3 para a equipe oficial, enquanto Brad Binder e Enea Bastianini precisam se provar em 2026.

Joan Mir, Honda HRC

Joan Mir, Honda HRC

Foto de: Steve Wobser / Getty Images

Honda: Seguirá avançando após bom final de 2025?

A Honda evoluiu ao longo de 2025, conseguindo inclusive sair do Grupo D das concessões, juntando-se a KTM e Aprilia no nível C. E enquanto isso mostra uma clara evolução da moto japonesa, a troca de nível também traz uma implicação negativa: até o ano passado, a Honda tinha direito a testes ilimitados, coisa que não tem mais. Será que isso vai interromper a melhora?

Enquanto isso, a Honda vive também uma pequena tempestade envolvendo seus pilotos. Com os rumores de uma chegada de Fabio Quartararo cada vez mais fortes, Joan Mir e Luca Marini lutam pela sua sobrevivência na categoria, enquanto a expectativa gira em torno de Diogo Moreira que, em teoria, tem uma vaga garantida na equipe oficial em 2027.

Fabio Quartararo, Yamaha Factory Racing

Fabio Quartararo, Yamaha Factory Racing

Foto de: Steve Wobser / Getty Images

Yamaha: Em meio às dificuldades, a preocupação com a iminente saída de Quartararo

De todas as marcas, a situação mais preocupante é a da Yamaha. A marca japonesa aproveitou a estabilidade do regulamento em seu último ano para implementar o projeto da nova moto M1 com motor V4, mas as primeiras impressões têm sido complicadas, para dizer o mínimo.

Alguns pilotos, como Álex Rins e Jack Miller tentam suavizar a situação, reforçando que são dores de crescimento normais, esperadas para um projeto novo, uma mudança de tamanha escala. E eles realmente estão certos. Mas o problema é: como fazer essa troca e ainda assim manter seu principal nome feliz?

Fabio Quartararo não vem escondendo sua frustração com a posição da Yamaha no grid atual, e já afirmou que será necessário muito tempo para que o V4 possa estar a par com os demais. Nisso, os rumores de uma possível ida para a Honda em 2027 crescem, e isso só complica o "meio de campo" da Yamaha.

Em 2025, Quartararo sozinho somou mais pontos que os outros três pilotos da Yamaha combinados, além de um total de cinco pole positions. A perda do francês representaria um baque para a marca japonesa, ainda mais em um cenário onde apenas um dos outros três nomes estão seguros.

Álex Rins e Jack Miller precisam provar seu valor este ano, enquanto Toprak Razgatlioglu tem contrato para 2027. Mas o turco precisa superar o grande desafio de adaptação à nova moto para merecer uma promoção para a equipe oficial.

Confira o grid completo da MotoGP 2026:

equipe montadora moto No. piloto
Italy Aprilia Racing Aprilia RS-GP26 72 Italy Marco Bezzecchi
89 Spain Jorge Martín
United States Trackhouse MotoGP Team 25 Spain Raúl Fernández
79 Japan Ai Ogura
Italy Ducati Lenovo Team Ducati Desmosedici GP26 63 Italy Francesco Bagnaia
93 Spain Marc Márquez
Italy BK8 Gresini Racing MotoGP 73 Spain Álex Márquez
Desmosedici GP25 54 Spain Fermín Aldeguer
Italy Pertamina Enduro VR46 Racing Team 21 Italy Franco Morbidelli
Desmosedici GP26 49 Italy Fabio Di Giannantonio
Monaco Castrol Honda LCR
Monaco Pro Honda LCR
Honda RC213V 5 France Johann Zarco
11 Brazil Diogo Moreira
Japan Honda HRC Castrol 10 Italy Luca Marini
36 Spain Joan Mir
Austria Red Bull KTM Factory Racing KTM RC16 33 South Africa Brad Binder
37 Spain Pedro Acosta
France Red Bull KTM Tech3 12 Spain Maverick Viñales
23 Italy Enea Bastianini
Japan Monster Energy Yamaha MotoGP Team Yamaha YZR-M1 20 France Fabio Quartararo
42 Spain Álex Rins
Italy Prima Pramac Yamaha MotoGP 07 Turkey Toprak Razgatlıoğlu
43 Australia Jack Miller

Um calendário com poucas alterações:

O GP do Brasil é a única novidade do calendário de 2026, entrando no lugar do GP da Argentina, que terá um novo palco a partir de 2027, com a troca de Termas de Río Hondo por Buenos Aires. 

