MotoGP: Yamaha interrompe atividades em Sepang após identificar problema no motor e não descarta "Plano B" para 2026
Caso o problema detectado seja estrutural, marca japonesa pode ter que recuperar as motos quatro em linha de 2025 para o início da temporada
A Yamaha surpreendeu ao anunciar nesta quarta-feira que estaria interrompendo sua participação na pré-temporada da MotoGP em Sepang, após descobrir um problema no novo motor V4, para focar em uma solução, evitando colocar a segurança de seus pilotos em risco. Porém, a proximidade do início do campeonato pode forçar a marca japonesa a buscar um "Plano B".
Segundo apurado pela edição espanhola do Motorsport.com, o problema foi identificado a partir da moto de Fabio Quartararo, que foi ao chão ainda na primeira hora de testes na segunda-feira. Mesmo voltando à pista posteriormente, o francês confirmou que havia fraturado o dedo médio da mão direita no dia seguinte e, com isso, não retornaria aos testes para focar na recuperação a tempo do início da temporada, marcado para o fim de fevereiro na Tailândia.
Na parte da tarde da terça-feira, após dar algumas voltas, Quartararo ficou parado com a sua M1 na curva 2 após uma falha no motor, no propulsor V4, que tem sido o centro dos esforços de desenvolvimento da marca desde o ano passado.
Na noite de terça, os engenheiros da Yamaha investigaram a origem do problema, mas sem encontrar uma resposta e, com isso, a marca japonesa teve que tomar a decisão de suspender suas atividades de pista até encontrar uma resposta clara.
No início da quarta, tanto a equipe em Sepang quanto a fábrica no Japão e a sede italiana iniciaram uma investigação mais profunda sobre o assunto, dando as seguintes explicações:
"Ainda estamos tentando entender o que causou o problema que afetou Fabio ontem a tarde", disse Massimo Meregalli, manager da Yamaha, em entrevista ao Motorsport.com. "É uma questão de segurança. Se chegarmos a entender qual a origem, voltaremos a sair [à pista], seja hoje ou amanhã. Estamos esperando uma luz verde".
Meregalli nega que este problema no motor tenha sido o causador do acidente de Quartararo na manhã de terça, minimizando o impacto que isso possa ter nos testes.
"O problema não tem absolutamente nada a ver com a queda de Fabio. Para dar uma porcentagem, digo que completamos 80% do programa que havíamos pensado [para Sepang]. Temos a base da moto. A prova é o quanto andamos esses dias".
"Apenas Toprak não conseguiu fazer todos os testes que estavam previstos em sua agenda. Todos os demais tinham os mesmos objetivos".
Sem Quartararo, Álex Rins, Jack Miller, Toprak Razgatlioglu, Andrea Dovizioso e Augusto Fernández na pista, o trabalho na Yamaha nesta quarta-feira foi feito a portas fechadas, e a equipe atualizou o quadro.
“Basicamente, depois que a moto de Fabio parou na pista ontem, verificamos que havia um problema e não encontramos uma solução clara. Temos uma ideia, mas considerando a segurança dos pilotos, tanto os nossos quanto os outros, decidimos não voltar à pista para entender realmente qual é o problema e o que devemos fazer para resolvê-lo”, explicou nesta quarta o diretor técnico Max Bartolini.
As Yamaha permaneceram hoje nos boxes durante o teste em Sepang
Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
Por mais que seja um motor e uma moto completamente novos, a situação causa preocupação para a marca, que ainda não descarta retornar à pista na quinta-feira, no último dia da pré-temporada de Sepang.
“Espero que encontremos uma solução. Como disse, ainda temos que verificar. Estamos em contato com o Japão; a Itália acabou de acordar, então também entraremos em contato com eles, temos que descobrir. Sabemos qual é o problema, o que não sabemos é o que o causou, embora tenhamos uma ideia, mas precisamos da confirmação da fábrica”.
“A maior perda é que, ao ter uma moto completamente nova, não temos experiência nem histórico, e os pilotos precisam se acostumar porque, claro, nossos pilotos, exceto Toprak, já estavam acostumados com nossas outras motos (as de 4 cilindros em linha), então precisam ganhar tempo. Além disso, para nós, como técnicos, a referência da outra moto é completamente diferente, também precisamos aprender”.
“Então, começamos do zero. Se não pudermos rodar aqui em Sepang, é uma grande perda, mas acho que faz parte do jogo".
Um "Plano B" para a Yamaha?
Evidentemente, para a fabricante japonesa, não poder continuar o desenvolvimento de sua nova moto seria uma crise, já que esse tipo de problema pode ter uma solução muito simples ou, pelo contrário, ter um problema estrutural que atrasaria a solução. É por isso que a Yamaha deve começar a preparar um plano B, já que faltam apenas 23 dias para o início do GP da Tailândia, o primeiro da temporada.
Massimo Bartolini ao lado de Quartararo e Rins com as Yamaha de 4 cilindros em linha
Foto de: Yamaha MotoGP
O próprio Bartolini garantiu que existe um "Plano B", sem dar mais detalhes, mas isso passaria por recuperar as motos do ano passado, de motor quatro cilindros em linha, até que se encontre a raiz do problema e a solução para o mesmo. Por ser a única marca no nível D do sistema de concessões, a Yamaha tem um regulamento de motores mais livre, com mais liberdade.
Assim, caso chegue ao cenário extremo, a Yamaha poderia começar a temporada com a moto do ano passado e implementar a V4 quando estiver pronta, algo que nenhuma outra marca da MotoGP poderia fazer, já que as quatro concorrentes deverão começar e terminar com o mesmo motor que homologarem em Buriram em 26 de fevereiro.
Porém, uma decisão do tipo pode embaralhar ainda mais as cartas para a Yamaha, que precisa manter o desenvolvimento do motor V4 ao longo de 2026 enquanto ainda tem de preparar o terreno para a chegada do regulamento de 2027, com motores 850cc e os novos pneus Michelin, em um cenário de ter que trabalhar em três motos ao mesmo tempo.
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