MotoGP - Troca do GP da Austrália para Adelaide divide pilotos: "Por que eliminar sua melhor pista?"
Lendas da categoria se posicionaram contra a troca, enquanto o piloto da casa no grid atual, Jack Miller, se mostrou favorável ao projeto
Apesar das atividades de pista neste fim de semana na Tailândia, o principal assunto envolvendo a MotoGP no paddock e nas redes sociais foi o anúncio da troca do palco do GP da Austrália a partir de 2027, saindo da icônica Phillip Island para um circuito de rua em Adelaide, algo que vem dividindo as opiniões dos próprios pilotos.
Os rumores sobre uma possível transferência do GP da Austrália de seu atual cenário já rolavam há alguns meses. O primeiro potencial palco foi Melbourne, que recebe a prova de Fórmula 1 desde os anos 1990. A MotoGP Sports Entertainment (MSE) chegou a fazer um pedido oficial ao Governo de Vitória, estado onde ficam tanto Melbourne quanto Phillip Island, mas recebeu uma negativa oficial da governadora, que prometeu investir em uma reforma do circuito para manter a prova lá.
Enquanto isso, a MSE trabalhou nos bastidores com muita cautela para garantir um substituto para Phillip Island e, na última quinta-feira, confirmou a troca para Adelaide. O evento trouxe ainda a apresentação do novo traçado, que recebeu um selo de aprovação de Jack Miller, o representante do país no grid e das autoridades locais.
Foram três dias frenéticos que incendiaram as redes sociais, com a grande maioria dos fãs do esporte protestando contra a perda do icônico traçado australiano, mas, sem dúvida, o mais impactante foi o de Casey Stoner.
Desde que se aposentou prematuramente em 2012, o australiano não perdeu nenhuma oportunidade de dar sua opinião sobre qualquer assunto relacionado à MotoGP, sempre em tom crítico, e desta vez com mais razão, já que venceu lá seis vezes consecutivas, entre 2007 e 2012.
“A MotoGP eliminará Phillip Island do calendário! Um dos circuitos de motociclismo mais importantes do mundo, que deu origem a algumas das corridas mais espetaculares e divertidas que já vimos, dará lugar a uma corrida em Adelaide, presumivelmente em um circuito urbano. Por que a MotoGP eliminaria do calendário o que talvez seja sua melhor pista? Deixo para vocês imaginarem os motivos”, escreveu o australiano em seu perfil no Instagram, antes mesmo da oficialização da troca.
Gardner culpa o governo local
Outro ícone do motociclismo australiano, Wayne Gardner, campeão mundial de 500cc em 1987 e que tem um busto em sua homenagem em Phillip Island, direcionou sua ira pela perda do GP em Phillip Island aos organizadores locais.
“Acabei de saber da notícia e, na verdade, não estou surpreso. Isso já vinha se gestando há anos”, disse ele à ABC. “O governo de Vitória tem a reputação de ganhar, perder, desaparecer, voltar e desaparecer novamente, é algo intermitente. É uma decepção, nunca pensei que veria algo assim depois do sucesso inicial”, reclamou o “Crocodilo”, vencedor das duas primeiras edições do GP da Austrália realizadas em Phillip Island (1989 e 1990), além de ter colaborado com o projeto da pista.
Wayne Gardner em 1987, quando foi campeão mundial de 500cc/MotoG com uma Honda
Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
“Estou um pouco triste e decepcionado, mas não estou surpreso com as palhaçadas do governo vitoriano e da AGPC [Australian Grand Prix Corporation]", diz Garner, que denunciou que “eles têm meu nome em todos os lugares, o que é uma honra, mas seria de se esperar que eles me levassem lá para conversar com as pessoas, mas estão simplesmente abusando da minha história lá e não querem pagar por isso”, disse ele antes de soltar: “que enfiem a estátua no rabo”, quando lhe perguntaram se ele iria recuperar o busto que há no circuito em sua homenagem.