Para além disso, tivemos apenas algumas trocas de datas, com os GPs da Grã-Bretanha e de Aragón passando para o segundo semestre, enquanto a etapa da Catalunha foi jogada para a primeira parte do campeonato.

Confira o calendário completo da MotoGP 2026:

etapa data gp Circuito
1 01 de março Thailand GP da Tailândia Circuito Internacional de Chang, Buriram
2 22 de março Brazil GP do Brasil Autódromo Internacional Ayrton Senna, Goiânia
3 29 de março United States GP das Américas Circuito das Américas, Austin
4 12 de abril Qatar GP do Catar Circuito Internacional de Lusail, Lusail
5 26 de abril Spain GP da Espanha Circuito de Jerez de la Frontera
6 10 de maio France GP da França Bugatti Circuit, Le Mans
7 17 de maio Catalonia GP da Catalunha Circuito de Barcelona, Montmeló
8 31 de maio Italy GP da Itália Autodromo Internazionale del Mugello
9 07 de junho Hungary GP da Hungria Balaton Park
10 21 de junho Czech Republic GP da República Tcheca Brno
11 28 de junho Netherlands GP da Holanda TT Circuit Assen
12 12 de julho Germany GP da Alemanha Sachsenring
13 09 de agosto United Kingdom GP da Grã-Bretanha Silverstone
14 30 de agosto Aragon GP de Aragón MotorLand Aragón
15 13 de setembro San Marino GP de San Marino Misano World Circuit Marco Simoncelli
16 20 de setembro Austria GP da Áustria Red Bull Ring
17 04 de outubro Japan GP do Japão Mobility Resort Motegi
18 11 de outubro Indonesia GP da Indonésia Circuito de Rua de Mandalika
19 25 de outubro Australia GP da Austrália Phillip Island
20 01 de novembro Malaysia GP da Malásia Sepang International Circuit
21 15 de novembro Portugal GP de Portugal Circuito Internacional do Algarve, Portimão
22 22 de novembro Valencian Community GP da Comunidade Valenciana Circuito Ricardo Tormo

Onde assistir à MotoGP 2026?

Assim como nos últimos anos, a ESPN tem direitos exclusivos de transmissão da categoria. Você poderá acompanhar toda a atividade da temporada 2026, tanto da MotoGP quanto das categorias de apoio na ESPN 4 ou no Disney+ Premium. A exceção fica para o GP do Brasil, que contará com transmissão também em TV Aberta pela Rede Bandeirantes.

E não esqueça! O Motorsport.com faz a cobertura completa da MotoGP, suas categorias suporte e todo o mundo das duas rodas no Pódio Cast, feito em parceria com a Yamaha Racing Brasil, com edições novas todas as segundas-feiras a partir das 18h!

Moto2, Moto3 e 'Copa Harley': os destaques nas classes suporte

As classes de acesso da MotoGP seguirão dando um show em 2026. Na Moto2, a briga pelo título está bem aberta, com alguns nomes que se destacaram em 2025, como Manú González e Aron Canet, além de outros nomes que devem entrar nessa disputa, como Daniel Holgado e David Alonso.

Já na Moto3 temos um grid com diversas novidades, mas é quase um consenso no paddock que o favorito ao título é Máximo Quiles. 'Apadrinhado' pelos irmãos Márquez, o espanhol disputará sua primeira temporada completa na classe, tendo entrado em 2025 após o início do campeonato por conta de sua idade. Mesmo assim, Quiles surpreendeu com três vitórias e mais seis pódios, terminando o campeonato na terceira posição.

Para fechar, teremos a estreia da Harley Davidson Bagger World Cup. Substituindo a MotoE, a nova classe traz as famosas motos baggers para o paddock do Mundial de Motovelocidade. Com estreia marcada para a etapa de Austin, a temporada de estreia será composta por seis etapas, com duas corridas em cada fim de semana, e com o brasileiro Eric Granado já confirmado no grid.

APRILIA DOMINA TESTE: é favorita contra DUCATI no 1° GP? Pecco, DIOGO em PLENA evolução, SBK e CROSS

Ouça versão áudio do PÓDIO CAST:

 

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