MotoGP: Ducati manterá motor "90% igual" ao de 2024 até fim deste ano
Fabricante italiana aposta em elemento que tem dominado o campeonato há dois anos, fazendo apenas pequenas mudanças em busca de "maior confiabilidade"
Quando, em novembro de 2024, Marc Márquez chegou à garagem oficial da Ducati na MotoGP e subiu nas Desmosedici GP24 e GP25 para compará-las, percebeu que a diferença entre os protótipos que estava testando naquele dia em Valência e o que havia deixado no box da Gresini, a GP23, era abismal.
Mas nem o espanhol, nem Pecco Bagnaia, seu companheiro de equipe, foram categóricos na hora de apostar na moto campeã de 24 ou 25. “Os dois pilotos concordam em seus comentários”, foi a versão oficial, endossada por Márquez e Bagnaia em suas declarações, dando sentido à afirmação do fabricante, que garantia que “o motor é quase o mesmo”.
Em seu primeiro ano, as GP24 arrasaram sem piedade. Pecco conquistou onze vitórias em GPs e cinco em sprints. Jorge Martín venceu o campeonato mundial somando três vitórias em domingos e sete nos sábados. Enea Bastianini completou o domínio com duas vitórias em corridas principais e outras duas em sprints. Apenas Márquez, com a GP23 da Gresini, e Maverick Viñales, com a Aprilia, conseguiram somar três e uma vitória, respectivamente, em resposta ao domínio da Ducati em 2024.
A mudança do motor 2023 para o 2024 foi o grande salto da Desmosedici, a obra-prima do engenheiro-chefe Gigi Dall'Igna, e apesar das declarações ambíguas durante todo esse tempo em torno dos motores, agora a fabricante explica que, desde então, tem trabalhado sempre em torno desse propulsor básico.
Gigi Dall'Igna, gerente geral da Ducati Corse
Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
Além disso, após se tornar oficial em maio de 2024 que a MotoGP irá introduzir um novo regulamento técnico a partir de 2027, a Ducati entendeu que, tendo um motor quase “invencível”, também não fazia muito sentido construir um novo a partir do zero para 2025, especialmente porque, com exceção da Yamaha, todos os motores ficariam 'congelados' em 2026.
“O motor deste ano é, em mais de 90%, idêntico ao do ano passado e ao de dois anos atrás”, explicou a fabricante italiana ao Motorsport.com.
A porcentagem restante corresponde a peças externas, do contorno, que não estão sujeitas à regulamentação do congelamento do desenvolvimento dos propulsores. “Os motores são quase iguais, têm as mesmas peças. As únicas mudanças que há, de um ano para outro, são referentes ao material de algum elemento, buscando maior confiabilidade”, acrescentam.
Ninguém fala de motores
No primeiro teste de pré-temporada, em novembro passado, em Valência, Álex Márquez saiu da GP24 para subir, teoricamente, na Desmosedici último modelo, a mesma que Marc e Pecco tinham em sua garagem. Porém, o piloto da Gresini, que acabara de se proclamar vice-campeão mundial, não revelou com qual motor estava correndo.
“Me senti bem com esta moto 'diferente'. Não quero dar nome a ela, seja GP25, GP26 ou o que for, simplesmente é diferente. Me senti bem e isso é positivo”, admitiu assim que desceu da moto.
Alex Márquez competirá este ano com uma Ducati GP26 na equipe Gresini Racing
Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
Após as sessões em Sepang, Álex continuou falando sobre testes aerodinâmicos e ajustes: “Na pré-temporada há muitas coisas para testar. Gigi vem mais ao box, fui o primeiro a montar a nova aerodinâmica”, revelou.
No último dia dos testes em Sepang, após uma simulação de sprint em que foi o mais rápido, superando Pecco e Marc, Álex voltou a insistir em questões aerodinâmicas, sem mencionar o motor. “Ainda não decidi a aerodinâmica, mas me senti mais confortável com a do ano passado. O potencial é semelhante, tudo depende das características de cada pista”, explicou.
Márquez e Pecco também não falaram sobre o motor durante os testes em Sepang, limitando-se a comentar os testes da nova aerodinâmica e, no caso do italiano, as boas sensações que não encontrou no ano passado.
Proteger Bagnaia e o negócio
Por mais que agora a Ducati admita que manteve o mesmo motor de 2024, é surpreendente que, durante toda a temporada passada, o fabricante italiano não tenha esclarecido os rumores e especulações sobre se o motor 2025 que Marc e Pecco usavam era pior que o 2024 de Álex Márquez.
Francesco Bagnaia, Ducati Team, Alex Márquez, Gresini Racing
Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
“A prioridade da Ducati sempre foi trabalhar para que Pecco pudesse recuperar seu melhor nível, e isso incluía manter um ambiente o mais tranquilo possível ao seu redor”, apontam as fontes, dando a entender que tornar público que o italiano e o piloto da Gresini usavam motos quase idênticas teria afundado Bagnaia ainda mais.
Além disso, é preciso levar em conta um aspecto crucial: o comercial. A Ducati vende as motos e peças de reposição às equipes satélites, cobrando um preço pelo modelo do ano anterior e o dobro pela última especificação. Por isso, a nomenclatura GP e o ano, embora a Ducati nunca queira falar nesses termos, adquirem valor na hora de cobrar da Gresini e da VR46 um valor pelas motos, teoricamente do último modelo, que serão pilotadas por Álex e Fabio Di Giannantonio.
A posição oficial é que este ano todos os pilotos da Ducati terão um motor quase idêntico ao de 2024, e a partir daí será o fabricante que decidirá qual aerodinâmica, chassi e balanço cada um terá, dependendo se é um GP25 ou um GP26.
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