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Porsche Cup: Como é o desenvolvimento de um piloto na categoria?

Morestoni e Regadas começaram nas categorias de base e foram se desenvolvendo profissionalmente

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Foto de: Rodrigo Ruiz

Porsche Cup Brasil se consolidou como uma categoria completa no automobilismo nacional. Com carros iguais, grid competitivo e uma estrutura pensada para desenvolvimento, o campeonato oferece um caminho claro para pilotos que querem evoluir — seja começando do zero ou refinando o próprio nível.

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Mas crescer dentro da Porsche Cup está longe de ser simples. É um processo que mistura adaptação técnica, controle emocional e atenção obsessiva aos detalhes, como contam os pilotos Silvio Morestoni e Marcos Regadas em entrevista ao Motorsport.com Brasil.

Uma porta de entrada — e de recomeço

A trajetória até a Porsche Cup pode seguir caminhos bem diferentes. No caso de Morestoni, o automobilismo sempre esteve presente como sonho, mas nem sempre como possibilidade real.

"Minha história na Porsche Cup começou lá em 2012, quando eu ainda competia no Porsche Club, com carros de rua. Eu vinha tendo bons resultados, vencendo todas as etapas de que participava, e isso me levou a ser selecionado entre os 10 pilotos mais rápidos para um teste na Porsche Cup", contou. "Foi ali que tive meu primeiro contato com um carro de corrida em Interlagos — uma experiência incrível e que marcou muito. Ser piloto sempre foi um sonho, mas por muito tempo as condições financeiras e profissionais não permitiram".

Os primeiros passos para se tornar mais profissional foram dados em 2016, através de um convite para uma "clínica de pilotagem" e avaliação para tirar a licença de piloto. No entanto, Morestoni revela que aquele ainda não era o momento perfeito.

"Com o passar dos anos, retornei aos track days, conquistei títulos no Porsche Club Brasil e percebi que tinha chegado a hora: ou eu realizava esse sonho, ou não conseguiria mais entrar no automobilismo profissional. Foi então que, em 2024, assinei contrato para correr na categoria Trophy".

Já Regadas teve uma formação mais tradicional, começando no kart ainda jovem e passando por categorias de base. Mesmo assim, sua carreira teve uma pausa.

"Meu pai ficou com medo, achou muito perigoso, e pediu para eu focar nos estudos e no trabalho", relembrou. O retorno veio anos depois, já como "gentleman driver" — perfil comum dentro da Porsche Cup.

Foi justamente esse modelo que o trouxe de volta ao grid e convite foi feito por um amigo próximo do piloto: Nelson Piquet Jr.

"O Nelsinho sempre falava: 'a Porsche Cup é o teu perfil, é uma turma boa, é o que você gosta'. Aí surgiu a oportunidade de correr uma etapa… e eu estreei com vitória".

Marcos Regadas

Foto de: Jose Mario Dias

Uma escada clara de evolução

Um dos pontos da Porsche Cup é sua estrutura dividida em classes, como Trophy, Sport e Carrera - e dentro dessas classes, ainda há subdivisões. Essa divisão permite que pilotos evoluam gradualmente, enfrentando desafios cada vez maiores.

Morestoni explica esse processo de forma direta: "A Trophy é praticamente uma imersão inicial. Você aprende o que é um carro de corrida, como funciona uma largada, uma prova oficial". Com o tempo, o foco muda: "A cada degrau que você sobe, o desafio passa a ser o refinamento".

Regadas, por sua vez, viveu essa progressão de forma intensa. Após sua estreia, foi rapidamente promovido dentro da categoria em que entrou, o que impactou seus resultados imediatos.

"Eu comecei nessa prova que eu ganhei, foi na rookie, e aí eles já imediatamente me chamaram e falaram: 'Se quiser continuar, por nós, ok, mas tu não vai ser mais rookie, vai ser sport. Isso sacrificou meu ano, porque eu ainda tinha chance de título na rookie. Mas faz parte do processo", afirma.

A resposta, no entanto, veio na temporada seguinte, com o título na Sport e a consequente subida para a Carrera.

"É motivo de orgulho. Significa que você está evoluindo e indo para um nível muito mais alto", resumiu.

Carros iguais, diferenças mínimas

Um dos pilares da categoria é o uso de carros padronizados, como o Porsche 911 GT3 Cup. Na prática, isso elimina diferenças técnicas e coloca todos em condições muito próximas.

Mas isso não necessariamente facilita a vida dos pilotos. Na verdade, pode até dificultar.

"Na Carrera, a diferença entre os pilotos é coisa de meio segundo em uma volta de mais de um minuto e quarenta", explica Regadas. "Então o nível de detalhe que você precisa ter é muito maior".

Em circuitos como o Autódromo de Interlagos, isso significa que qualquer erro custa caro. Uma volta mal encaixada pode comprometer toda a corrida. Por isso, a abordagem muda.

Silvio Morestoni

Foto de: Rodrigo Ruiz

"Hoje eu tento andar menos afoito, mais preciso, encaixando uma volta na outra", disse o piloto. "Às vezes você nem é o mais rápido, mas perde menos tempo ao longo da corrida".

A adaptação técnica é outro ponto crítico — especialmente para quem vem de fora do automobilismo profissional. Morestoni destaca a diferença dos pneus slick como um dos maiores desafios.

"No pneu de rua, o carro avisa quando está no limite. No slick, você está sempre no limite — e ele é muito mais sensível", explicou.

Isso muda tudo: frenagem, contorno de curva e até a confiança do piloto."Qualquer erro pode custar caro", resume.

Saber ouvir — e aprender rápido

Dentro desse ambiente, o aprendizado não acontece sozinho. A presença de treinadores e engenheiros é parte fundamental do processo. Porém, os pilotos também precisam desenvolver os seus próprios métodos de estudo para se desenvolverem ao longo da temporada.

No início, o acompanhamento é mais próximo. "Ano passado eu tinha um coach acompanhando de perto, até dentro do carro", contou Morestoni. Com o tempo, a dinâmica muda. "Hoje é mais um trabalho com engenheiro, que exige mais autonomia",

Mas existe um ponto central para evoluir: escutar.

"O erro mais comum é achar que já sabe tudo", destacou Morestoni. "Quem evolui rápido é quem escuta os mais experientes e aplica isso na pista".

Regadas segue a mesma linha, destacando a importância da autocrítica: "Eu já cometi erros, bati em alguém, fui lá pedir desculpa. Estudei o erro e tentei corrigir", contou.

Mudanças na mentalidade conforme o tempo

Com o tempo, a maior transformação não é só técnica — é mental. Regadas define seu principal desafio de forma simples: "menos é mais".

Segundo ele, aprender a controlar o ímpeto foi essencial para evoluir: 'Eu tenho que tentar cometer o menor número de erros possível. Às vezes isso me deixa até um pouco mais lento, mas faz parte".

"Você precisa ser rápido, mas sem passar do ponto", explicou.

No fim das contas, a Porsche Cup Brasil se consolida como mais do que uma categoria monomarca. É um ambiente de formação.

A combinação de carros iguais, alto nível competitivo e convivência entre diferentes perfis cria um cenário único no automobilismo brasileiro. E, como mostram as trajetórias de Morestoni e Regadas, crescer dentro desse ambiente não depende apenas de velocidade.

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