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MotoGP: V4 é um projeto "no limite entre coragem e loucura", revela chefe da Yamaha

Novo motor será usado por apenas um ano, mas já parece corrigir algumas fraquezas e permitirá adquirir uma experiência útil para o regulamento de 2027

Fabio Quartararo, Yamaha Factory Racing

O ano de 2026 é sinônimo de revolução para a Yamaha. A fabricante mudou a arquitetura do motor e deixa seu histórico quatro cilindros em linha para trás, enquanto a nova M1 será equipada com um V4, como todas as motos concorrentes. A decisão foi anunciada durante o GP de Valência, mas já se sabia há vários meses que o V4 concentrava a maior parte da atenção da marca japonesa na MotoGP.

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O projeto, revelado pelo Motorsport.com na metade de 2024, foi rapidamente confirmado pela marca em seguida. Na época, afirmavam querer apenas explorar caminhos de desenvolvimento, mas internamente já parecia certo que o quatro cilindros em linha estava chegando ao fim.

"Provavelmente começou... Não me lembro exatamente do dia – lembro da reunião, mas não do dia – e na verdade, pensamos que era preciso um plano B", explicou Lin Jarvis, chefe da Yamaha em 2024 e que permaneceu como conselheiro até 2025, em um vídeo publicado pela marca.

"Confiamos no quatro cilindros em linha, vemos que ele ainda é muito competitivo, mas para dar esse passo a mais, provavelmente precisávamos nos alinhar com o que todo mundo usa. Desenvolvemos isso como um plano B que poderia potencialmente se tornar o plano A".

O trabalho avançou rapidamente na Yamaha. "Desenvolvemos esse novo motor em tempo recorde", comemorou Jarvis. Já em abril de 2025, o protótipo estava na pista com a máquina equipada com o V4. Augusto Fernández e Andrea Dovizioso ficaram responsáveis pelos testes, e o primeiro também disputou três wildcards na segunda metade da temporada. Apesar de ainda serem necessários avanços, o potencial do V4 tornou-se evidente.

"Espero um ponto de partida sólido, mas uma moto que vai evoluir durante toda a temporada", previu Paolo Pavesio, sucessor de Jarvis à frente da Yamaha. "Essa é a diferença em relação à M1 atual, que atingiu seu potencial máximo de desenvolvimento com esse conceito e configuração da moto, diante de uma moto ainda muito nova. O mais importante será continuar a evoluir ao longo da temporada."

Vários projetos simultâneos... graças a novos métodos

Alex Rins, Yamaha Factory Racing

Álex Rins sur la Yamaha équipée du V4.

Photo de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images

Para conceber esse motor, a Yamaha precisou reforçar seus recursos, pois era necessário manter dois projetos simultâneos, o da "antiga" M1 e o da nova. A marca teve que romper com sua cultura interna histórica, que consistia em evoluir a moto aos poucos e após longos processos de validação. Desta vez, era preciso avançar o mais rápido possível.

"Sabíamos desde o início que seria muito difícil conduzir esses dois projetos continuando as experiências do passado, então tentamos ser bastante agressivos, trabalhar no limite entre coragem e loucura em nosso método de desenvolvimento", destacou Takahiro Sumi, chefe de projeto na Yamaha. "Estamos no coração desse trabalho e fazemos o nosso melhor, entre empolgação e um pouco de medo".

"O desenvolvimento paralelo desses dois projetos é sem precedentes e um enorme desafio com o regulamento atual do MotoGP", acrescentou. "É uma luta entre a eficiência dos recursos e o tempo limitado. Começamos a sentir algo interessante e continuamos a desenvolver".

Não se trata apenas de desenvolver um novo motor, mas sim uma nova moto, já que as dimensões e o comportamento diferentes do V4 implicam mudanças em todos os níveis. "Todo mundo fala do V4, mas na verdade, o mais difícil é construir a moto em torno do motor", confirmou Max Bartolini, diretor técnico.

La moto de Fabio Quartararo, Yamaha Factory Racing

La moto de Fabio Quartararo équipée du V4.

Photo de: Hazrin Yeob Men Shah / Icon Sportswire via Getty Images

A moto testada até agora ainda está longe de estar finalizada, mas já algumas fraquezas antes imutáveis parecem corrigidas. É isso que dá esperança à Yamaha antes de ver uma versão mais avançada da moto nos testes de pré-temporada. Fabio Quartararo descreveu várias vezes uma máquina cuja roda traseira levanta na frenagem, e esse fenômeno não existe na nova Yamaha, segundo Pavesio.

"Já vimos que na MotoGP atual, a nova configuração, a nova moto – porque não é só um novo motor – corrige alguns dos principais problemas da M1, como a aderência na aceleração e as capacidades de frenagem, porque podemos usar a roda traseira para frear. Obviamente, o projeto ainda está em estágio preliminar. Estamos nos aproximando da primeira especificação de corrida, que veremos no final de fevereiro ou início de março na Tailândia".

Essa moto totalmente nova será usada por apenas um ano, antes de uma mudança de geração das máquinas em 2027. Os motores terão que ser profundamente modificados, pois a cilindrada passará de 1000cc para 850cc, mas Pavesio acredita que a experiência adquirida com o V4 continuará útil.

"Esse é o projeto para 2026, mas também para o futuro, porque os esforços que colocamos no V4 têm como objetivo trazer avanços em 2026, mas também uma base para o novo regulamento que será aplicado de 2027 a 2031", concluiu.

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