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Time de Silverstone sabe que não está no nível dos rivais, mas chefe de operações de pista explica que cenário pode mudar com o tempo

Fernando Alonso, Aston Martin Racing

Na garagem da Aston Martin não há muitos sorrisos nem grandes discursos. Há telas cheias de dados, rostos sérios e uma sensação evidente: a pausa da Fórmula 1 não saiu como se sonhava em Silverstone. Mas, entre o ruído de fundo de uma pré-temporada desconfortável, Mike Krack, chefe de operações de pista do time, disse no Bahrein uma frase que, guardadas as devidas proporções, soa como uma pequena faísca: “O pacote tem potencial e precisamos trabalhar duro para desbloqueá-lo”.

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Após o último dia da primeira semana de testes em Sakhir, em que Lance Stroll terminou pouco mais de quatro segundos atrás do líder da sexta-feira, a Aston Martin não esconde a realidade. “A principal lição é que temos muito trabalho pela frente”, admitiu Krack. Carro novo, pacote novo, novo parceiro de motor e uma integração que ainda está longe de fluir naturalmente. “Tivemos que aprender que talvez não estejamos no nível dos outros”, reconheceu.

O contexto não ajuda. Há poucos dias o canadense falou de uma distância de até 4,5 segundos em relação aos melhores e, na F1, isso não é uma lacuna, é um abismo. Essa diferença foi percebida em treinos de corrida, em velocidade máxima — com um motor claramente mais limitado que seus rivais — e no número de voltas acumuladas, inferior ao da Ferrari, Mercedes ou mesmo ao projeto Red Bull Ford.

A Aston Martin é a única equipe que estreia a unidade de potência Honda nesta nova etapa e a integração cultural e técnica não é automática. “Não é algo em que você gira um botão e funciona. Há pessoas envolvidas, culturas diferentes, filosofias diferentes”, explicou Krack. Ele não falou de contratempos graves, mas deixou claro que aqui não há mágica, apenas (muito!) trabalho.

Tudo começou tarde

Mike Krack, Aston Martin Racing

Foto de: Zak Mauger / LAT Images via Getty Images

O atraso não é apenas metafórico. A equipe não conseguiu completar normalmente seu dia de filmagem, o shakedown em Barcelona foi limitado e o programa inicial na pista foi marcado por pequenos problemas. Nada dramático separadamente, mas tudo se soma quando seus rivais já estão em modo de otimização e você ainda está em fase de ajustes.

“Antes de desenvolver completamente o carro era importante sair para a pista, mesmo que fosse cedo. Tivemos pequenos problemas que precisam ser apurados e ajustados e isso leva tempo”, explicou. A mensagem é clara: primeiro entender, depois evoluir.

A 'fé' no conceito

O AMR26 — radical e extremo em alguns aspectos aerodinâmicos — nasce sob a sombra técnica de Adrian Newey, embora o britânico esteja focado em resolver problemas estruturais do projeto. Dentro da equipe, ninguém acredita que ele tenha “esquecido” como projetar carros vencedores após três décadas sendo referência, uma frase dita por Fernando Alonso. Porém, um conceito agressivo requer tempo, correlação e dados, exatamente o que eles ainda estão construindo.

“Assim que estivermos funcionando corretamente, poderemos analisar os pontos fracos e o potencial de melhoria. Tenho certeza de que poderemos dar grandes passos à frente”, garantiu Krack. Ele não prometeu milagres para Melbourne. Na verdade, foi explícito: na F1 não se pode viver de esperança, apenas de fatos. Hoje, os fatos dizem que a Aston Martin não está no nível que gostaria. Mas também que, pela primeira vez em dias, alguém dentro da equipe falou em potencial. 

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