Miller acredita que Adelaide será segura
Além de Carlos Ezpeleta, diretor esportivo da MotoGP, e das autoridades locais, Jack Miller também esteve presente na apresentação do traçado de Adelaide, na madrugada passada.
“Não haverá nenhuma barreira de concreto nem nenhuma barreira de ar a uma distância que possamos tocar”, explicou o piloto da Pramac, vestido com um macacão totalmente preto. “Confio plenamente em Carlos [Ezpeleta] e em seus cálculos”, acrescentou.
“Sentamo-nos todas as sextas-feiras à tarde nos GPs e temos uma reunião com eles, discutimos as dúvidas que temos, seja sobre a segurança da pista, a área de largada, a profundidade da brita, a consistência das áreas de escape, até literalmente o tamanho das pedras".
"Eles têm um conhecimento incrível sobre acidentes e o tempo necessário para parar, além de todos os dados dos sensores de força G, com os macacões. Eles são capazes de rastrear tudo isso e tudo fica armazenado. Em um acidente normal, não há preocupações com a segurança”, explicou o piloto.
Dito isso, Miller admitiu que o grid da MotoGP sentiria falta da fluidez de Phillip Island, mas não do clima da região e do preço a pagar para ir assistir às corridas lá.
“Todos ficarão profundamente decepcionados; Phillip Island tem sido um dos circuitos favoritos dos pilotos há muito tempo. É triste, muito triste, mas estamos diante de um projeto extremamente empolgante, não apenas para Adelaide ou Austrália do Sul, mas para a Austrália em geral”, disse ele durante a apresentação do novo traçado.
Jack Miller ouve atentamente o primeiro-ministro do governo da Austrália do Sul, Peter Malinauskas, ao lado de Carlos Ezpeleta, ontem à noite em Adelaide
Foto: MotoGP
“Não é segredo que o clima em Phillip Island é imprevisível. O vento vem do sul e esfria muito rápido, mas acho que aqui em Adelaide se aproveita muito o calor australiano, principalmente em novembro. Vai ser lindo”, previu.
O australiano alinhou-se com os objetivos da MotoGP de atrair um maior número de fãs para o espetáculo. “O mais importante para nós é conseguir que as pessoas venham nos ver”, e apontou um dos pontos fracos de correr no circuito atual.
“Chegar a Philip Island, por exemplo, é uma tarefa difícil para o fã comum. Como sabemos, os tempos estão cada vez mais difíceis. Ir a Melbourne, alugar um carro, levar toda a sua família para a ilha, alugar uma casa... custa mais de seis ou sete mil dólares. Eu sei disso porque minha família faz isso ano após ano. É difícil para uma família jovem sair e levar as crianças para ver uma corrida de motos”, revelou.
“Você conversa com as pessoas e é mais barato ir para a Malásia, simples assim, porque o circuito fica bem ao lado do aeroporto”.
Miller acredita que, com uma corrida urbana, os fãs terão mais chances de assistir.
“Para tentar atrair essas pessoas que querem vir, mas não têm meios, quando você pode vir à cidade, pode caminhar, pode ver a pista de perto e assistir às corridas. Entrar em um avião e voltar para casa. E isso ajuda. Os australianos adoram o automobilismo e o esporte em geral, então o acesso que terão em Adelaide me parece fenomenal”, concluiu Miller.
Em um MERCADO CAÓTICO, quem chega à MOTOGP 2026 pressionado? As NOVIDADES do GRID de 2027 e +
Ouça versão áudio do PÓDIO CAST:
ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:
Faça parte do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e se junte a nós no aplicativo!
Compartilhe ou salve este artigo
Inscreva-se e acesse Motorsport.com com seu ad-blocker.
Da Fórmula 1 ao MotoGP relatamos diretamente do paddock porque amamos nosso esporte, assim como você. A fim de continuar entregando nosso jornalismo especializado, nosso site usa publicidade. Ainda assim, queremos dar a você a oportunidade de desfrutar de um site sem anúncios, e continuar usando seu bloqueador de anúncios.
Principais comentários